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Porta de Entrada

É muito difícil convencer pessoas a experimentar videojogos, porque a entrada no mundo exige muito mais esforço e despesa do que outros tipos de arte/entretenimento.

É possível ganhar interesse por cinema de graça, vendo clássicos nos canais de TV habituais, antes de tomar a decisão de investir num leitor de Blu-Ray e um sistema de home cinema. É possível experimentar os clássicos de qualquer género de música na rádio por online, antes de investir numa aparelhagem de alta fidelidade ou num leitor de vinis. E literatura? Livros são baratos e convenientes.

No caso dos jogos, é muito mais complicado. Os jogos populares são sempre os recentes, que exigem computadores potentes ou consolas específicas que custam quase sempre mais de 200€. Os jogos mais velhos, equivalentes aos clássicos do cinema, são na maior parte dos casos indissociáveis de plataformas proprietárias que ou já não se fabricam, ou são tão caras como as novas, ou funcionam mal com os televisores actuais.

A melhor maneira de alguém se iniciar nos videojogos é através do meio que é olhado com desdenho pelos conhecedores – o telemóvel. Há alguma razões para isso: a maioria dos jogos de telemóvel é terrível, não tem uma réstia de qualidade. E mesmo quando um clássico é apresentado no telemóvel, é de uma forma que lhe retira muito da qualidade. 

(Imaginem se a única forma introdutória de ver O Padrinho fosse através de uma camera de telemóvel a filmar o filme a pensar no cinema.)

Ando a pensar numa forma de introduzir pessoas a este meio. Gostava de formular uma lista de 10 jogos de grande qualidade (e que fossem representativos de uma boa variedade de géneros) que estivessem disponíveis para jogar (legalmente) em condições em telemóveis de média gama e/ou computadores de baixa performance (portáteis). 

Sugestões? Deixem nos comentários.

A Prenda Mais Importante Que Podem Oferecer Hoje

Às vezes, vale a pena fazer as coisas que gostamos.

Quando descobri que o Felipe Pepe estava a recrutar voluntários para o ajudar a criar um compêndio da história dos RPGs de computador ( odeio a tradução directa, portanto, para os menos familiares, adianto apenas que a sigla significa “Role-Playing Games”, e fiquemo-nos por aí) soube imediatamente que queria participar.

Nunca imaginei que um dia, esse meu trabalho visse a ser parte de um livro em papel, e muito menos um livro cujos lucros do autor fossem 100% concedidos à caridade – neste caso, à instituição Vocação, que dá formação e encontra emprego para os jovens nas áreas mais desfavorecidas do Brasil. 

Mas assim aconteceu. Podem encomendá-lo aqui, e façam-no sabendo que uma vez feita a primeira impressão, acabou-se. É uma tiragem única e limitada.

Só posso agradecer ao Filipe em triplicado:

Obrigado por ter engendrado um projecto tão apaixonante.

Obrigado por ter suportado os meus atrasos e editado as minhas palavras para melhor.

Obrigado por ter encontrado e tomado a oportunidade de usar esse trabalho para melhorar o mundo.

Nem sempre os video jogos são um desperdício de tempo.

Melhor Com Amigos

Há coisas que são enfadonhas – ou até mesmo de fraca qualidade – a solo, mas que ganham brilho acrescentando amigos. A qualidade é situacional, contextual.

Quando tinha um programa sobre videojogos, debatia-me com o meu co-anfitrião Daniel Costa em relação ao jogo Mario Kart para Switch.

Para mim, o jogo representa o pior exemplo daquilo que um jogo de corridas deve ser. As pistas estão cheias de confusão visual, não é claro o efeito das características das várias peças na performance dos carros, e – o pior pecado dentro do género – às vezes é difícil perceber se o carro está a acelerar ou não. Como jogo de corridas, é uma nódoa.

Mas mesmo assim, é o meu jogo mais jogado na Switch. E porquê? Porque é o jogo que vai para a consola sempre que há visitas. Porque quando estamos a jogar com uns amigos, não interessa tanto se o jogo é bem elaborado – interessa que seja visualmente estimulante, e que dê para nos arreliarmos uns aos outros. 

O mais recente Mario Kart é um péssimo jogo de corridas, mas um excelente jogo para festas.

O contexto é mais importante que a qualidade.