O Belo e o Monstruoso

Estou cansado de ter que justificar o trabalho. Não é arte a sério se é preciso fazer com que seja acerca de algo. Se é preciso fazê-lo sobre direitos humanos, ou direitos dos gatos, ou demonstrar uma preposição política.

“Toda a arte é política!” Gritam eles. Tretas. Claro, a arte pode ser política. Qualquer um que diga o contrário não ouviu os êxitos dos anos 60, não contemplou Guernica.

Mas estas obras não são meramente políticas. São belas. Não foi a mensagem política que as definiu como arte. Foi a componente estética. Foi o facto delas cantarem uma canção à alma de quem as contemplava. Estas obras permitem até a pessoas que desdenham da existência de Deus,  vislumbrar uma réstia do Divino.

Estou cansado de ver propaganda passar por arte. Um miúdo caga numa tela, diz que é a mensagem dele, que é arte. Não é. É merda numa tela. Que raio percebes tu de política, seja como fôr? De quantas almas tiveste o destino nas mãos, quantas decisões difíceis tiveste tu que fazer, decisões que tivessem influência sobre a vida de outros?

Deixa de ser arrogante. Tenta fazer qualquer coisa bela, antes de mais nada. Tenta tocar a alma de uma única pessoa. Tenta arranjar os pés de Mercury a cantar sobre Barcelona, segurar um pouco da luz de C. S. Lewis, de quando ele rabiscava fábulas sobre crianças-cavaleiro e realeza Leonina.

Auto-Estima Ou Auto-Ilusão?

Tenho uma amiga – chamemos-lhe Neuza – que se queixa de não conseguir encontrar um parceiro à altura. A Neuza tem muitas coisas a seu favor – beleza, inteligência, educação, saúde. Mas tem um grande inimigo, um conceito distorcido de auto-estima que lhe foi vendido pela industria do desenvolvimento pessoal, e por psicólogos de algibeira. 

O problema da Neuza é acreditar que “tem que se aceitar da maneira como é.” A Neuza exibe a sua solteirice com orgulho nas redes sociais, partilha posts e imagens que mostram como está bem e como é fantástica a sua vida de solteira.

Não teço nenhum julgamento valor contra quem prefere a vida de solteiro. Há benefícios legítimos e cabe a cada um decidir o que é bom para si. Mas quem está feliz solteiro, por definição não precisa de encontrar par.

É esse o grande problema da Neuza. Não querendo assumir a sua insatisfação – pois foi-lhe ensinado que é crucial estarmos felizes com a nossa situação actual – age de uma forma que cristaliza no seu subconsciente uma história, e essa história é contrária ao sítio onde quer chegar.

Este conceito de auto-estima é irresponsável e insustentável, porque funciona como travão. Se estamos satisfeitos com o que somos, com o que temos, então não há impulso para mudar. O desejo de mudança implica uma insatisfação com o estado actual.

O que devemos, isso sim, ser, é gentis connosco mesmos. Reconhecer que, não estando no sitio onde queremos estar, temos todavia a capacidade de chegar lá. Que o sitio onde estamos não é reflexo do nosso valor nem do nosso potencial, mas apenas do percurso que já caminhámos.

Internalizar este conceito não vos parece muito mais saudável do que ter uma guerra interna, perpétua, entre aquilo que desejamos e aquilo com que nos identificamos?

Intelectuais

O auto-intitulado intelectual desdenha do respeito que homens mais humildes atribuem a certas coisas.
Mas para presenciar a mais pura exibição de estupidez, com fogos de artifício à mistura, basta pôr em causa as vacas sagradas do pensador.
Posto isto, o mais provável é que te seja demonstrado o significado da expressão “delirar como um lunático.”

Esta é uma tradução feita por mim, de uma passagem do livro “Caravan of Dreams” por Idries Shah, que traz ao ocidente alguns excertos de filosofia Arábica. Tanto quanto sei, não existe uma tradução oficial Portuguesa.

Como é habitual, não ganho nada se seguirem o link e comprarem o livro.

Escritor. Marketer. Dentista. Gamer.