Um Dia de Cada Vez

Já lá vão mais de cem escritos desde Novembro do ano passado. Um por dia, foi o que me comprometi, e apenas duas vezes (ou terá sido uma só?) falhei.

Este espaço não é surdo aos vossos comentários. A pedido dos leitores (ou, verdade seja dita, da leitora, mas às vezes uma pessoa diz o que muitos estão a pensar; espero que seja esse o caso) agora há um arquivo, que podem usar para explorar o blog dia-a-dia.

Podem encontrá-lo já ali na barra de navegação à vossa esquerda, a pedir pelos vossos cliques.

(Sim, há dias em branco, mas meramente porque publiquei depois da meia-noite; o dia seguinte terá dois escritos.)

Obrigado pelas vossas visitas, pela vossa atenção.

Pintura: “O Panteão na Carruagem de Apolo” por Nicolas Bertin

Eficiência

Ver tudo como um projecto é extremamente eficiente. É uma formula para o sucesso. 

Quando tudo está objetivado, parametrizado, contabilizado, é muito fácil ver qual a decisão a tomar, qual o caminho a seguir para alcançar o máximo proveito. É uma estratégia que dá frutos a qualquer pessoa capaz de a executar, mas que funciona na perfeição nas mãos das pessoas mais racionais.

O perigo é que funciona bem demais. Tudo se transforma em cifras. Passamos a escolher os filmes que vemos com base nas pontuações das críticas. Os video jogos que jogamos com base no tempo que levam a acabar. Vamos aos perfis dos sites de encontros e tentamos encontrar a mensagem-tipo perfeita para enviar aos perfis que correspondem exactamente aos nossos requisitos.

E isto funciona bem. Funciona muito bem. Mas tudo se transforma em cifras. O tempo de lazer deixa de ser tempo de lazer; passa a ser mais um projecto. As pessoas que conhecemos deixam de ser seres humanos, passam a ser momentos de avaliação; um encontro torna-se numa entrevista de emprego.

Não me é claro que a eficiência seja compatível com humanidade.

Pintura: “Retrato de Fra Luca Pacioli e um jovem desconhecido.” Por Jacopo de ‘Barbari