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Ingenuidade, ou preguiça?

Nunca tivemos tanta informação à nossa disposição. 

De forma legítima ou ilegítima, temos acesso a noticias, testemunhos, estudos científicos, manuais técnicos e muitos outros tipos de informação que há década e meia atrás só eram acessíveis a classes profissionais específicas, ou a uma elite social.

Podemos ter a necessidade ocasional de consultar um especialista para decifrar um pedaço de informação especialmente nebulosa. Mas regra geral, temos dados suficientes para ponderar e formar uma opinião informada. Basta investir um pouco de tempo, fazer um pouco de esforço.

Porque que é que, então, cada vez mais pessoas parecem contentes em aceitar a primeira coisa que ouvem quando ligam a televisão, as primeiras palavras que lêem no Facebook do amigo com quem não falam há cinco anos?

A Língua é um Membro Fantasma

Custou-me a decidir se havia de escrever em Português ou Inglês.

O inglês é a obvia lingua franca da internet, e é na internet que publico a maior parte do meu trabalho. Há maior competição por atenção, mas a audiência é muito maior.

Acabei por decidir que iria escrever em ambas as línguas. Sempre que possível, iria escrever a mesma coisa em ambas as línguas. Decidi assim porque escrever é o mesmo que pensar, e escrever as mesmas ideias em línguas diferentes força-me a pensar melhor, dá-me uma perspectiva diferente do mesmo objecto intelectual.

O video jogo “The Phantom Pain” foi o último jogo Metal Gear por Hideo Kojima, e embora não ache que tenha sido o melhor, foi o que mais impacto teve em mim. Foi este jogo que me expôs pela primeira vez à idea de que a língua modela a cultura e o pensamento à sua imagem. A língua Inglesa é mais do que um modo de expressão, é um veiculo de assimilação.

Reforcei ainda mais esta ideia ao ler traduções de autores da Europa do Leste, como Bulgakov e Dostoyevsky. As palavras estão em Português mas a maneira de expor o pensamento é quase alienígena, e digo isto no melhor sentido da palavra. Ponderar estas obras forçou-me a reorganizar a minha forma de pensar, a estrutura do meu pensamento.

Tenho muito respeito pela cultura Anglo-Saxônica, e portanto não me incomoda um bocadinho de assimilação. Mas o jogo de Kojima deixou-me a pensar que devia encarar a minha língua materna com a mesma seriedade com que encarava o Inglês. Não é tão prática ou lucrativa. Mas decidi concentrar-me nela como uma forma de preservar a minha cultura, e, mais importante ainda, afinar a minha forma de pensar.

Porque se toda a gente pensar na mesma língua, é muito menos provável que se produzam ideias interessantes.

Espaço

É difícil ir para o espaço. O maior problema é a quantidade enorme de energia (leia-se: combustível) que é necessária para contrariar a força da gravidade. Quanto mais combustível é preciso, maior o peso, e portanto, ainda mais difícil é contrariar a gravidade. É um ciclo vicioso.

A resposta é, claro, desenvolver combustíveis mais eficientes – com maior produção de energia por unidade de massa.

Porque é que é importante ir para o espaço? Afinal de contas, não nos faltam problemas para resolver neste planeta.

Algumas razões:

  1. O nosso planeta tem recursos limitados. A situação não é tão negra como os média e os activistas de algibeira nos querem fazer parecer. Até nem estamos nada mal, por enquanto. Mas a tendência é piorar, não melhorar – e se esperarmos até ter falta de recursos, ir para o espaço vai-se tornar cada vez mais difícil.
  2. Face à conclusão de que o que precisamos para ir para o espaço são fontes de energia mais eficientes, desenvolvê-las resolveria muitos outros problemas. Energia mais eficiente é mais barata e pode beneficiar mais pessoas, com menos custos para o planeta. Melhora condições económicas e ambientais.
  3. A espécie humana está cada vez mais conflituosa. Não acredito que isto se deva só a problemas económicos e políticos. A nossa história é de exploração e conquista. Agora que já exploramos e conquistamos (quase) tudo, o nosso excesso de energia leva-nos a criar conflitos internos. A exploração espacial pode vir a servir como uma válvula de escape para toda esta energia latente da humanidade.

Há muita gente a trabalhar para nos levar ao espaço. Mas não tanta quanto deveria haver.

Fotografia: miikajom Flickr via Compfight cc