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Serviço

Dois restaurantes, hoje:

#1 

Demoraram 10 minutos a vir à minha mesa, perguntar-me o que queria. Os empregados pareciam evitar olhar para as mesas, mas finalmente consegui fazer sinal a um. Numa mesa mais dentro do restaurante, estavam cinco empregados (assumo, pois usavam a farda do restaurante) à conversa.

#2

Quando lhe disse que não tinha reserva, a menina à recepção pediu-me muitas desculpas, e disse que se deixasse o meu nome e numero, me ligava no máximo até daí a uma hora, a dizer-me se teria surgido uma mesa entretanto.

Recebi a chamada 21 minutos depois; ao ver que uma mesa de seis só tinha três pessoas, a menina tinha ido perguntar às pessoas que lá estavam se não se importavam de partilhar com mais dois.


A comida foi boa em ambos os sítios, mas há um onde só voltarei se não houver alternativa, e outro onde irei mais vezes.

E também parei num supermercado para comprar uma pequena caixa de bombons para a menina da recepção, porque vale a pena tratar bem quem bem nos trata.

Qual o valor de um momento?

O que é útil é um conceito subjectivo. É possível justificar quase tudo como útil, de alguma forma. 

Há acções que são úteis porque criam valor. Para nós, ou para outros. São que resultam numa obra tangível.

Há acções que não resultam em nada tangível. Li sobre um homem que todos os dias, saía de casa, dava um passeio, e fazia questão de fotografar uma flor. Uma flor diferente todos os dias. A idea é que essa era uma forma de se lembrar de apreciar as pequenas cosias.

Mas e se esse homem, em vez de tirar a foto, só a cheirasse? Onde é que está o valor da experiência? Está na originação de uma fotografia? Na apresentação de trabalho?

O acto de cheirar uma flor não bastará? Não terá um valor intrínseco, ainda que momentâneo?  

Quem disse que o valor só é valor quando não é perecível?

Fotografia: mclcbooks Flickr via Compfight cc

Isaque

Criar algo com valor exige sacrifício. Qualquer coisa que seja admirável – dirigir um filme de sucesso, escrever um livro que mude vidas, explorar uma floresta selvagem, escalar a maior montanha do mundo, criar uma criança que seja uma boa pessoa, com talento e valores…

Todas estas coisas saem da pele de quem as executa. Por detrás de cada uma destas conquistas está uma história de sacrifício. Sacrifício de saúde, ou de fortuna, ou de relacionamentos pessoais, ou de carreira, ou de muitas outras coisas, e provavelmente de uma combinação de várias delas.

Há muitas pessoas que não estão dispostas a fazer o sacrifício. Por isso é que o mundo está cheio de arte mediocre, de desportistas amadores, de pessoas inacabadas. 

Mas tudo bem. Ninguém é obrigado a sacrificar o que não quer sacrificar. Não há a expectativa de que cada pessoa deva produzir algo de valor ímpar para o mundo.

Mas que cada um saiba se o quer fazer ou não – e que esteja consciente do preço a pagar.