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Ser Alguém Que Faz As Coisas Até Ao Fim

A vida é curta demais para se fazer coisas que não se gosta. Isto é um facto, e é motivo para fazer uma mudança de carreira, de relação, e de outras situações contínuas na nossa vida.

Mas há valor em acabar aquilo que tem um final visível. Um projecto, um livro, um videojogo. Deixar coisas a meio é mau para a alma, cria o vício de pular de coisas em coisa, de experimentar e nunca dominar.

Quando levamos algo até ao fim, mesmo algo que já não estamos a fazer com o entusiasmo inicial – e talvez sobretudo neste caso – fortificamos uma narrativa interna acerca de nós próprios, uma narrativa que diz “eu sou uma pessoa que leva as coisas até ao fim.”

É mais util ser essa pessoa, ou ser a pessoa que pula para a próxima coisa ao mínimo sinal de resistência, de aborrecimento?

Pintura: “Preguiça e Trabalho” por Michele Cammarano

Sim Por Defeito

Quando alguém me pede para participar num projecto, a resposta é quase sempre “sim.” Com um asterisco: quem me pediu tem que arrancar. Eu entro depois, como suporte.

A maioria dos projetos nunca vão a lado nenhum. Toda a gente tem uma ideia para um livro, um podcast, um filme, um negócio. Mas quase ninguém tem a capacidade de arrancar, de gerar força suficiente para vencer a entropia e dar os primeiros passos. 

Nesse caso, fui o tipo que disse que “sim.” Uma palavra que não me custou mais do que uns centímetros cúbicos de ar , criou uma ligação de confiança entre mim e outra pessoa, ajudou a construir uma reputação de generosidade. Não tive que fazer mais nada.

E se a pessoa conseguir arrancar? E se o projeto for para a frente?

Então, estou a trabalhar com uma pessoa que sabe fazer coisas arrancar.

Não é uma má posição.

Sobre Escrever

Escrever não é só para escritores. Não é só para entregar trabalhos na escola. Escrever é uma ferramenta para “ajudar” a pensar. Uso aspas porque na realidade, é mais fácil pensar no papel do que na cabeça. O pensamento é demasiado volátil se não for capturado de forma sólida.

Não controlamos os nossos pensamentos. Eles surgem de uma combinação estranha: uma mistura de experiências passadas e conhecimento internalizado a interagir com o ambiente. Não consegues “planear em pensar.” Quando pensas em pensar em algo, já o pensaste. Sim, é confuso. O nosso cérebro é uma barafunda. E tudo isto mesmo sem tocar no facto da frequência com que uma idea é completamente “chutada” para fora – e para sempre – no instante em que aterra outra, quase do nada.

Escrever é o acto de colocar pensamentos no papel (ou ecrã, mas sou adepto do papel). Uma vez lá contidos, os pensamentos já não podem fugir ou ser removidos com facilidade. E ainda melhor, dá para começar a mexer neles, mudar-lhes a forma e refiná-los.

Dá para resolver uma quantidade surpreendente de problemas através do simples acto de os escrever, de escrever sobre eles, de os trabalhar no papel. No papel, eles não têm como fugir (e tu também não).

Experimenta.

Fotografia: rawpixel.com Flickr via Compfight cc