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Espaço

É difícil ir para o espaço. O maior problema é a quantidade enorme de energia (leia-se: combustível) que é necessária para contrariar a força da gravidade. Quanto mais combustível é preciso, maior o peso, e portanto, ainda mais difícil é contrariar a gravidade. É um ciclo vicioso.

A resposta é, claro, desenvolver combustíveis mais eficientes – com maior produção de energia por unidade de massa.

Porque é que é importante ir para o espaço? Afinal de contas, não nos faltam problemas para resolver neste planeta.

Algumas razões:

  1. O nosso planeta tem recursos limitados. A situação não é tão negra como os média e os activistas de algibeira nos querem fazer parecer. Até nem estamos nada mal, por enquanto. Mas a tendência é piorar, não melhorar – e se esperarmos até ter falta de recursos, ir para o espaço vai-se tornar cada vez mais difícil.
  2. Face à conclusão de que o que precisamos para ir para o espaço são fontes de energia mais eficientes, desenvolvê-las resolveria muitos outros problemas. Energia mais eficiente é mais barata e pode beneficiar mais pessoas, com menos custos para o planeta. Melhora condições económicas e ambientais.
  3. A espécie humana está cada vez mais conflituosa. Não acredito que isto se deva só a problemas económicos e políticos. A nossa história é de exploração e conquista. Agora que já exploramos e conquistamos (quase) tudo, o nosso excesso de energia leva-nos a criar conflitos internos. A exploração espacial pode vir a servir como uma válvula de escape para toda esta energia latente da humanidade.

Há muita gente a trabalhar para nos levar ao espaço. Mas não tanta quanto deveria haver.

Fotografia: miikajom Flickr via Compfight cc

Um Programa Acerca do Futuro do Emprego

Se alguém me acordasse no meio da noite, a abanar-me violentamente e a perguntar-me o que é que eu faço, eu responderia: “Sou um escritor!” A ironia é que o meu trabalho mais popular é divulgado não através da mídia escrita, mas pela palavra falada.

Tive o imenso privilégio de alcançar centenas de ouvintes que me queriam ouvir a mim, ao meu irmão Pedro, e ao nosso grande amigo Daniel falar sobre video jogos. Ainda este mês, vários meses depois de termos concluído a última gravação, mais de uma centena de pessoas fez download de episódios antigos do ene3cast.

Este mês, comecei a trilhar um caminho diferente. Acredito que o emprego remoto é a resposta para um dos grandes desafios que assola a civilização ocidental – a distribuição desequilibrada do mercado de trabalho (artigo em inglês).

Os média fazem um bom trabalho a “vender” o estilo de vida aos trabalhadores, mas não o “vendem” a quem interessa: às pessoas e empresas que criam os postos de trabalho. São estas que têm que ver as suas dúvidas esclarecidas, é a estas que tem que ser mostrado como aquilo que beneficia os seus trabalhadores também pode beneficiar a sua posição no mercado – e como o alcançar.

É por isso que estou a trabalhar na DistantJob, a produzir um programa onde entrevisto pessoas que andam a implementar e gerir empregos remotos nas suas companhias, há vários anos. 

O programa (em inglês) chama-se StaffITright, e espero que experimentem ouvi-lo.

O Belo e o Monstruoso

Estou cansado de ter que justificar o trabalho. Não é arte a sério se é preciso fazer com que seja acerca de algo. Se é preciso fazê-lo sobre direitos humanos, ou direitos dos gatos, ou demonstrar uma preposição política.

“Toda a arte é política!” Gritam eles. Tretas. Claro, a arte pode ser política. Qualquer um que diga o contrário não ouviu os êxitos dos anos 60, não contemplou Guernica.

Mas estas obras não são meramente políticas. São belas. Não foi a mensagem política que as definiu como arte. Foi a componente estética. Foi o facto delas cantarem uma canção à alma de quem as contemplava. Estas obras permitem até a pessoas que desdenham da existência de Deus,  vislumbrar uma réstia do Divino.

Estou cansado de ver propaganda passar por arte. Um miúdo caga numa tela, diz que é a mensagem dele, que é arte. Não é. É merda numa tela. Que raio percebes tu de política, seja como fôr? De quantas almas tiveste o destino nas mãos, quantas decisões difíceis tiveste tu que fazer, decisões que tivessem influência sobre a vida de outros?

Deixa de ser arrogante. Tenta fazer qualquer coisa bela, antes de mais nada. Tenta tocar a alma de uma única pessoa. Tenta arranjar os pés de Mercury a cantar sobre Barcelona, segurar um pouco da luz de C. S. Lewis, de quando ele rabiscava fábulas sobre crianças-cavaleiro e realeza Leonina.