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Como Ler Um Livro

Leio muito, mas às vezes desperdiço a leitura. É muito difícil reter ideias quando não se aplicam os conhecimentos imediatamente. Isso é especialmente verdade no caso dos audiobooks que tenho vindo a ouvir

Sim, a comunicação oral entranha-se melhor. Mas um mês depois de ouvir um livro que me lembro ter achado que fazia umas observações valiosas, tenho dificuldade em lembrar-me de mais do que do tema geral e principais conclusões.

A única maneira que conheço de tirar partido de um livro é tomando notas, e, idealmente, resumindo os pontos principais do livro pelas nossas palavras. Isto é muito mais fácil de fazer em livros de papel, e relativamente fácil em edições digitais. No caso dos audiobooks, não há sistemas de marcação adequados, e muitas vezes não é conveniente gravar ou fazer anotações. 

De notar que tudo isto é válido mesmo para quem lê por lazer, e em ficção. Os melhores livros de ficção têm partes que sabe bem ter à mão para revisitar, mas mais do que isso, articulam conhecimento valioso sobre o qual vale a pena meditar.

Assim:

No caso de um audiobook:

  • Está atento a passagens importantes. Quando uma chamar a atenção, faz pausa e escreve uma nota numa aplicação que esteja no dispositivo (provavelmente um tablet ou um telemóvel). 
  • Tenta resumir o livro em 1000 palavras ou assim, não mais do que uma semana depois de o acabares de ouvir.
  • Ainda melhor: faz um resumo de 200-250 palavras por capítulo.

No caso de um livro digital:

  • É simples sublinhar as passagens importantes. Às vezes até simples demais, o que resulta em páginas inteiras sublinhadas. Isto não é produtivo. Se uma página – e as que se seguem –  parece super importante, deixa um marcador.
  • Considera deixar uma pequena nota em cada sublinhado, com uma palavra ou uma sigla que caracterize o que essa passagem suscita. Por exemplo “Liderança”, “BC” (bela citação).
  • Claro que notas maiores são sempre boas, mas nem sempre é produtivo fazer uma pausa na leitura para ponderar e escrever acerca de uma passagem. A grande vantagem deste formato sobre o audiobook é que dá para regressar mais tarde.
  • Usando o Kindle da Amazon, dá para aceder e copiar todos os sublinhados e anotações em Kindle Cloud Reader; usando o iBooks da Apple, há uma opção para enviar todos os sublinhados e anotações por email; eu envio um email para mim mesmo, e depois copio para a minha aplicação de notas.
  • Mantêm-se o valor do resumo, mas não há tanta urgência como no caso dos audiobooks – podemos sempre seguir as nossas notas e sublinhados mais tarde, e folhear as páginas antes e depois para recordar.

No caso de um livro em papel:

  • Quase tudo descrito acima é válido. Para ser mais fácil encontrar os sublinhados, eu habitualmente deixo um sinal ( X para um sublinhado, O para uma coisa especialmente importante) ou uma sigla (mais uma vez “BC”, etc) no canto da página. Assim basta folhear os cantos.
  • Também costumo usar qualquer página vazia no princípio ou no fim para criar o meu próprio “índice”; escrevo os números da páginas que sublinhei, com uma palavra descritiva à frente.
  • A pratica de marginália – escrever nas margens – é uma arte em si. As limitações de espaço forçam-nos a ser concisos com as notas. É sempre bom revisitar estas observações breves mais tarde, e tentar expandidas em alguns parágrafos, numa folha aparte. Mas não desmereças o exercício de as fazer no próprio papel.
  • Finalmente, voltamos ao resumo. Só podemos dizer que dominamos uma idea se a conseguimos explicar nas nossas próprias palavras.

Bónus: uma forma fantástica de expandir conhecimento acerca de um assunto é cruzando as  informações de vários autores. Eu uso duas siglas para anotar isto: VS. “autor” quando há desarmonia, e CF. “Autor” quando há concordância. (versus e confere)

Diários

Revisitar diários de há 10, 7 ou até 5 anos é fascinante. 

É motivante ver os objectivos que não só foram cumpridos, mas superados em muito até ao tempo presente. Hoje, há coisas na minha vida que ultrapassam os meus maiores sonhos de há meia década.

E também é uma injecção de humildade, ver o oposto – aqueles objectivos em que não ouve movimento, que escrevo no diário de hoje de forma quase idêntica.

Mas da divergência vêem as perguntas! “O que fiz de diferente que me deu tanto sucesso numas áreas, e tão pouco noutras?”

Há sempre a resposta base: foi uma questão de sorte. A Senhora Fortuna goza dos nossos esforços. Mas também não podemos deitar tudo aos seus pés. Há que encontrar um equilíbrio.

O diário é uma forma de dialogar com a pessoa que fomos há 10, 7, há 5 anos.

Se começares um este ano, podes estar a ter uma conversa importante daqui a cinco.

Passam num instante.

Paixão é para Amadores

Se queres cozinhar, tens que arrumar a cozinha. Nenhum trabalho é só a parte boa. 

Antes de ser director de marketing, trabalhei como escritor freelancer.  Escrevi para muitos clientes. E muitos trabalhos não eram sobre temas que me interessavam. A maioria, até.

Mas não era por isso que os despachava. Ou que os fazia de mau grado. Se os tratava de forma diferente de alguma maneira, era porque me aplicava ainda mais para que ficassem bem feitos, para compensar a minha falta de interesse.

Alguém que trabalha por paixão é um amador. O profissional aparece todos os dias, e faz o trabalho. Goste ou não. O profissional não associa a sua concretização pessoal ao trabalho em si, mas sim à sua capacidade de executar.

Pintura: “Um Médico a Examinar Urina”, por Bigot Trophîme