O Ano do Velho: Fracasso e Análise

No princípio de 2020, decidi que seria “o ano do velho.” O plano é que iria evitar coisas novas, para não me deixar levar pelas tendências atuais e, em vez disso, poder apreciar devidamente coisas que já não estavam sob as luzes da ribalta.

O projeto falhou redondamente, pelo menos no que concerne aos videojogos. Aqui fica um breve relato do fracasso, e uma análise do porquê.

Em livros, correu tudo bem. Passei o ano a ler vários livros que tinha à minha espera, alguns com décadas. (Os favoritos foram “Vida e Proezas de Alexis Zorbás” e “O Cristo Re-crucificado” por Nikos Kazantzakis.)

Em cinema, admito que me esqueci completamente da decisão, mas o estrago só aconteceu no último mês do ano, em que recebi um período de prova grátis para a Disney+, e vi a última temporada de “O Mandalorian” e o novo filme da Pixar, “Soul,” ambos com a minha mulher. De resto, passei o ano a explorar o arquivo da Netflix, sem grandes problemas.

Onde a vida realmente chocou com os meus planos foi no panorama dos videojogos. Acontece que os meus amigos (e o meu irmão) convenceram-me a reativar um projeto adormecido, o ene3cast; o ene3cast foi o primeiro podcast Português sobre videojogos.

O objectivo, desta feita, era finalmente tornar o passatempo num negócio. Montámos um sistema de subscrição, e trabalhámos com afinco para gerar conteúdo. Tornou-se claro para mim, muito depressa, que o mercado Português não é grande suficiente para suportar um programa focado no nicho de “jogos do passado.” Quer queiramos, quer não, vender um programa áudio — especialmente quando a concorrência é gratuita — exige que estejamos a par da atualidade.

Foi assim que 2020 acabou não só por não ser um ano em que eu joguei apenas jogos mais velhos, como se tornou um dos anos em que mais joguei jogos acabados de lançar.

No todo, foi uma boa decisão. Por vezes, projetos entram em conflito, e temos que escolher com qual prosseguir. Neste caso, o que eu ganhei — uma fonte de receita alternativa, muitas horas de diversão a gravar com amigos, e a experiência de montar um micro-negócio — superaram em muito a satisfação que me traria cumprir a minha decisão inicial.

Não tenham medo de mudar de rumo. Por vezes, surgem destinos mais atraentes.