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Meditação e Desenvolvimento Pessoal – Inimigos Mortais?

Hoje quando estava a meditar, ocorreu-me uma coisa. Não é só o caso que a meditação me ajuda a ver o mundo em alta-definição. É que a meditação me ajuda a aceitar-me a mim mesmo, como sou.

Isto gera uma certa tensão entre a meditação e o desenvolvimento pessoal.

A meditação trata de estar satisfeito no momento. O desenvolvimento pessoal nasce da insatisfação.

A meditação é acerca de viver o momento presente. É acerca de entender que o aqui e o agora bastam, e que as projecções de passado e futuro em que a nossa mente passa a maior parte do seu dia-a-dia são, quase sempre, a causa do nosso sofrimento.

A meditação também nos dá prespectiva e claridade, e ajuda-nos a ver os nossos excessos.

Já o desenvolvimento pessoal centra-se no futuro. Desenvolvimento pessoal é acerca de visualizar um “eu” melhor como um objectivo, uma situação melhor no futuro, a que almejar, e traçar um plano nessa direcção. Um plano não é mais do que uma sucessão de micro-futuros cada vez mais próximos.

Mais, o desenvolvimento pessoal exige, muitas vezes, excessos. Sacrificios. Analisando qualquer pessoa que tenha alcançado algo de sublime, consegue-se determinar que o sucesso veio do foco num objectivo. O foco vem da capacidade de estabelecer prioridades, e de as seguir. O estabelecimento e seguimento de prioridades exige, por definição, deixar outras coisas para trás. Ou seja, sacrifícios.

É possível, é claro, alcançar alguns objectivos sem excessos. Mas raramente os grandes passos da vida surgem sem um exforço fora do normal, um esforço que deixa cicatrizes.

A verdade é que quando medito, quando consigo fazer uma sessão de meditação mais profunda, sinto-me menos interessado nos meus objectivos. Não é um desinteresse apático; é mais um “as coisas já estão bem, o objectivo não é assim tão importante.”

Isto assusta-me um bocado. Por muito que seja bom estar satisfeito com o momento presente, gosto de zelar pelo momento presente do Luís Futuro.

Somos seres feitos de dicotomias. Em nós vivem as trevas e a luz, o caos e a ordem. Esta dicotomia – entre a paz de viver no presente e a tensão necessária para um futuro melhor – é mais uma imperfeição da vida, para ser aceite.

A Ferramenta do Mundo Moderno

Às vezes caio no erro de pensar que mexer num computador é o mesmo que saber ler e escrever. 

A minha vida é uma vida de videochamadas, de atalhos de teclado, de navegação em mundos tridimensionais, de processamento de emails e mais uma dúzia de tarefas que exigem o domínio de uma mão-cheia de programas e aplicações.

É fácil pensar que isto é o normal. Mas não é. Na escola passamos anos a aprender a ler e escrever, a multiplicar e dividir. Mas as aulas de informática duram dois anos no máximo, e pouco ensinam para além do processador de texto. 

A verdade é que quase todas as pessoas sabem pesquisar no Google, mas nem todas o sabem fazer de forma eficiente. Nem todas sabem usar um navegador para mais do que ler um site.

No entanto, estas valias são tão importantes para a vida de uma pessoa adulta no mundo moderno, como saber ler e escrever.

Ler é uma ferramenta. Escrever é uma ferramenta. Matemática é uma ferramenta. E a literacia informática é uma ferramenta. E é tão poderosa como as outras três.

Fotografia: Thomas Hawk Flickr via Compfight cc

A Viagem e o Final

A maior parte dos livros tem uma moral (ou sugestão de acção) passível de explicar em duas páginas ou menos.

Então, porque é que se escrevem livros?

Porque aplicar uma solução sem compreender como se chegou a ela é o que fazem os robôs. E às vezes, isso é suficiente; às vezes, só precisamos de saber que peça usar, que linha de código escrever, e que ingrediente escolher.

Mas a maior parte das vezes, não; o raciocínio é precioso, porque nos ajuda  a tomar uma decisão em condições que são semelhantes mas não exactamente iguais às descritas no cenário original. Conhecer o caminho ajuda-nos a criar adaptações.

Mesmo que raciocínio não seja necessário para assimilar a solução, o contexto pode ser. Um excelente exemplo disto é “O Alquimista,” de Paulo Coelho. Tudo o que o livro tem a dizer, é dito na última página. No entanto, se pularmos para a ultima página sem ler o resto do livro, vamos achar que é um lugar comum; sabedoria de algibeira.

Ás vezes, é preciso viver os desafios para integrar a solução.

Os livros dão-nos a oportunidade de os viver sem os sofrer.

Fotografia: Pamela P. Stroud Flickr via Compfight cc