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Resoluções de Ano Novo

Resoluções de ano novo são uma coisa muito clichê. E o mais comum é que fiquem por cumprir. Mas não é parvo fazê-las. É melhor ter um objectivo e falhar do que não ter nenhum. 

É claro, a tomá-las, mais vale tentar criar condições que nos dêem alguma hipótese de as cumprir. Nem sempre essas condições são obviais, e certamente não serão iguais para todos. 

Conheci uma rapariga que tomava as decisões de ano novo não no final do ano, mas no seu dia de anos. Para ela, era aí que o ano começava. Achei que era uma atitude deliciosamente egocêntrica, mas se funcionava para ela, quem sou eu para discutir?

Não quer dizer que seja o vosso caso, mas pode ser. Eu escrevi as minhas num bloco de notas há um par de dias, enquanto esperava por um amigo para tomar um café. Na altura nem pensei nelas como resoluções de ano novo, estava só a pensar em coisas que gostava de fazer/mudar. Mas depois lembrei-me que era Dezembro, e que o espaço de um ano é um período de tempo catita para medir objectivos, portanto, porque não?

Na realidade, é difícil ganhar prática em algo que só se faz uma vez por ano. Quem só escreve os objectivos uma vez por ano, é normal que não os alcance. Provavelmente nem tem uma boa noção do que é alcançável.

Portanto agora é uma boa altura para começar a praticar para o final do ano. E depois em Janeiro talvez seja uma boa altura para os rever! E assim por diante…

Sobre Escrever

Escrever não é só para escritores. Não é só para entregar trabalhos na escola. Escrever é uma ferramenta para “ajudar” a pensar. Uso aspas porque na realidade, é mais fácil pensar no papel do que na cabeça. O pensamento é demasiado volátil se não for capturado de forma sólida.

Não controlamos os nossos pensamentos. Eles surgem de uma combinação estranha: uma mistura de experiências passadas e conhecimento internalizado a interagir com o ambiente. Não consegues “planear em pensar.” Quando pensas em pensar em algo, já o pensaste. Sim, é confuso. O nosso cérebro é uma barafunda. E tudo isto mesmo sem tocar no facto da frequência com que uma idea é completamente “chutada” para fora – e para sempre – no instante em que aterra outra, quase do nada.

Escrever é o acto de colocar pensamentos no papel (ou ecrã, mas sou adepto do papel). Uma vez lá contidos, os pensamentos já não podem fugir ou ser removidos com facilidade. E ainda melhor, dá para começar a mexer neles, mudar-lhes a forma e refiná-los.

Dá para resolver uma quantidade surpreendente de problemas através do simples acto de os escrever, de escrever sobre eles, de os trabalhar no papel. No papel, eles não têm como fugir (e tu também não).

Experimenta.

Fotografia: rawpixel.com Flickr via Compfight cc

Auto-Estima Ou Auto-Ilusão?

Tenho uma amiga – chamemos-lhe Neuza – que se queixa de não conseguir encontrar um parceiro à altura. A Neuza tem muitas coisas a seu favor – beleza, inteligência, educação, saúde. Mas tem um grande inimigo, um conceito distorcido de auto-estima que lhe foi vendido pela industria do desenvolvimento pessoal, e por psicólogos de algibeira. 

O problema da Neuza é acreditar que “tem que se aceitar da maneira como é.” A Neuza exibe a sua solteirice com orgulho nas redes sociais, partilha posts e imagens que mostram como está bem e como é fantástica a sua vida de solteira.

Não teço nenhum julgamento valor contra quem prefere a vida de solteiro. Há benefícios legítimos e cabe a cada um decidir o que é bom para si. Mas quem está feliz solteiro, por definição não precisa de encontrar par.

É esse o grande problema da Neuza. Não querendo assumir a sua insatisfação – pois foi-lhe ensinado que é crucial estarmos felizes com a nossa situação actual – age de uma forma que cristaliza no seu subconsciente uma história, e essa história é contrária ao sítio onde quer chegar.

Este conceito de auto-estima é irresponsável e insustentável, porque funciona como travão. Se estamos satisfeitos com o que somos, com o que temos, então não há impulso para mudar. O desejo de mudança implica uma insatisfação com o estado actual.

O que devemos, isso sim, ser, é gentis connosco mesmos. Reconhecer que, não estando no sitio onde queremos estar, temos todavia a capacidade de chegar lá. Que o sitio onde estamos não é reflexo do nosso valor nem do nosso potencial, mas apenas do percurso que já caminhámos.

Internalizar este conceito não vos parece muito mais saudável do que ter uma guerra interna, perpétua, entre aquilo que desejamos e aquilo com que nos identificamos?