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Mais Vale Ter Compromisso do que Ferramentas

Apesar de ter um conjunto robusto de ferramentas para o meu oficio, estou sempre a cobiçar novas ferramentas. 

Só hoje, andei a “namorar” o seguinte:

  • Um iPad novo ( a funcionalidade de notas escritas, que meu iPad velho não tem, é muito sedutora)
  • Um novo programa de email
  • Um novo programa para colecionar materiais de pesquisa
  • Um programa para sublinhar e anotar PDFs no iPad

E hoje não foi um dia invulgar. A verdade é que para qualquer ofício característico, há uma industria inteira a criar ferramentas cada vez melhores e mais sedutoras. E qualquer uma dessas ferramentas me seria útil; não as quero só pelo factor novidade ou por vaidade. 

Mas o facto é que também não vão transformar o meu trabalho. O meu trabalho é este: o de escrever estas linhas. O de ler, e pensar naquilo que leio, e conciliar e converter esses conceitos em algo de valor para outros.

Todas as ferramentas do mundo podem diminuir o atrito de fazer esse trabalho, sim, mas são apenas acessórios. Podia fazer o trabalho com uma impressora, lapis e um processador de texto.

O compromisso de fazer o que faço todos os dias – pesquisar, ler, escrever – isso sim, é insubstituível.

As ferramentas são algo que serve para facilitar o teu trabalho; não deixes que elas (ou a falta delas) te afastem desse mesmo trabalho.

Vou Moderar Um Painel Sobre Remote Work

Sou um grande defensor do valor do trabalho. O trabalho é um dos pilares fundamentais da nossa vida. Quando actuo como coach, o trabalho é uma das três areas mais importantes a melhorar para conseguir o maior impacto na trajetória pessoal dos meus clientes.

Mas se o trabalho é uma coisa vital, a maneira como a maior parte de nós o pratica é terrível. Há todo um conjunto de normas, protocolos, sistemas, atitudes e estruturas que são completamente descabidas na sociedade moderna, e que no entanto ficaram completamente fossilizadas antes do virar do século, e que continuam a caracterizar a nossa vida laboral.

O trabalho devia ser uma componente importante das nossas vidas. Em vez disso, o que se passa é que o trabalho consome a maior parte das nossas vidas.

Eu acreditei que havia um caminho melhor. E foi por isso que deixei quase completamente de actuar como dentista para me dedicar – com o apoio da DistantJob – a aprender, formar e disseminar o “Remote Work” pelo mundo empresarial. 

A minha ambição: ajudar cada vez mais empresas a criar a possibilidade dos seus funcionários trabalharem fora do escritório. Em casa, em viagem, no seu café favorito – onde quer que se sintam mais produtivos, onde melhor possam integrar o trabalho com as suas vidas.

Parte do que faz deste um caminho fantástico de trilhar, é que quem está nele está a ser pioneiro de uma nova forma de trabalhar. E a minha maneira de o fazer é recolhendo informação, falando e aprendendo com quem o faz, para depois poder melhor organizar e transmitir essa informação ao resto do mundo.

É por isso que vou estar a moderar o próximo painel da GrowRemote e WorkRemote em Lisboa. Nele, vou falar com líderes da GitLab, Nestlé e comOn acerca de como medir a performance de pessoas que trabalham fora do escritório, e como os ajudar a traçar um caminho de progressão na carreira.

Vai ser no próximo dia 14 de Setembro em Lisboa, entre as 16:00 e as 18:00, no belo e confortável espaço de CoWorking, o Selina Secret Garden – a 5 minutos a pé do metro do Cais do Sodré. Inscrevam-se (gratuitamente) aqui

Vamos continuar a construir o futuro do trabalho!

Educação a Mais

O mito moderno: que mais educação é a resposta para todos os problemas.

Sou fã de educação. Mas não concordo com o supracitado. A acção tem primazia sobre a educação. A educação é, com frequência, mais uma desculpa para adiar acção.

Se vais fazer algo, começar algo que nunca fizeste antes, é inteligente e muitas vezes necessário procurar educação. Fazer um curso, ou ler um livro. É importante ter as bases, o ponto de partida.

Mas a partir daí, é preciso fazer. A partir do arranque, a educação deve ser complementar à acção: deve-se procurá-la para resolver entraves no caminho, ou para prosseguir para um novo nível de mestria, quando atingido um planalto. Não se deve procurar educação só porque sim. 

A educação é uma ferramenta, não uma filosofia.

Coisas que, durante um processo, uma viagem, um projecto, são mais úteis do que ler mais um livro, ou fazer mais um curso:

  1. Encontrar um mentor ou um coach que consiga observar o teu processo e avaliar-lo objectivamente. Que consiga apontar zonas específicas onde melhorar.
  2. Fazer parte de uma comunidade com os mesmos objectivos. A troca de conhecimentos é uma forma de aprendizado, com certeza, mas é a motivação que advém da presença de camaradas, e a pressão inerente a querer acompanhar o grupo, que pode ajudar a superar muitos obstáculos.
  3. Fazer experiências. Considera gastar o tempo e dinheiro que gastarias em aprendizado, a experimentar algo novo, e ver como corre.

Aprender a ler, ver e ouvir, é bom.

Aprender a fazer, é melhor.

Fotografia: marcoverch Flickr via Compfight cc