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Citação I

Para ponderar no fim-de-semana, uma citação que sublinhei recentemente, e me tem estado na cabeça:

“Dor é inevitável, mas sofrimento é opcional.”

— Sem fonte, encontrado no livro “Aceitação Radical”, por Tara Brach

Coisas más – e dolorosas – acontecem-nos a todos; por nossa culpa, por culpa dos outros, ou pelo rolar dos dados do universo. Nem o mais forte de nós é imune à dor. 

Mas as histórias que contamos a nós próprios, os filmes que passamos na nossa cabeça acerca da origem, razão, justiça, valor, consequências da dor – isso é connosco. 

Pintura: “Os Lictores Retornando a Brutus os Corpos de seus Filhos” por Jacques-Louis David

A Prenda Mais Importante Que Podem Oferecer Hoje

Às vezes, vale a pena fazer as coisas que gostamos.

Quando descobri que o Felipe Pepe estava a recrutar voluntários para o ajudar a criar um compêndio da história dos RPGs de computador ( odeio a tradução directa, portanto, para os menos familiares, adianto apenas que a sigla significa “Role-Playing Games”, e fiquemo-nos por aí) soube imediatamente que queria participar.

Nunca imaginei que um dia, esse meu trabalho visse a ser parte de um livro em papel, e muito menos um livro cujos lucros do autor fossem 100% concedidos à caridade – neste caso, à instituição Vocação, que dá formação e encontra emprego para os jovens nas áreas mais desfavorecidas do Brasil. 

Mas assim aconteceu. Podem encomendá-lo aqui, e façam-no sabendo que uma vez feita a primeira impressão, acabou-se. É uma tiragem única e limitada.

Só posso agradecer ao Filipe em triplicado:

Obrigado por ter engendrado um projecto tão apaixonante.

Obrigado por ter suportado os meus atrasos e editado as minhas palavras para melhor.

Obrigado por ter encontrado e tomado a oportunidade de usar esse trabalho para melhorar o mundo.

Nem sempre os video jogos são um desperdício de tempo.

Filosofia é Como Tomar Banho

Um rei do médio-oriente, em viagem, depara-se com Abdal, um dervixe, e aceita pagar adiantado por um conselho, uma demonstração da sua sabedoria.

O Dervixe assim lhe disse: “O meu conselho é o seguinte: Nunca comeceis nada sem antes refletir como terminarás.”

Perante isto, os nobres e todos os presentes riram, dizendo que sabedoria de Abdal tinha sido a sua insistência que o rei pagasse adiantado. Mas o rei disse: “Não tendes razão de rir do bom conselho que este Abdal me deu. Ninguém desconhece que devemos pensar bem antes de tomar qualquer acção. Mas diariamente, somos culpados de não nos recordar disto, e as consequências são malignas. Muito valor dou, ao conselho deste Dervixe.”

— “O Rei, o Sufi e o Cirurgião”, em “Caravana de Sonhos” por Idries Shaw

De facto, o conselho do dervixe é um lugar-comum. E no entanto, quantos nós somos culpados de começar algo sem ter ponderado até onde essa acção nos levará? Quantos de nós iniciamos uma carreira, uma relação, um estudo, uma aventura, sem ter um objetivo definido, e em consequência, nunca sabemos o quão próximo ou longe está o sucesso?

Todos sabemos que devemos ter um rumo na vida, que viagem é que importa mas há que ter um destino em mente. Mas com que facilidade nos esquecemos dessa verdade tão básica!

É por isso que practicar filosofia é como tomar banho: há que o fazer todos os dias, ou perde-se o efeito.

A citação acima é uma tradução feita por mim, de uma passagem do livro   “Caravan of Dreams” por Idries Shah , que traz ao ocidente alguns excertos de filosofia Arábica. Tanto quanto sei, não existe uma tradução oficial Portuguesa.

Como é habitual, não ganho nada se seguirem o link e comprarem o livro.

Pintura: “Árabes a Cavalo” por Massimo Taparelli, Marquês d’ Azeglio.