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5 Anos, 10 Jogos

Acabar o jogo que estava a jogar esta semana, o Hollow Knight, levou-me a concluir que é um dos melhores jogos que joguei desde há muito. Isso, por sua vez, fez-me pensar em quais foram os jogos que mais me impressionaram nos últimos 5 anos. Acabei por chegar a esta lista:

  1. Nier: Automata
  2. Final Fantasy XV
  3. Persona 5
  4. Hollow Knight
  5. Super Mario Odyssey
  6. Destiny II
  7. The Witcher III
  8. Hearthstone
  9. Metal Gear Solid V
  10. Phoenix Wright: The Spirit of Justice

É claro, não joguei todos os jogos que foram lançados desde Outubro de 2014. Essa seria uma tarefa impossível para qualquer ser humano. Mas acho que joguei uma fatia bem representativa.

Nos próximos dias, escreverei um pouco mais sobre cada um…

Nintendo

Jogar videojogos desenvolvidos pela Nintendo é mais do que “divertido”, é uma injecção de felicidade.

Nem sempre fui fã da Nintendo, mas depois da SEGA se afastar do negócio das consolas, descobri que os jogos Nintendo são divertidos de uma maneira que a maioria dos outros não é. (E de uma maneira que os da SEGA costumavam ser, e que hoje, só o são ocasionalmente).

A maioria dos jogos modernos são mais listas de tarefas glorificadas, em que alcançamos micro-objetivos gota-a-gota enquanto controlamos os protagonistas de maneira semi-automática. Jogar a maioria dos jogos modernos é como conduzir um carro automático, em contraste com a caixa de mudanças manual dos jogos clássicos.

(E eu adoro o meu carro automático, mas é porque acho que não há nenhum prazer inerente em meter mudanças. Conheço muitas pessoas que têm prazer em fazê-lo.)

Nos jogos da Nintendo, o mero acto de jogar é uma alegria. A interação entre a personagem  e o ambiente é colorida, agradável e cinética. Existem objetivos, sim, mas o prazer não depende deles – há prazer, há alegria, na jornada entre pontos, em vez de uma cuidadosa e constante dosagem de micro-tarefas ao longo de um caminho sem graça, sintetizada em laboratório para garantir a quantidade ideal de libertação de dopamina. 

Jogar um jogo Nintendo é ser uma criança outra vez; jogar a maioria dos outros jogos modernos é ser um rato de laboratório.

Claro, esta capacidade não é exclusiva da Nintendo, mas a Nintendo é a marca que a entrega de maneira mais consistente. Acho que a Bungie pode ser o outro exemplo, mas a Bungie é um estúdio de um jogo. Por alguma razão, os produtores japoneses tendem a alcançar esse nível com mais frequência do que os ocidentais. Mas ninguém, esteja a leste ou oeste, é tão consistente quanto a Nintendo.

Tenho tempo limitado para jogar, portanto escolho aqueles jogos que me fazem sentir genuinamente feliz como consequência do ato de jogar.

A alegria de progredir através de uma lista de objetivos, posso tê-la  noutras áreas da minha vida.

Aprender a Andar

É fácil esquecer-me como os videojogos são difíceis para quem não está habituado a jogá-los.

Tetris e Pac-Man, os clássicos dos clássicos, que usam menos de meia dúzia de botões para ser jogados (ou menos, na presença de um stick analógico) são, para os conhecedores do medium,  um acto meditational: nem é preciso pensar em como jogar, é intrínseco, é pegar no comando e jogar.

Mas para alguém que não está habituado, esses jogos são uma confusão de luz e som e regras arbitrárias a ser aprendidas. A velocidade é outra. O acto de jogar é tudo menos intrínseco.

Mas a solução não tornar os jogos actuais mais fáceis, ou dar-lhes modos “causais.” O desafio, o desenvolvimento pessoal e a superação de um obstáculo que antes parecia ser intransponível –  são partes importantes do que é “jogar videojogos.” Não são tudo, mas são partes importantes. 

É importante sentir que há algo a alcançar, que há algo trancado atrás do desafio – a vontade de querer descobrir o que é, é a força motriz para persistir, para melhorar, para crescer.

Mas faltam caminhos para lá chegar. Faltam mais jogos básicos, mais jogos (bem feitos e belos e inteligentes e recompensadores) de dois botões, e de três botões, e de quatro botões – que servem para ensinar os iniciados a andar, antes de lhes pedirmos para escalar uma montanha.

Fotografia: Skall_Edit Flickr via Compfight cc