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Dose Mínima Eficaz

Se uma empresa está em maus lençóis, os funcionários também estão. Com ou sem indenização, é preferível estar empregado do que estar à procura. Então, se as contas estão no vermelho, o mais importante é que elas saiam do vermelho. Em prol disso, podem ser justificados sacrifícios. Nos tempos difíceis, os melhores líderes dividem essa carga entre a administração e os funcionários.

Mas o que distingue mesmo a boa liderança da má liderança é o que acontece depois. É o que acontece quando não só a companhia está no preto, mas lhe sobra mais para investir.

As boas empresas investem em infrastructura, sim – marketing, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento – mas também nas pessoas. 

As boas empresas entendem que quando uma pessoa não está a contar os tostões no final do mês para decidir se pode ou não levar os filhos ao cinema, essa pessoa é mais produtiva. As boas empresas entendem que é irrelevante investir em marketing se os funcionários estão a trabalhar em computadores da idade da pedra, ou investir em computadores novos se os funcionários não têm a devida formação.

As más empresas fazem uma matemática diferente. As más empresas pensam: “Quanto menos eu gastar nesta pessoa, mais posso gastar em infrastructura.  Então, qual é o mínimo que eu posso gastar nesta pessoa para a manter produtiva?”

Isso tem um nome em medicina. A “Dose Mínima Eficaz” – o mínimo de medicamento que se pode dar a um paciente para que o seu organismo consiga combater a doença. Na medicina isto é justificado porque os medicamentos têm quase sempre efeitos secundários indesejados. Já o investimento em pessoas, não tem.

Tratas os teus funcionários como um pilar da tua empresa, ou como uma doença?

Feedback

“Isto não está bem!” Não é útil. Pode ser a tua reação instintiva, e podes até ter razão. Mas não aponta o caminho para melhorar e quase sempre faz com que as pessoas fiquem na defensiva.

(Um aparte: dizer a alguém para não ficar na defensiva quase sempre produz o efeito oposto.)

Em vez disso, faz perguntas: 

  • “Qual foi a intenção por detrás desta escolha de palavras?” 
  • “Como acha que o utilizador irá interagir quando chegar a esta página?” 
  • “O que queres transmitir com este esquema de cores?”

As perguntas são o primeiro passo num processo de melhoria. O julgamento, justificado ou não, impede-o.

Ferramentas do Ofício

Quando tens mesmo que fazer o trabalho, quando não consegues viver sem fazer o trabalho, então as ferramentas não são tão importantes. Escrevi vários capítulos do meu primeiro livro numa aplicação de bloco de notas, no telefone. Boas ferramentas dão-te alento na caminhada, mas não te empurram porta fora.

Mas alguns de vós pediram-me que partilhasse as ferramentas que uso para escrever, portanto aqui estão as principais ferramentas:

Scrivener ( OSX / iOS / Windows) – É isto que uso para escrever os meus livros de ficção. É uma aplicação magistral para escrever livros, desde que este não exijam grandes composições visuais, como por exemplo ilustrações eximiamente formatadas, ou caixas de texto suplementares. É infinitamente personalizável e tem ferramentas para ajudar a qualquer tipo de escrita, desde tratados científicos a ficção histórica. Mas com o pressionar de um botão, passas a ser só tu, um contador de palavras, e uma página em branco. Os produtores disponibilizam uma versão de demonstração generosa – escrevi um livro inteiro utilizando apenas isso.

Pages (OSX, iOS, Web) – Uso isto para textos maiores, ou para qualquer tipo de livro que necessite de uma composição visual mais cuidada (por exemplo PDFs para marketing). Tem duas grandes vantagens em relação à concorrência (Google Docs e Microsoft Word). Em primeiro lugar, é muito mais fluido, especialmente no que diz respeito à manipulação e formatação de imagens. Em segundo lugar, usa etiquetas para categorizar documentos. Não me vou alongar acerca das etiquetas porque é uma questão organizacional e aqui escrevo sobre escrita. Quando queres que a tua escrita seja apresentada de uma forma bela mas não queres andar frustrado(a) às cabeçadas no teclado? A tua melhor amiga é uma aplicação fluída e com menus de formatação e estilo intuitivos. É o que o Pages oferece. A versão web é muito pior, mas funciona.

Bear App (OSX, iOS) – Para escritos breves. 99% dos textos neste blog são escritos no Bear. Tem uma interface belíssima e minimalista, formatação robusta com base em chaves de cardinal, e facílima exportação para uma larga variedade de formatos. É um Evernote sem banhas, afinado para escritores. Eu uso a versão paga para sincronizar entre dispositivos, mas se isso não te interessa, a versão gratuita tem tudo o resto. A equipa de desenvolvimento prometeu trabalhar numa versão web, mas sem data definida.

Fotografia por Leah Kelley (Pexels)