Tempo (II)

O tempo é um conceito relativo, subjectivo, e elástico.

Há quem diga que devemos colocar tudo no nosso calendário, desde a hora de começar o trabalho até à hora para ver um filme com o namorado ou namorada.

Há quem diga que, por outro lado, é essencial ter blocos de tempo generosos, sem nada; que é desse nada que surge a inspiração, a criatividade.

Não sei qual das duas aproximações é mais correcta. Suspeito que, como na maioria das coisas, a virtude esteja no meio.

Mas uma coisa que noto comigo, é que a fase da vida em que tinha objectivamente mais trabalho, era também a fase da vida em que, de alguma forma, encontrava tempo para fazer mais coisas.

Relativo. Subjectivo. Elástico.

Nintendo

Jogar videojogos desenvolvidos pela Nintendo é mais do que “divertido”, é uma injecção de felicidade.

Nem sempre fui fã da Nintendo, mas depois da SEGA se afastar do negócio das consolas, descobri que os jogos Nintendo são divertidos de uma maneira que a maioria dos outros não é. (E de uma maneira que os da SEGA costumavam ser, e que hoje, só o são ocasionalmente).

A maioria dos jogos modernos são mais listas de tarefas glorificadas, em que alcançamos micro-objetivos gota-a-gota enquanto controlamos os protagonistas de maneira semi-automática. Jogar a maioria dos jogos modernos é como conduzir um carro automático, em contraste com a caixa de mudanças manual dos jogos clássicos.

(E eu adoro o meu carro automático, mas é porque acho que não há nenhum prazer inerente em meter mudanças. Conheço muitas pessoas que têm prazer em fazê-lo.)

Nos jogos da Nintendo, o mero acto de jogar é uma alegria. A interação entre a personagem  e o ambiente é colorida, agradável e cinética. Existem objetivos, sim, mas o prazer não depende deles – há prazer, há alegria, na jornada entre pontos, em vez de uma cuidadosa e constante dosagem de micro-tarefas ao longo de um caminho sem graça, sintetizada em laboratório para garantir a quantidade ideal de libertação de dopamina. 

Jogar um jogo Nintendo é ser uma criança outra vez; jogar a maioria dos outros jogos modernos é ser um rato de laboratório.

Claro, esta capacidade não é exclusiva da Nintendo, mas a Nintendo é a marca que a entrega de maneira mais consistente. Acho que a Bungie pode ser o outro exemplo, mas a Bungie é um estúdio de um jogo. Por alguma razão, os produtores japoneses tendem a alcançar esse nível com mais frequência do que os ocidentais. Mas ninguém, esteja a leste ou oeste, é tão consistente quanto a Nintendo.

Tenho tempo limitado para jogar, portanto escolho aqueles jogos que me fazem sentir genuinamente feliz como consequência do ato de jogar.

A alegria de progredir através de uma lista de objetivos, posso tê-la  noutras áreas da minha vida.

Os Segredos Que Estão À Vista de Todos

No último episódio de um dos meus podcasts favoritos, o “The Tim Ferriss Show,” o convidado fala – entre muitas outras coisas –  da sua infância como ilusionista. A passagem que mais me chamou a atenção:

(Estou a citar de memória; não são estas as palavras exactas.)

“Não quero explicar no ar como se fazem esses truques. É considerado má forma, na comunidade de ilusionistas. São segredos. É claro, são segredos, mas são públicos – estão todos nos livros! O que se passa é que ninguém lê livros.”

É verdade. Há muitas coisas que parecem (e são!) complicadas de fazer e que por isso afastam a maioria das pessoas, mas na realidade, quase tudo se consegue aprender com dois ou três bons livros. 

Deste fazer amigos a construir uma casa; desde investir na bolsa de valores, a pintar um quadro; desde reparar um automóvel a fazer um lago no quintal. E sim, fazer truques de magia daqueles que as pessoas pagam para ir ver numa noite de fim-de-semana.

É claro, o sucesso passa pela prática, pelo treino, pela tentativa e erro e pela capacidade de suportar o fracasso e tentar novamente. Mas o mapa, esse está nos livros.

É só ler.

Fotografia: Daniel Mennerich Flickr via Compfight cc

Escritor. Marketer. Dentista. Gamer.