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Qual o valor de um momento?

O que é útil é um conceito subjectivo. É possível justificar quase tudo como útil, de alguma forma. 

Há acções que são úteis porque criam valor. Para nós, ou para outros. São que resultam numa obra tangível.

Há acções que não resultam em nada tangível. Li sobre um homem que todos os dias, saía de casa, dava um passeio, e fazia questão de fotografar uma flor. Uma flor diferente todos os dias. A idea é que essa era uma forma de se lembrar de apreciar as pequenas cosias.

Mas e se esse homem, em vez de tirar a foto, só a cheirasse? Onde é que está o valor da experiência? Está na originação de uma fotografia? Na apresentação de trabalho?

O acto de cheirar uma flor não bastará? Não terá um valor intrínseco, ainda que momentâneo?  

Quem disse que o valor só é valor quando não é perecível?

Fotografia: mclcbooks Flickr via Compfight cc

Isaque

Criar algo com valor exige sacrifício. Qualquer coisa que seja admirável – dirigir um filme de sucesso, escrever um livro que mude vidas, explorar uma floresta selvagem, escalar a maior montanha do mundo, criar uma criança que seja uma boa pessoa, com talento e valores…

Todas estas coisas saem da pele de quem as executa. Por detrás de cada uma destas conquistas está uma história de sacrifício. Sacrifício de saúde, ou de fortuna, ou de relacionamentos pessoais, ou de carreira, ou de muitas outras coisas, e provavelmente de uma combinação de várias delas.

Há muitas pessoas que não estão dispostas a fazer o sacrifício. Por isso é que o mundo está cheio de arte mediocre, de desportistas amadores, de pessoas inacabadas. 

Mas tudo bem. Ninguém é obrigado a sacrificar o que não quer sacrificar. Não há a expectativa de que cada pessoa deva produzir algo de valor ímpar para o mundo.

Mas que cada um saiba se o quer fazer ou não – e que esteja consciente do preço a pagar.

Practicar por Diversão

É bom estar sempre a praticar, praticar todos os dias, mas que não seja sempre trabalho. O artesão mantém suas ferramentas afiadas, divertindo-se. 

Leva isto em conta na tua própria arte – volta a divertir-te com ela, em vez de o fazeres constantemente por responsabilidade e em prol de grandes projetos. 

A tua arte pode ser séria e divertida ao mesmo tempo, e de facto deve ser, se ambicionas atingir qualquer nível significativo de habilidade.

“Brincar” é uma forma de conhecer melhor e ganhar prática com as ferramentas do ofício.