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Demasiado

Qual é o preço que tu pagas pela tua ambição?

Qual é o limite do que podes fazer?

Quantas coisas podes fazer ao mesmo tempo, a quantas coisas te podes dedicar?

O que é que está a sofrer por esta tua busca por… o quê?

O que é que tu queres?

Tu queres dinheiro.

Tu queres fama.

Tu queres sucesso.

Tu queres família.

Tu queres diversão.

Tu queres saúde.

Tu queres segurança.

É demasiado.

É demais.

São coisas demais.

Não cabe tudo num dia.

Não cabe.

Como é que os outros conseguem?

Passo A Passo

Às vezes não dá nem para caminhar.  Mas imaginamo-nos a correr, e depois ficamos desmotivados quando vemos que correr nos deixa exaustos passados meros segundos. 

Às vezes, tudo o que estamos aptos para fazer é rastejar.

Um pé à frente do outro. Um livro escreve-se palavra a palavra. 

Não há gesto pequeno demais. Quando se tem um objectivo, e não há progresso – vê se não estás a tentar correr antes de teres prática em andar.

Vê se não podes dividir as coisas em passos muito pequenos, tão pequenos que te parece até parvo.

Às vezes tudo o que conseguimos fazer é uma palavra. A frase tem que ficar para o outro dia. Às vezes tudo o que conseguimos fazer é encontrar um numero de telefone. A chamada tem que ficar para o dia seguinte.

Não faz mal. Um passo todos os dias, sabe-se lá onde nos leva passado um mês, um ano.

“É um assunto perigoso, Frodo, sair pela porta fora. Pões um pé na estrada e, se não tiveres cuidado, não há como saber para onde podes ser levado.”

 — Bilbo Baggins,  em “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien


Ilustracção por Soni Alcorn-Hender

Filosofia é Como Tomar Banho

Um rei do médio-oriente, em viagem, depara-se com Abdal, um dervixe, e aceita pagar adiantado por um conselho, uma demonstração da sua sabedoria.

O Dervixe assim lhe disse: “O meu conselho é o seguinte: Nunca comeceis nada sem antes refletir como terminarás.”

Perante isto, os nobres e todos os presentes riram, dizendo que sabedoria de Abdal tinha sido a sua insistência que o rei pagasse adiantado. Mas o rei disse: “Não tendes razão de rir do bom conselho que este Abdal me deu. Ninguém desconhece que devemos pensar bem antes de tomar qualquer acção. Mas diariamente, somos culpados de não nos recordar disto, e as consequências são malignas. Muito valor dou, ao conselho deste Dervixe.”

— “O Rei, o Sufi e o Cirurgião”, em “Caravana de Sonhos” por Idries Shaw

De facto, o conselho do dervixe é um lugar-comum. E no entanto, quantos nós somos culpados de começar algo sem ter ponderado até onde essa acção nos levará? Quantos de nós iniciamos uma carreira, uma relação, um estudo, uma aventura, sem ter um objetivo definido, e em consequência, nunca sabemos o quão próximo ou longe está o sucesso?

Todos sabemos que devemos ter um rumo na vida, que viagem é que importa mas há que ter um destino em mente. Mas com que facilidade nos esquecemos dessa verdade tão básica!

É por isso que practicar filosofia é como tomar banho: há que o fazer todos os dias, ou perde-se o efeito.

A citação acima é uma tradução feita por mim, de uma passagem do livro   “Caravan of Dreams” por Idries Shah , que traz ao ocidente alguns excertos de filosofia Arábica. Tanto quanto sei, não existe uma tradução oficial Portuguesa.

Como é habitual, não ganho nada se seguirem o link e comprarem o livro.

Pintura: “Árabes a Cavalo” por Massimo Taparelli, Marquês d’ Azeglio.