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A Ferramenta do Mundo Moderno

Às vezes caio no erro de pensar que mexer num computador é o mesmo que saber ler e escrever. 

A minha vida é uma vida de videochamadas, de atalhos de teclado, de navegação em mundos tridimensionais, de processamento de emails e mais uma dúzia de tarefas que exigem o domínio de uma mão-cheia de programas e aplicações.

É fácil pensar que isto é o normal. Mas não é. Na escola passamos anos a aprender a ler e escrever, a multiplicar e dividir. Mas as aulas de informática duram dois anos no máximo, e pouco ensinam para além do processador de texto. 

A verdade é que quase todas as pessoas sabem pesquisar no Google, mas nem todas o sabem fazer de forma eficiente. Nem todas sabem usar um navegador para mais do que ler um site.

No entanto, estas valias são tão importantes para a vida de uma pessoa adulta no mundo moderno, como saber ler e escrever.

Ler é uma ferramenta. Escrever é uma ferramenta. Matemática é uma ferramenta. E a literacia informática é uma ferramenta. E é tão poderosa como as outras três.

Fotografia: Thomas Hawk Flickr via Compfight cc

A Viagem e o Final

A maior parte dos livros tem uma moral (ou sugestão de acção) passível de explicar em duas páginas ou menos.

Então, porque é que se escrevem livros?

Porque aplicar uma solução sem compreender como se chegou a ela é o que fazem os robôs. E às vezes, isso é suficiente; às vezes, só precisamos de saber que peça usar, que linha de código escrever, e que ingrediente escolher.

Mas a maior parte das vezes, não; o raciocínio é precioso, porque nos ajuda  a tomar uma decisão em condições que são semelhantes mas não exactamente iguais às descritas no cenário original. Conhecer o caminho ajuda-nos a criar adaptações.

Mesmo que raciocínio não seja necessário para assimilar a solução, o contexto pode ser. Um excelente exemplo disto é “O Alquimista,” de Paulo Coelho. Tudo o que o livro tem a dizer, é dito na última página. No entanto, se pularmos para a ultima página sem ler o resto do livro, vamos achar que é um lugar comum; sabedoria de algibeira.

Ás vezes, é preciso viver os desafios para integrar a solução.

Os livros dão-nos a oportunidade de os viver sem os sofrer.

Fotografia: Pamela P. Stroud Flickr via Compfight cc

A Subtil Arte de Não Aprender

Desde que me lembro, que sou uma esponja de informação. Não sei mesmo ao certo quando começou – suspeito que depois de terminar a faculdade, mas é possível que tenha sido antes.

Cada minuto do meu tempo livre, eu passo a aprender. Se vou caminhar ou fazer exercício, estou a ouvir um podcast ou audiobook. O mesmo a cozinhar ou lavar a loiça. Se estou a comer em casa, estou a ver uma palestra no YouTube. Nem vou para a casa de banho sem um livro ou artigo.

O resultado é que acumulei muito conhecimento, sem dúvida. E como faço um esforço para selecionar as coisas que consumo, até posso dizer que é informação maioritariamente útil.

Mas vou fazer a experiência de parar. Porque acho que, ao mesmo tempo que ganhei conhecimento, perdi capacidade de o aplicar. Porque, ao encher a cabeça de aprendizados, receio não lhe dar, há já muito tempo, capacidade de a digerir.

Foi essa a lição do banho de Arquimedes – a lição que nos diz que a solução para os problemas que nos atormentam surge quando paramos de a procurar. 

O meu tempo tem sido sempre passado à procura de algo.

Agora, vou dar espaço para as soluções surgirem.

Fotografia: scott1346 Flickr via Compfight cc