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Passo A Passo

Às vezes não dá nem para caminhar.  Mas imaginamo-nos a correr, e depois ficamos desmotivados quando vemos que correr nos deixa exaustos passados meros segundos. 

Às vezes, tudo o que estamos aptos para fazer é rastejar.

Um pé à frente do outro. Um livro escreve-se palavra a palavra. 

Não há gesto pequeno demais. Quando se tem um objectivo, e não há progresso – vê se não estás a tentar correr antes de teres prática em andar.

Vê se não podes dividir as coisas em passos muito pequenos, tão pequenos que te parece até parvo.

Às vezes tudo o que conseguimos fazer é uma palavra. A frase tem que ficar para o outro dia. Às vezes tudo o que conseguimos fazer é encontrar um numero de telefone. A chamada tem que ficar para o dia seguinte.

Não faz mal. Um passo todos os dias, sabe-se lá onde nos leva passado um mês, um ano.

“É um assunto perigoso, Frodo, sair pela porta fora. Pões um pé na estrada e, se não tiveres cuidado, não há como saber para onde podes ser levado.”

 — Bilbo Baggins,  em “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien


Ilustracção por Soni Alcorn-Hender

Filosofia é Como Tomar Banho

Um rei do médio-oriente, em viagem, depara-se com Abdal, um dervixe, e aceita pagar adiantado por um conselho, uma demonstração da sua sabedoria.

O Dervixe assim lhe disse: “O meu conselho é o seguinte: Nunca comeceis nada sem antes refletir como terminarás.”

Perante isto, os nobres e todos os presentes riram, dizendo que sabedoria de Abdal tinha sido a sua insistência que o rei pagasse adiantado. Mas o rei disse: “Não tendes razão de rir do bom conselho que este Abdal me deu. Ninguém desconhece que devemos pensar bem antes de tomar qualquer acção. Mas diariamente, somos culpados de não nos recordar disto, e as consequências são malignas. Muito valor dou, ao conselho deste Dervixe.”

— “O Rei, o Sufi e o Cirurgião”, em “Caravana de Sonhos” por Idries Shaw

De facto, o conselho do dervixe é um lugar-comum. E no entanto, quantos nós somos culpados de começar algo sem ter ponderado até onde essa acção nos levará? Quantos de nós iniciamos uma carreira, uma relação, um estudo, uma aventura, sem ter um objetivo definido, e em consequência, nunca sabemos o quão próximo ou longe está o sucesso?

Todos sabemos que devemos ter um rumo na vida, que viagem é que importa mas há que ter um destino em mente. Mas com que facilidade nos esquecemos dessa verdade tão básica!

É por isso que practicar filosofia é como tomar banho: há que o fazer todos os dias, ou perde-se o efeito.

A citação acima é uma tradução feita por mim, de uma passagem do livro   “Caravan of Dreams” por Idries Shah , que traz ao ocidente alguns excertos de filosofia Arábica. Tanto quanto sei, não existe uma tradução oficial Portuguesa.

Como é habitual, não ganho nada se seguirem o link e comprarem o livro.

Pintura: “Árabes a Cavalo” por Massimo Taparelli, Marquês d’ Azeglio.

Resoluções de Ano Novo

Resoluções de ano novo são uma coisa muito clichê. E o mais comum é que fiquem por cumprir. Mas não é parvo fazê-las. É melhor ter um objectivo e falhar do que não ter nenhum. 

É claro, a tomá-las, mais vale tentar criar condições que nos dêem alguma hipótese de as cumprir. Nem sempre essas condições são obviais, e certamente não serão iguais para todos. 

Conheci uma rapariga que tomava as decisões de ano novo não no final do ano, mas no seu dia de anos. Para ela, era aí que o ano começava. Achei que era uma atitude deliciosamente egocêntrica, mas se funcionava para ela, quem sou eu para discutir?

Não quer dizer que seja o vosso caso, mas pode ser. Eu escrevi as minhas num bloco de notas há um par de dias, enquanto esperava por um amigo para tomar um café. Na altura nem pensei nelas como resoluções de ano novo, estava só a pensar em coisas que gostava de fazer/mudar. Mas depois lembrei-me que era Dezembro, e que o espaço de um ano é um período de tempo catita para medir objectivos, portanto, porque não?

Na realidade, é difícil ganhar prática em algo que só se faz uma vez por ano. Quem só escreve os objectivos uma vez por ano, é normal que não os alcance. Provavelmente nem tem uma boa noção do que é alcançável.

Portanto agora é uma boa altura para começar a praticar para o final do ano. E depois em Janeiro talvez seja uma boa altura para os rever! E assim por diante…