Um Movimento Importante

A razão pela qual abandonei a minha carreira médica foi para poder ajudar o maior número possível de empresas a adotar o teletrabalho.

Se alguém pode fazer todo o seu trabalho a partir de um computador, é criminoso fazer essa pessoa trabalhar num escritório.

Faz mal ao meio ambiente, faz mal à saúde física e mental, faz mal à família e, por fim, é mais caro para as empresas.

Precisamos de matar este meme de que as pessoas precisam estar sob supervisão (por norma pouco eficiente) num lugar físico para que sejam produtivas.

Os americanos chama-lhe “a corrida de ratos,” e é uma metáfora tão própria, tão exacta, que só nos faltam as caudas. Foi esta a vida com que sonhámos, para que estudámos? Uma vida em que passamos metade do nosso tempo a correr, e a outra metade a tentar desesperadamente recuperar energia, para recomeçar no dia a seguir?!

À data da escrita, espalha-se uma pandemia pelo nosso continente, mas mesmo antes disso, trabalhar num escritório (aberto ou fechado, com ou sem espaços de lazer, cozinhas, mesas de pingue-pongue, etc.) 8 horas por dia, 5 dias por semana também matava uma pessoa. A única diferença é que levava anos a matar, não dias.

Patrões e donos de empresas: parem de ser um facilitador desta maneira disfuncional de trabalhar. Façam com que o vosso pessoal trabalhem a partir de casa, sempre que possível.

Pintura: Cena em Porto Italiano, por Thomas Wijck

2020, o Ano do Velho

Já comentei várias vezes – habitualmente quando escrevo sobre videojogos – que a nossa cultura tem um fetiche pelo novo.

Acho cada vez mais que é um condicionamento cultural e capitalista – somos incentivados a falar e a ficar excitados pelas coisas novas, porque as coisas novas são, por norma, mais caras.

E atenção, eu sou um fã de capitalismo. Não gosto é de me sentir manipulado.

Este ano, decidi fazer uma experiência: nada de videojogos novos, nem de livros novos. 

Se comprar livros ou videojogos novos em 2020, serão alguns que foram publicados em anos anteriores. (Ou, no caso dos videojogos, de remakes de clássicos que já sei serem importantes para mim.

A minha teoria sempre foi de que a melhor arte é intemporal. Que o jogo ou livro com 5 anos, se é mesmo bom, será bom hoje também. Afinal de contas, para mim será novo.

Serei capaz de manter esta estratégia, fã de livros e videojogos que sou? Não sei. Vamos descobrir! 

Pintura: “O Banquete de Sífax” por Alessandro Allori

Pequenas Diferenças

A diferença entre um bom escritor e um escritor mediocre pode ser algo tão simples como ter um bloco de notas na casa de banho.

Aliás, descobri há pouco que há blocos de notas e lapis à prova de água, para ter no duche – tenho que ter um!

As melhores ideias surgem em momentos de paz e tranquilidade. 

O grande erro de muitos é pensar que se vão lembrar delas mais tarde.

Porque as ideias não são como filmes ou fotografias, que ficam gravados nos seus meios de distribuição. O nosso cérebro não é uma película.

As ideias são como nuvens a passar no céu da nossa mente.

Se não as registramos, podemos nunca mais ver uma igual.

Escritor. Marketer. Dentista. Gamer.