Arquivo de etiquetas: Videojogos

2020, o Ano do Velho

Já comentei várias vezes – habitualmente quando escrevo sobre videojogos – que a nossa cultura tem um fetiche pelo novo.

Acho cada vez mais que é um condicionamento cultural e capitalista – somos incentivados a falar e a ficar excitados pelas coisas novas, porque as coisas novas são, por norma, mais caras.

E atenção, eu sou um fã de capitalismo. Não gosto é de me sentir manipulado.

Este ano, decidi fazer uma experiência: nada de videojogos novos, nem de livros novos. 

Se comprar livros ou videojogos novos em 2020, serão alguns que foram publicados em anos anteriores. (Ou, no caso dos videojogos, de remakes de clássicos que já sei serem importantes para mim.

A minha teoria sempre foi de que a melhor arte é intemporal. Que o jogo ou livro com 5 anos, se é mesmo bom, será bom hoje também. Afinal de contas, para mim será novo.

Serei capaz de manter esta estratégia, fã de livros e videojogos que sou? Não sei. Vamos descobrir! 

Pintura: “O Banquete de Sífax” por Alessandro Allori

O Que Ando a Ler / Ver / Jogar (I)

Jogo – Hollow Knight

Por detrás de um exterior fofinho está um jogo de acção e exploração que não dá tréguas. Os inimigos são muitos e desafiantes, e os calabouços estendem-se  pelas profundezas da terra com muito poucos pontos de descanso. 

Um jogo moderno (e belíssimo) que respeita o tempo limitado do jogador adulto, ao mesmo tempo que oferece um desafio que nos remete aos tempos dos jogos clássicos. Não consigo jogar outra coisa, e comprei um comando “profissional” porque os comandos base da Switch não lhe fazem justiça.

(Joga)

Série – Comedians In Cars Getting Coffee

Não gosto de filmes ou séries de comédia; isto é, à excepção daquelas produzidas por humoristas de stand-up. “Seinfeld” é uma das minhas séries favoritas, e ver o humorista a interagir com os seus ídolos e colegas é uma delícia. Como bônus, descobri vários humoristas que desconhecia e à conta disso, enchi a minha fila de Netflix.

(Vê)

Livro – “O Perfume”

Foi-me oferecido por uma amiga e é um livro tão descritivo que me custa um pouco a ler. Não que a descrição seja má ou aborrecida, mas pelo contrário: é tão visceral que sinto que me sobrecarrega os sentidos. Um livro sobre um assassino muito particular, é uma bela janela para um período histórico ao qual não tenho muita exposição.

(Ler)

A Primeira Lei de Marketing

Hoje estava a andar pela baía da terra onde vivo e dei por mim a ponderar a viabilidade dela em caso de aumento dos mares, face ao aquecimento global. (Como é normal.)

Visto que a baía é rodeada por montanhas relativamente altas, parece-me que uma barragem no estreito que a liga ao mar resolveria o assunto com alguma eficiência. É claro que as montanhas não se estendem para sempre. O mar, eventualmente, seria capaz de as contornar. Mas provavelmente não ao ponto de as conseguir rodear.

A consequência – na minha imaginação – seria que a vila ficaria rodeada de pântanos. 

E foi aí que reparei como é que eu visualizo pântanos. Pântanos, para mim, são os lodaçais cinzentos pixelizados do velho jogo Ishar II, um dos primeiros RPGs que joguei.

Sim, já vi pântanos ao vivo. Já joguei dúzias de videojogos com pântanos mais realistas, mais bem realizados, e já li muitas descrições de pântanos em livros e vi ainda mais em filmes.

Mas foram os pântanos de Ishar II que ficaram para sempre associados à palavra, na minha mente.

Num produto, a qualidade é importante. A inovação, é importante. 

Mas ser o primeiro? É impagável.