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O Paradoxo Socrático

“Só sei que nada sei.”

Não é nenhum apelo à humildade. 

Não é nenhuma representação de humildade.

É uma descrição da realidade intelectual.

É um mito, dizer que a inteligência traz respostas às perguntas.

Bem, não é um mito, mas não é uma afirmação precisa.

A inteligência traz muito mais perguntas do que respostas.

Quanto maior a inteligência, maior a quantidade de perguntas.

Pintura: “Xantippe Molha Socrates” por Reyer van Blommendael

Culpa e Responsabilidade

“Todos os teus problemas são tua responsabilidade, independentemente de quem os tenha causado.”

David Cain

É o perigo de distorcer as palavras, é o perigo das palavras mudarem com as eras. Há muitos conceitos que só conhecemos através das palavras. Mas às vezes palavras convergem, e perdemos um significado útil.

Responsabilidade costumava ser algo de valor, algo a confiar a pessoas de valor. Ter responsabilidade era ter poder – era ser reconhecido (ou auto-reconhecer-se) como competente, como em controlo do seu destino.

Mas com o passar dos anos, tornou-se uma palavra suja. Uma coisa para atirar aos outros. “Tu és responsável por [algo mau].” 

Responsabilidade não é o mesmo que culpa. Mas nós fizemos com que fosse. Usámos a palavra de forma errada, e vimos a palavra a ser usada de forma errada, e não corrigimos o erro, e agora uma geração inteira não conhece o verdadeiro significado da responsabilidade – e portanto foge dela.

E se ousamos dizer que uma vítima – de outra pessoa, ou de uma doença, ou de um acidente – é responsável pela situação em que se encontra? Que heresia! Não sofreram essas pessoas suficiente?

Mas são responsáveis. Somos todos. Ninguém pode consertar a nossa vida, as nossas mágoas, por nós. E mesmo as doenças incuráveis ou as mágoas irreparáveis – são da responsabilidade do doente e do magoado?

São. Não são sua culpa – nunca isso! – mas é da sua responsabilidade a forma como confrontam a situação.

Somos responsáveis pelos nossos problemas. Temos que ser. As outras pessoas? Têm os delas.

Pintura: “O Dilúvio” por Miguelangelo Buonarroti

Ficar no Jogo

Não querendo entrar numa discussão acerca do que a palavra “sucesso” significa, quero no entanto observar que a maioria das pessoas que tiveram “sucesso”, tiveram sorte. 

O que não lhes tira o mérito: apenas indica que o mérito sem sorte, não basta. As pessoas com mérito mas sem sorte, essas não têm sucesso, e, portanto, não contam histórias.

Até ao dia em que têm sucesso. Porque quem trabalha, quem se aplica numa obra, a melhorar constantemente, essas pessoas ficam no jogo.

E quem está a jogar, mais tarde ou mais cedo, tem sorte.

O mérito – o trabalho –  é uma componente. A sorte é outra.

O que liga os dois?

É a paciência.