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Serendipidade No Local de Trabalho

A centralização e a transparência permitem um tipo de serendipidade que pode levar a resultados inovadores.

Por exemplo, o teu programador pode encontrar uma solução inovadora para o problema que está a bloquear a equipa de marketing. Mas ele só o pode fazer se a malta do marketing tiver as suas discussões a céu aberto, e não em silos dentro do pequeno reino de marketing.

E a transparência é difícil. Mas há algo ainda mais difícil: fazer com que as pessoas queiram saber.

Mesmo que a discussão seja pública, o programador precisa de ter interesse suficiente para procurar, para olhar para as outras conversas na empresa.

Não basta tornar os processos da empresa transparentes. É preciso cultivar interesse nos funcionários.

É isso que é cultura empresarial.

Pintura: “Mercúrio e Argus” por Peter Paul Rubens

Sim Por Defeito

Quando alguém me pede para participar num projecto, a resposta é quase sempre “sim.” Com um asterisco: quem me pediu tem que arrancar. Eu entro depois, como suporte.

A maioria dos projetos nunca vão a lado nenhum. Toda a gente tem uma ideia para um livro, um podcast, um filme, um negócio. Mas quase ninguém tem a capacidade de arrancar, de gerar força suficiente para vencer a entropia e dar os primeiros passos. 

Nesse caso, fui o tipo que disse que “sim.” Uma palavra que não me custou mais do que uns centímetros cúbicos de ar , criou uma ligação de confiança entre mim e outra pessoa, ajudou a construir uma reputação de generosidade. Não tive que fazer mais nada.

E se a pessoa conseguir arrancar? E se o projeto for para a frente?

Então, estou a trabalhar com uma pessoa que sabe fazer coisas arrancar.

Não é uma má posição.

Paixão é para Amadores

Se queres cozinhar, tens que arrumar a cozinha. Nenhum trabalho é só a parte boa. 

Antes de ser director de marketing, trabalhei como escritor freelancer.  Escrevi para muitos clientes. E muitos trabalhos não eram sobre temas que me interessavam. A maioria, até.

Mas não era por isso que os despachava. Ou que os fazia de mau grado. Se os tratava de forma diferente de alguma maneira, era porque me aplicava ainda mais para que ficassem bem feitos, para compensar a minha falta de interesse.

Alguém que trabalha por paixão é um amador. O profissional aparece todos os dias, e faz o trabalho. Goste ou não. O profissional não associa a sua concretização pessoal ao trabalho em si, mas sim à sua capacidade de executar.

Pintura: “Um Médico a Examinar Urina”, por Bigot Trophîme