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Uma Vida Interessante

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É, tanto quanto sei, uma frase dita com a intenção de amaldiçoar outra pessoa: “Que tenhas uma vida interessante.” 

Mas já não vemos uma “vida interessante” como uma maldição; nos países industrializados, estamos famintos por estímulo. Queremos ser vítimas dessa maldição.

É isso que vejo: que ninguém quer coexistir de forma pacífica; que ninguém escolhe fazer uma interpretação positiva – ou pelo menos, caridosa – de uma palavra ou acção quando há margem para a interpretar da pior forma possível.

Esta sociedade imperfeita – que, ainda assim, é a mais próxima da perfeição que conseguimos alcançar na curta história da nossa espécie – deu-nos tantos estímulos, que perdemos a nossa sensibilidade. Estamos dessensibilizados. 

E essa dessensibilização leva-nos a buscar a bebedeira da revolução e auto-destruição, ao invés da paz da reforma e evolução.

Andamos à procura de ter uma vida interessante.

E estamos a encontrá-la.

Tempo (II)

O tempo é um conceito relativo, subjectivo, e elástico.

Há quem diga que devemos colocar tudo no nosso calendário, desde a hora de começar o trabalho até à hora para ver um filme com o namorado ou namorada.

Há quem diga que, por outro lado, é essencial ter blocos de tempo generosos, sem nada; que é desse nada que surge a inspiração, a criatividade.

Não sei qual das duas aproximações é mais correcta. Suspeito que, como na maioria das coisas, a virtude esteja no meio.

Mas uma coisa que noto comigo, é que a fase da vida em que tinha objectivamente mais trabalho, era também a fase da vida em que, de alguma forma, encontrava tempo para fazer mais coisas.

Relativo. Subjectivo. Elástico.

Os Segredos Que Estão À Vista de Todos

No último episódio de um dos meus podcasts favoritos, o “The Tim Ferriss Show,” o convidado fala – entre muitas outras coisas –  da sua infância como ilusionista. A passagem que mais me chamou a atenção:

(Estou a citar de memória; não são estas as palavras exactas.)

“Não quero explicar no ar como se fazem esses truques. É considerado má forma, na comunidade de ilusionistas. São segredos. É claro, são segredos, mas são públicos – estão todos nos livros! O que se passa é que ninguém lê livros.”

É verdade. Há muitas coisas que parecem (e são!) complicadas de fazer e que por isso afastam a maioria das pessoas, mas na realidade, quase tudo se consegue aprender com dois ou três bons livros. 

Deste fazer amigos a construir uma casa; desde investir na bolsa de valores, a pintar um quadro; desde reparar um automóvel a fazer um lago no quintal. E sim, fazer truques de magia daqueles que as pessoas pagam para ir ver numa noite de fim-de-semana.

É claro, o sucesso passa pela prática, pelo treino, pela tentativa e erro e pela capacidade de suportar o fracasso e tentar novamente. Mas o mapa, esse está nos livros.

É só ler.

Fotografia: Daniel Mennerich Flickr via Compfight cc