Qual o valor de um momento?

O que é útil é um conceito subjectivo. É possível justificar quase tudo como útil, de alguma forma. 

Há acções que são úteis porque criam valor. Para nós, ou para outros. São que resultam numa obra tangível.

Há acções que não resultam em nada tangível. Li sobre um homem que todos os dias, saía de casa, dava um passeio, e fazia questão de fotografar uma flor. Uma flor diferente todos os dias. A idea é que essa era uma forma de se lembrar de apreciar as pequenas cosias.

Mas e se esse homem, em vez de tirar a foto, só a cheirasse? Onde é que está o valor da experiência? Está na originação de uma fotografia? Na apresentação de trabalho?

O acto de cheirar uma flor não bastará? Não terá um valor intrínseco, ainda que momentâneo?  

Quem disse que o valor só é valor quando não é perecível?

Fotografia: mclcbooks Flickr via Compfight cc

“Audiobooks”

Sempre me ensinaram que era com livros que se aprendia. A escola cimentava isso: a coisa mais importante da escola eram os livros, ou os apontamentos, ou os “acetatos” que os professores passavam.

Mas vale sempre a pena reavaliar as nossas crenças. É possível que o livro tenha surgido como o principal mecanismo de aprendizagem por motivos meramente tecnológicos. A fala é uma capacidade muito mais antiga do que a escrita; faz sentido que os nossos cérebros estejam mais aptos a captar informação através da oração do que da leitura.

Na antiguidade não havia maneira de preservar o som. A tradição oral era muito forte, mas sofria da limitação inerente à memória, e a informação que se conseguia transmitir por esse meio era corrompida ao passar de geração para geração.

Sempre fui de ler, e de escrever: de riscar, de elaborar marginalia. Não o fazer é quase uma heresia. Custa-me a acreditar que posso aprender mais (ou reter o conhecimento melhor) simplesmente ouvindo. Afinal, ler e anotar foi uma arte na aprimoração da qual investi muito tempo.

No entanto, não posso negar que alguns /podcasts/, algumas entrevistas, algumas secções de audiobook se fincaram mais na memória do que a maioria das notas que fiz das últimas décadas.

É altura de explorar isto.

Estações

É fácil ser-se cínico em relação ao Natal. É fácil dizer que o espírito de família, de generosidade e fraternidade nos devia acompanhar o ano todo. E argumentar que não há razão para esses valores virem ao de cima nesta data específica.

Mas pensar assim é assumir o ser humano como um ser puramente lógico. Nós não funcionamos assim. Nem se trata apenas de sermos geridos por emoção; somos seres de emoção volátil. Por muito que reconheçamos estes valores como desejados, não os conseguimos assumir de forma permanente.

É a nossa natureza; somos criaturas de estações.

Escritor. Marketer. Dentista. Gamer.