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Feedback

“Isto não está bem!” Não é útil. Pode ser a tua reação instintiva, e podes até ter razão. Mas não aponta o caminho para melhorar e quase sempre faz com que as pessoas fiquem na defensiva.

(Um aparte: dizer a alguém para não ficar na defensiva quase sempre produz o efeito oposto.)

Em vez disso, faz perguntas: 

  • “Qual foi a intenção por detrás desta escolha de palavras?” 
  • “Como acha que o utilizador irá interagir quando chegar a esta página?” 
  • “O que queres transmitir com este esquema de cores?”

As perguntas são o primeiro passo num processo de melhoria. O julgamento, justificado ou não, impede-o.

13, Número da Sorte

Os sistemas de protecção contra pirataria não protegem ninguém. A experiência do consumidor é degradada, e os piratas, ou arranjam uma forma de contornar a protecção, ou não consomem. Nunca nenhum pirata foi comprar um filme ou um jogo ou um livro ou um album porque não o conseguiu piratear. 

Já o contrário é verdade. Alguns piratas, depois de consumirem, podem tornar-se clientes. Podem evangelizar a arte. Vi isso acontecer com o meu primeiro livro. Quando o vi num site de pirataria, a minha atitude não foi a de ir dizer às pessoas que não o pirateassem. 

Deixei um comentário a explicar que vendas do livro contribuíam muito para a minha qualidade de vida. Pedi que, caso gostassem do livro, para considerarem a compra, ou pelo menos para recomendarem a alguém.

Fiz algumas vendas assim. Ganhei alguns fãs. Não foi nada mau.

Mas as leis de direitos de autor não são a mesma coisa que protecção contra pirataria. Os direitos de autor protegem uma idea, não um objecto. 

É um caso mais sensível, porque as ideas não têm barreiras. Nós não controlamos o que se apodera da nossa mente. Quando ouvimos uma musica, não sabemos que efeito vai ter em nós antes de a ouvir; até podemos ouvi-la sem nunca ter intenção de o fazer. Mas uma vez cá dentro, ela pode apoderar-se de nós, inspirar-nos.

Quem é que tem o direito de nos dizer o que fazer com uma coisa que foi lançada no mundo, e se agarrou à nossa cabeça como um molusco particularmente teimoso, talvez até à nossa revelia?

O reverso da medalha, é claro, é que os artistas merecem ter controlo sob as suas obras, não só sobre os objectos, físicos ou virtuais, através dos quais os fazem chegar ao consumidor. Nenhum artista gosta de ver a sua obra esventrada, prostituída, plagiada. 

É fácil ceder ao cinismo e assumir que a questão dos direitos de autor surge apenas por dinheiro, por ganância. E é bem provável que seja este o caso para muitos dos defensores desses direitos. Mas nunca para todos. Arte, a arte verdadeira, que perdura através das modas, é de parto difícil. O artista sacrifica algo ao criar, pedaço do seu ser divino que nunca irá recuperar.

Até que ponto é que é do nosso direito canibalizar isso? 

Quando empurramos uma criança para o mundo, não podemos esperar que todos a tratem como nós gostaríamos. Algumas pessoas vão aproveitar-se dos nossos filhos. Vão maltratá-los. E vão roubá-los de nós da melhor maneira possível – cativando-os, conquistando o seu amor e amizade. Temos que aceitar isso. É parte do contrato social de colocar um ser humano neste mundo.

Mas isso não quer dizer que toda a gente lá fora tenha o direito de fazer gato e sapato desse ser humano.

Ferramentas do Ofício

Quando tens mesmo que fazer o trabalho, quando não consegues viver sem fazer o trabalho, então as ferramentas não são tão importantes. Escrevi vários capítulos do meu primeiro livro numa aplicação de bloco de notas, no telefone. Boas ferramentas dão-te alento na caminhada, mas não te empurram porta fora.

Mas alguns de vós pediram-me que partilhasse as ferramentas que uso para escrever, portanto aqui estão as principais ferramentas:

Scrivener ( OSX / iOS / Windows) – É isto que uso para escrever os meus livros de ficção. É uma aplicação magistral para escrever livros, desde que este não exijam grandes composições visuais, como por exemplo ilustrações eximiamente formatadas, ou caixas de texto suplementares. É infinitamente personalizável e tem ferramentas para ajudar a qualquer tipo de escrita, desde tratados científicos a ficção histórica. Mas com o pressionar de um botão, passas a ser só tu, um contador de palavras, e uma página em branco. Os produtores disponibilizam uma versão de demonstração generosa – escrevi um livro inteiro utilizando apenas isso.

Pages (OSX, iOS, Web) – Uso isto para textos maiores, ou para qualquer tipo de livro que necessite de uma composição visual mais cuidada (por exemplo PDFs para marketing). Tem duas grandes vantagens em relação à concorrência (Google Docs e Microsoft Word). Em primeiro lugar, é muito mais fluido, especialmente no que diz respeito à manipulação e formatação de imagens. Em segundo lugar, usa etiquetas para categorizar documentos. Não me vou alongar acerca das etiquetas porque é uma questão organizacional e aqui escrevo sobre escrita. Quando queres que a tua escrita seja apresentada de uma forma bela mas não queres andar frustrado(a) às cabeçadas no teclado? A tua melhor amiga é uma aplicação fluída e com menus de formatação e estilo intuitivos. É o que o Pages oferece. A versão web é muito pior, mas funciona.

Bear App (OSX, iOS) – Para escritos breves. 99% dos textos neste blog são escritos no Bear. Tem uma interface belíssima e minimalista, formatação robusta com base em chaves de cardinal, e facílima exportação para uma larga variedade de formatos. É um Evernote sem banhas, afinado para escritores. Eu uso a versão paga para sincronizar entre dispositivos, mas se isso não te interessa, a versão gratuita tem tudo o resto. A equipa de desenvolvimento prometeu trabalhar numa versão web, mas sem data definida.

Fotografia por Leah Kelley (Pexels)