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Sinal Versus Ruído

As redes sociais deviam ser uma coisa positiva. Em teoria, é fantástico estar mais a par do que se passa na vida das pessoas que nos são próximas.

Na prática, falta-nos moderação. Não só estamos a olhar para as últimas actualizações a cada cinco minutos, como pior ainda: colecionamos “amigos”, que às vezes não são mais do que pessoas com que trocamos duas ou três palavras numa qualquer situação social. Ou são colegas nossos com que não falamos nem vemos à mais de uma década; pessoas que já não têm nada a ver conosco. Ou pior: estrelas de cinema ou televisão que não gastam nem nunca gastaram um instante a contemplar a nossa existência.

E assim, as nossas redes sociais tornam-se num mar de barulho que só nos interessa tangencialmente, mas que estamos sempre a verificar. Para o caso de…

A atitude que eu tomei foi a seguinte: apaguei do meu Twitter qualquer pessoa com que não tenha tido uma conversa nos últimos 3 anos. 

Fui de seguir 266 pessoas a apenas 60. E só hoje, já vi mais actualizações interessantes – de pessoas que realmente importam – do que nesses últimos 3 anos.

Quanto aos autores dos vossos livros favoritos, os guitarristas das vossas bandas de eleição, os actores das séries que vocês mais gostam… Eles já têm a vossa atenção quando vocês consomem os produtos deles. Não lhes atribuam também a atenção que é mais bem aplicada às pessoas que fazem, realmente, parte da vossa vida.

As redes chamam-se “sociais” para ser uma extensão das nossas vidas sociais. Não para viver de forma vicária a dos outros.  

Pintura: “Júpiter, Mercúrio e a Virtude” por Dosso Dossi.

O Que O Facebook Fez

O que o Facebook fez foi remover as barreiras do acto de “blogar”.

Removeu a expectativa de que um “post” tinha que ser um bloco de texto cuidado de determinado tamanho. Não há problem em escrever apenas uma frase no Facebook.

Removeu a estrutura de edição e publicação intimidante. Há uma única interface – aquela em que se escreve as coisas é a mesma interface onde se lêem as coisas.

Removeu a necessidade de trabalhar na promoção de conteúdo – tudo o que se escreve é enviado a todos os outros (e vice-versa.)

Posto isto, bastou ao serviço alcançar um determinado numero de utilizadores para se tornar uma máquina impossível de parar.

O problema do serviço é um problema arquival, e de propriedade. Quase tudo o que se publica no Facebook se torna efémero. Não há uma maneira fácil de manter um registo do que se produziu, ou de o exportar. É possível encontrar o que uma pessoa especifica escreveu sobre um determinado livro há cinco anos, mas não é fácil.

Se não queres saber daquilo que escreves (ou desenhas, ou fotografas, ou compões), então o Facebook é uma excelente plataforma.

Mas se tu não queres saber, porque hão-de os outros?