2020, o Ano do Velho

Já comentei várias vezes – habitualmente quando escrevo sobre videojogos – que a nossa cultura tem um fetiche pelo novo.

Acho cada vez mais que é um condicionamento cultural e capitalista – somos incentivados a falar e a ficar excitados pelas coisas novas, porque as coisas novas são, por norma, mais caras.

E atenção, eu sou um fã de capitalismo. Não gosto é de me sentir manipulado.

Este ano, decidi fazer uma experiência: nada de videojogos novos, nem de livros novos. 

Se comprar livros ou videojogos novos em 2020, serão alguns que foram publicados em anos anteriores. (Ou, no caso dos videojogos, de remakes de clássicos que já sei serem importantes para mim.

A minha teoria sempre foi de que a melhor arte é intemporal. Que o jogo ou livro com 5 anos, se é mesmo bom, será bom hoje também. Afinal de contas, para mim será novo.

Serei capaz de manter esta estratégia, fã de livros e videojogos que sou? Não sei. Vamos descobrir! 

Pintura: “O Banquete de Sífax” por Alessandro Allori

Pequenas Diferenças

A diferença entre um bom escritor e um escritor mediocre pode ser algo tão simples como ter um bloco de notas na casa de banho.

Aliás, descobri há pouco que há blocos de notas e lapis à prova de água, para ter no duche – tenho que ter um!

As melhores ideias surgem em momentos de paz e tranquilidade. 

O grande erro de muitos é pensar que se vão lembrar delas mais tarde.

Porque as ideias não são como filmes ou fotografias, que ficam gravados nos seus meios de distribuição. O nosso cérebro não é uma película.

As ideias são como nuvens a passar no céu da nossa mente.

Se não as registramos, podemos nunca mais ver uma igual.

Alguém Se Lembra dos Fóruns?

Tenho um grande carinho pelo velho “fórum” da internet. 

Foi nos fóruns do Sapo (concretamente, na GameOver) que comecei a interagir com outras pessoas online. 

Foi nesse fórum que comecei a escrever sobre videojogos – a actividade que mais veio a definir a minha vida pessoal e profissional.

Um espaço, uma comunidade, pode mudar uma vida. Mudou a minha.

Mas hoje não conheço muitos espaços equivalentes. As alternativas modernas – Reddit, Facebook, Twitter – parecem mover-se todas muito rápido, estar sobrelotadas.

Os antigos fóruns pareciam salas de estar virtuais, onde se tomava café e se falava com um grupo de pessoas com interesses comuns. As redes sociais…. Apesar de estarem tão mais associadas à nossa identidade pessoal, conseguem ser bem menos íntimas.

Ainda há alguma experiência “tipo fórum” por aí?

Pintura: “Vista do Forum em Direcção ao Capitólio” por Giovanni Paolo Pannini