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E-Learning III

Os incentivos da internet de hoje não são alinhados com qualidade. São alinhados com rapidez de acesso, e quantidade.

Quer dizer que é benéfico para alguém sem fama escrever um artigo rápido ou fazer um curso básico sobre algo que foi desenvolvido durante anos por outra pessoa.

Mas não para aqui. Já vi (é muito frequente no Medium) malta a escrever artigos sobre os artigos dos outros. Invariavelmente os “outros” são autores ou gurus conhecidos . Os novos autores não têm nada a acrescentar, só querem a fama por associação.

Pior, perde-se sempre algo na tradução. O exercício pode ser valioso para eles – afinal de contas, aprendemos melhor quando escrevemos nas nossas próprias palavras – mas só torna mais turvas as águas da informação digital.

É sempre melhor ir à fonte.

E-Learning II

Uma coisa que me chateia é que a maioria dos cursos são em vídeo. 

Prefiro aprender por livros, pois posso fazê-lo ao meu ritmo. Quando estava na faculdade, as aulas eram essencialmente veículos para me ajudar a fazer melhores notas nos livros.

Os cursos online não vêm com bibliografia recomendada, e na maioria dos casos, nem oferecem material de aprendizagem. O que isso significa é que  para aprender a sério, é preciso estar de bloco de notas na mão, constantemente a pausar para tomar notas. 

Acaba por ser quase tão inconveniente como uma aula presencial, com o bonus de podermos escolher as horas, contra o ponto negativo de não dar para interagir com colegas e professores. 

(Nos melhores cursos online há grupos onde podemos interagir com colegas, e isso é fantástico, mas a maior parte do professores não interage com os alunos, o que de certa forma é compreensível – um professor universitário terá talvez uns 100 alunos nas suas aulas, no máximo. Um professor “digital” poderá ter milhares.)

Eis o software que eu construiria, um software de vídeo para e-learning, com as seguintes funcionalidades:

  1. Pode abrir vídeos do YouTube ou directamente de ficheiros.
  2. Tem um sistema compreensivo para deixar marcadores ao longo do vídeo,  classificados com etiquetas. Funcionaria como um sublinhado – marcaríamos a hora de início e a hora de fim.
  3. Criaria um índice automático a partir do qual poderíamos ver e aceder directamente aos nossos “sublinhados.”
  4. A cada marcador, teríamos a opção de deixar uma nota de voz (que poderíamos alternar com a faixa audio original do vídeo) ou de texto.
  5. Daria a opção de exportar todas as notas para papel ou ficheiro audio, acompanhadas do carimbo de hora a que correspondem no vídeo.

É claro que estou muito longe de ter o tempo e conhecimentos necessários para um projecto destes. Portanto, por favor, roubem, e avisem-me quando estiver pronto!

Ser Alguém Que Faz As Coisas Até Ao Fim

A vida é curta demais para se fazer coisas que não se gosta. Isto é um facto, e é motivo para fazer uma mudança de carreira, de relação, e de outras situações contínuas na nossa vida.

Mas há valor em acabar aquilo que tem um final visível. Um projecto, um livro, um videojogo. Deixar coisas a meio é mau para a alma, cria o vício de pular de coisas em coisa, de experimentar e nunca dominar.

Quando levamos algo até ao fim, mesmo algo que já não estamos a fazer com o entusiasmo inicial – e talvez sobretudo neste caso – fortificamos uma narrativa interna acerca de nós próprios, uma narrativa que diz “eu sou uma pessoa que leva as coisas até ao fim.”

É mais util ser essa pessoa, ou ser a pessoa que pula para a próxima coisa ao mínimo sinal de resistência, de aborrecimento?

Pintura: “Preguiça e Trabalho” por Michele Cammarano