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Practicar por Diversão

É bom estar sempre a praticar, praticar todos os dias, mas que não seja sempre trabalho. O artesão mantém suas ferramentas afiadas, divertindo-se. 

Leva isto em conta na tua própria arte – volta a divertir-te com ela, em vez de o fazeres constantemente por responsabilidade e em prol de grandes projetos. 

A tua arte pode ser séria e divertida ao mesmo tempo, e de facto deve ser, se ambicionas atingir qualquer nível significativo de habilidade.

“Brincar” é uma forma de conhecer melhor e ganhar prática com as ferramentas do ofício.

O Que Deves Fazer Com a Tua Vida

No mundo do desenvolvimento pessoal têm muito a mania de ajudar as pessoas a encontrar um “propósito de vida.” O problema que ninguém sabe o que isso significa, e nove em cada dez vezes, o que as pessoas descrevem é uma ofuscação que pode ser reduzida ao “quero ser feliz”.

Mas “quero ser feliz” (ou qualquer uma das 1001 maneiras de dizer o mesmo) não é especifico suficiente para ajudar alguém. Para além disso, não toma em conta o período de tempo no qual se quer felicidade. Posso, por exemplo, ser muito feliz a curto prazo se me alimentar exclusivamente de croissants de chocolate e passar todas as horas em que não estiver a comer ou a dormir, a jogar video jogos. Mas é discutível se essa felicidade é sustentável a longo prazo.

Aqui está uma fórmula, então: encontra qualquer coisa que seja simultaneamente interessante e produza valor. O interessante garante a felicidade a médio prazo, e a produção de valor, a longo.

Tomemos o exemplo dos videojogos (porque é o meu hobby). Eu acho videojogos extremamente interessantes. Causam-me prazer. São uteis, porque as pessoas precisam de relaxar; são o meu método de relaxar. Mas eu não produzo valor quando jogo. Há pessoas que sim – que jogam ou comentam sobre os jogos de maneira a divertir outras pessoas, produzem o género de arte dessa forma. Essas pessoas estão a gerar valor quando jogam. Mas não é o meu caso. No meu caso, os video jogos são exclusivamente interessantes, não há produção de valor – e não há nada de mal nisso, só significa que não posso gerir a minha vida em torno dos video jogos, não significa que o meu jogar video jogos seja mau.

O caso oposto – produção de valor, sem interesse – é sobejamente conhecido. Na maioria das profissões, produz-se valor. E no entanto, parece que são sempre poucos os que encontram interesse no seu trabalho. Para a maioria da população, é uma necessidade, algo a cumprir para criar condições de viver o restante das suas vidas. Acho que a maioria das pessoas que procuram uma resposta no desenvolvimento pessoal se encontram nesta situação.

A maioria das pessoas tenta resolver este problema de uma forma insustentável: tentam produzir o máximo de valor numa actividade que não gostam, de forma a poder “comprar” tempo para atividades que julgam interessantes. É o caso da pessoa que trabalha de forma dura a vida inteira para poder ter uma reforma luxuosa. O problema é que o jogo está viciado. A maioria das pessoas não consegue alcançar este objectivo, e as que conseguem, normalmente descobrem que o puro lazer que trabalharam para alcançar se revela… insatisfatório. 

Encontrar aquela combinação, então, aquela actividade que é simultaneamente interessante e que gera valor, é um dos empreendimentos mais importantes na vida de cada um de nós. E a única forma de o fazer é através da tentativa e erro. Experimentar coisas que geram valor até encontrar uma que nos faça a alma cantar. Ou descobrir uma forma de criar valor numa actividade que nos faça a alma cantar.

Já começaste a procurar?

Feedback

“Isto não está bem!” Não é útil. Pode ser a tua reação instintiva, e podes até ter razão. Mas não aponta o caminho para melhorar e quase sempre faz com que as pessoas fiquem na defensiva.

(Um aparte: dizer a alguém para não ficar na defensiva quase sempre produz o efeito oposto.)

Em vez disso, faz perguntas: 

  • “Qual foi a intenção por detrás desta escolha de palavras?” 
  • “Como acha que o utilizador irá interagir quando chegar a esta página?” 
  • “O que queres transmitir com este esquema de cores?”

As perguntas são o primeiro passo num processo de melhoria. O julgamento, justificado ou não, impede-o.