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Fado de Perdição

“Então, se nos encontramos um contra o outro [ numa partida multi-jogador de Doom 2016] e todo o jogo depender, numa perspectiva de design, de  apontar e disparar bem, haverão pessoas que apontarão e dispararão melhor do que tu e eu e há muito pouco que possamos fazer acerca disso. Isso faz da morte uma experiência frustrante, porque significava que tu serias simplesmente melhor que eu.

– Hugo Martin, da id Software (entrevista a Gameindustry.biz )

Pouco que possamos fazer? E que tal… Praticar?

Certamente parte do prazer de jogar um jogo é… Tornar-nos melhores a jogar?

Há poucas coisas que eu odeie. Mas odeio – com todas as minhas forças e toda a minha alma – esta cultura de facilitismo, de imunização contra o fracasso, de protecionismo obsessivo e de redes de segurança.

Como é que estas pessoas encaram uma partida de ténis? Um jogo de xadrez? Um combate de Jiu-Jitsu?!

Nem tudo tem que ser competição. Há lugar no mundo dos videojogos para experiências mais sedadas, mais narrativas. Mas mesmo essas experiências, devem-nos desafiar ; se não a destreza manual, então intelectual. Se não a capacidade estratégica, então a capacidade filosófica. Se não nos desafiam os dedos, que desafiem as nossas crenças e valores!

Jogos são arte, dizem vós?! Arte verdadeira, desafia!
Jogos são desporto, dizem vós?! O desporto, desafia!

Mas aqui não se trata disto. Trata-se de limar as arestas a um jogo que ousava – ousava! – colocar um jogador contra o outro, numa prova de capacidade, de talento. Uma prova que recompensaria o jogador que mais tempo dedicou a dominar o princípios do jogo, e quiçá poderia inspirar o derrotado, por lhe dar um vislumbre do nível que poderia vir a alcançar, desde que investisse do seu tempo e esforço.

Mas não, não podemos arriscar ferir os frágeis egos dos homens e mulheres de 2019. Que a sua vida poderia ser irreversivelmente danificada, a sua alma traumatizada, por se depararem com alguém que joga melhor que eles num modo competitivo de um videojogo!

Está tudo errado. 

5 Anos, 10 Jogos

Acabar o jogo que estava a jogar esta semana, o Hollow Knight, levou-me a concluir que é um dos melhores jogos que joguei desde há muito. Isso, por sua vez, fez-me pensar em quais foram os jogos que mais me impressionaram nos últimos 5 anos. Acabei por chegar a esta lista:

  1. Nier: Automata
  2. Final Fantasy XV
  3. Persona 5
  4. Hollow Knight
  5. Super Mario Odyssey
  6. Destiny II
  7. The Witcher III
  8. Hearthstone
  9. Metal Gear Solid V
  10. Phoenix Wright: The Spirit of Justice

É claro, não joguei todos os jogos que foram lançados desde Outubro de 2014. Essa seria uma tarefa impossível para qualquer ser humano. Mas acho que joguei uma fatia bem representativa.

Nos próximos dias, escreverei um pouco mais sobre cada um…

Nintendo

Jogar videojogos desenvolvidos pela Nintendo é mais do que “divertido”, é uma injecção de felicidade.

Nem sempre fui fã da Nintendo, mas depois da SEGA se afastar do negócio das consolas, descobri que os jogos Nintendo são divertidos de uma maneira que a maioria dos outros não é. (E de uma maneira que os da SEGA costumavam ser, e que hoje, só o são ocasionalmente).

A maioria dos jogos modernos são mais listas de tarefas glorificadas, em que alcançamos micro-objetivos gota-a-gota enquanto controlamos os protagonistas de maneira semi-automática. Jogar a maioria dos jogos modernos é como conduzir um carro automático, em contraste com a caixa de mudanças manual dos jogos clássicos.

(E eu adoro o meu carro automático, mas é porque acho que não há nenhum prazer inerente em meter mudanças. Conheço muitas pessoas que têm prazer em fazê-lo.)

Nos jogos da Nintendo, o mero acto de jogar é uma alegria. A interação entre a personagem  e o ambiente é colorida, agradável e cinética. Existem objetivos, sim, mas o prazer não depende deles – há prazer, há alegria, na jornada entre pontos, em vez de uma cuidadosa e constante dosagem de micro-tarefas ao longo de um caminho sem graça, sintetizada em laboratório para garantir a quantidade ideal de libertação de dopamina. 

Jogar um jogo Nintendo é ser uma criança outra vez; jogar a maioria dos outros jogos modernos é ser um rato de laboratório.

Claro, esta capacidade não é exclusiva da Nintendo, mas a Nintendo é a marca que a entrega de maneira mais consistente. Acho que a Bungie pode ser o outro exemplo, mas a Bungie é um estúdio de um jogo. Por alguma razão, os produtores japoneses tendem a alcançar esse nível com mais frequência do que os ocidentais. Mas ninguém, esteja a leste ou oeste, é tão consistente quanto a Nintendo.

Tenho tempo limitado para jogar, portanto escolho aqueles jogos que me fazem sentir genuinamente feliz como consequência do ato de jogar.

A alegria de progredir através de uma lista de objetivos, posso tê-la  noutras áreas da minha vida.