Mais Vale Ter Um Plano Mau Do Que Não Ter Nenhum

Quando o mundo rui à nossa volta, é complicado encontrar tempo ou presença de espírito para elaborar até mesmo um plano rudimentar. Se, em tal circunstância, te encontrares armada com um plano mau, isso já te dá um bom avanço em relação à versão de ti que não tem plano nenhum.

Pensa em coisas que teriam um impacto negativo na tua vida, um impacto grande suficiente que te retirasse a capacidade de lidar com elas nesse momento, até durante vários dias. Exemplos de coisas que tendem a deixar as pessoas desorientadas:

— Morte ( de uma criança, de um pai, de um esposo(a) )
— Perda de emprego / falência económica ( nossa, de um familiar próximo, do companheiro, etc)
— Doença ou um acidente sério que resulte em incapacidade

Pode ser um exercício sombrio, mas ponderar estas situações não tem que te deprimir. Pelo contrário, o paradoxo da preparação é que considerar situações más e planear a nossa reacção tende a diminuir a nossa ansiedade em relação às mesmas.

Claro, não te deixes consumir pela visualização das situações, nem planeies obsessivamente. Nunca existe preparação suficiente perante acontecimentos tão dramáticos, e perseguir esse ideal é uma demanda fadada ao fracasso.

O essencial é compreender que mais vale ter um plano mau do que não ter plano nenhum. A menos que seja óbvio que há grande probabilidade do temido evento acontecer a curto prazo, contenta-te em saber qual seria o tem primeiro passo.

Se o pior acontecer, ja vais estar um passo à frente.

Foto por: Christine Schmitt Flickr via Compfight cc

O Que O Facebook Fez

O que o Facebook fez foi remover as barreiras do acto de “blogar”.

Removeu a expectativa de que um “post” tinha que ser um bloco de texto cuidado de determinado tamanho. Não há problem em escrever apenas uma frase no Facebook.

Removeu a estrutura de edição e publicação intimidante. Há uma única interface – aquela em que se escreve as coisas é a mesma interface onde se lêem as coisas.

Removeu a necessidade de trabalhar na promoção de conteúdo – tudo o que se escreve é enviado a todos os outros (e vice-versa.)

Posto isto, bastou ao serviço alcançar um determinado numero de utilizadores para se tornar uma máquina impossível de parar.

O problema do serviço é um problema arquival, e de propriedade. Quase tudo o que se publica no Facebook se torna efémero. Não há uma maneira fácil de manter um registo do que se produziu, ou de o exportar. É possível encontrar o que uma pessoa especifica escreveu sobre um determinado livro há cinco anos, mas não é fácil.

Se não queres saber daquilo que escreves (ou desenhas, ou fotografas, ou compões), então o Facebook é uma excelente plataforma.

Mas se tu não queres saber, porque hão-de os outros?

Vida, Sorte, e Hearthstone

Os últimos escritos foram um pouco pesados, por isso hoje vamos tentar algo mais relaxante. Eis o que me tem entretido recentemente:  Hearthstone.

Para quem não conhece: Hearthstone é um jogo onde se constrói um baralho a partir de um conjunto de cartas ( o jogo dá acesso gratuito ao conjunto inicial, e permite expandir esse à medida que se joga e/ou se compram cartas), usando-o para combater contra outros jogadores online.

É um jogo estratégico onde se fazem crescer exércitos ( e se dizimam os mesmos com um feitiço bem lançado), mas o que me deixa agarrado é mesmo a aleatoriedade inerente a um jogo de cartas.

Gosto de jogos que dependam de um equilíbrio entre preparação e sorte. Gosto da maneira como espelham o que se passa na vida. De certa forma, vejo-os como treino essencial para a vida: uma forma de praticar evitar ressentimento  por coisas fora do meu controlo, e de fazer o melhor possível com aquilo que tenho.

Claro, é preferível ganhar do que perder. Mas há um certo tipo de satisfação madura em saber que fomos capazes de levar uma má mão de cartas tão longe quanto possível.

É certo: quem começar a jogar hoje, e se encontrar face-a-face com alguém que anda a colecionar (ou comprar) cartas à meses, de muito pouco a sorte ou a preparação lhe valerão.  Isso também é a vida. Há pessoas que saem do berço com tudo o que é preciso para vencer. Mas a maioria das pessoas precisa de levar o seu tempo, e de construir um plafond de recursos e talento até chegar a um nível em que tenha a possibilidade de executar algo de valor.

Chegar a Hearthstone como um novo jogador é, então, um exercício de humildade. Posto isto, o jogo nunca foi tão generoso como é actualmente: dá aos novos jogadores ampla oportunidade para ganhar cartas, e oferece vários modos de um jogador que são uma grande ajuda para praticar e aprender as regras do jogo.

O seu exterior alegre e efusivo foi claramente engendrado para apelar aos mais novos, e eu aprovo. Pode ser que ajude as novas gerações a desenvolver um bocado de “calo”, e sentir-se um pouco menos apaparicadas.

(Nota, por transparência: se aderirem ao jogo através do link que deixei acima, e jogarem até chegar a nível 20, eu ganho uma meia-dúzia de cartas.)

Escritor. Marketer. Dentista. Gamer.