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O Que Ando a Ler / Ver / Jogar (I)

Jogo – Hollow Knight

Por detrás de um exterior fofinho está um jogo de acção e exploração que não dá tréguas. Os inimigos são muitos e desafiantes, e os calabouços estendem-se  pelas profundezas da terra com muito poucos pontos de descanso. 

Um jogo moderno (e belíssimo) que respeita o tempo limitado do jogador adulto, ao mesmo tempo que oferece um desafio que nos remete aos tempos dos jogos clássicos. Não consigo jogar outra coisa, e comprei um comando “profissional” porque os comandos base da Switch não lhe fazem justiça.

(Joga)

Série – Comedians In Cars Getting Coffee

Não gosto de filmes ou séries de comédia; isto é, à excepção daquelas produzidas por humoristas de stand-up. “Seinfeld” é uma das minhas séries favoritas, e ver o humorista a interagir com os seus ídolos e colegas é uma delícia. Como bônus, descobri vários humoristas que desconhecia e à conta disso, enchi a minha fila de Netflix.

(Vê)

Livro – “O Perfume”

Foi-me oferecido por uma amiga e é um livro tão descritivo que me custa um pouco a ler. Não que a descrição seja má ou aborrecida, mas pelo contrário: é tão visceral que sinto que me sobrecarrega os sentidos. Um livro sobre um assassino muito particular, é uma bela janela para um período histórico ao qual não tenho muita exposição.

(Ler)

A Viagem e o Final

A maior parte dos livros tem uma moral (ou sugestão de acção) passível de explicar em duas páginas ou menos.

Então, porque é que se escrevem livros?

Porque aplicar uma solução sem compreender como se chegou a ela é o que fazem os robôs. E às vezes, isso é suficiente; às vezes, só precisamos de saber que peça usar, que linha de código escrever, e que ingrediente escolher.

Mas a maior parte das vezes, não; o raciocínio é precioso, porque nos ajuda  a tomar uma decisão em condições que são semelhantes mas não exactamente iguais às descritas no cenário original. Conhecer o caminho ajuda-nos a criar adaptações.

Mesmo que raciocínio não seja necessário para assimilar a solução, o contexto pode ser. Um excelente exemplo disto é “O Alquimista,” de Paulo Coelho. Tudo o que o livro tem a dizer, é dito na última página. No entanto, se pularmos para a ultima página sem ler o resto do livro, vamos achar que é um lugar comum; sabedoria de algibeira.

Ás vezes, é preciso viver os desafios para integrar a solução.

Os livros dão-nos a oportunidade de os viver sem os sofrer.

Fotografia: Pamela P. Stroud Flickr via Compfight cc

Sem Modo “Fácil”

Nos últimos dias, tive que ler um livro que estava muito acima da minha capacidade. Era um livro que presumia muito conhecimento anterior da minha parte. Tive que parar várias vezes para pesquisar o significado de palavras que desconhecia, e para consultar livros referidos na bibliografia.

Na nossa sociedade facilitista, seria fácil dizer que o livro era pobre, que era muito exigente, que não era didático.

Mas não é razoável exigir que todos os livros sejam escritos para leigos. Como é que é possível alcançar profundidade de conhecimento, se perdemos tanto tempo a fazer o reconhecimento da superfície? Não; uma obra que queira contribuir de forma significante para o todo, tem que assumir que o leitor já passou pelas bases.

Acabei por fazer a entrevista, e acho que não fiz má figura. Domino o material? Não, nem um pouco. Consegui reter algumas ideias, alguns princípios, consigo ter uma discussão inteligente sobre o livro e o material que lá está, mas precisaria de mais algumas (muitas!) luas para saber implementar o material.

Mas o simples projecto, o esforço destes ultimos dias, obrigaram-me a ser um leitor mais focado, mais rigoroso, obrigaram-me a fazer notas e a construir muito bem as minhas questões. É um “subir de nível” que só foi possível porque me atrevi a atirar-me a um livro mais forte do que eu.

Atreve-te também.

Pintura: “A Forja de Vulcano” por Francesco Bassano