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A Primeira Lei de Marketing

Hoje estava a andar pela baía da terra onde vivo e dei por mim a ponderar a viabilidade dela em caso de aumento dos mares, face ao aquecimento global. (Como é normal.)

Visto que a baía é rodeada por montanhas relativamente altas, parece-me que uma barragem no estreito que a liga ao mar resolveria o assunto com alguma eficiência. É claro que as montanhas não se estendem para sempre. O mar, eventualmente, seria capaz de as contornar. Mas provavelmente não ao ponto de as conseguir rodear.

A consequência – na minha imaginação – seria que a vila ficaria rodeada de pântanos. 

E foi aí que reparei como é que eu visualizo pântanos. Pântanos, para mim, são os lodaçais cinzentos pixelizados do velho jogo Ishar II, um dos primeiros RPGs que joguei.

Sim, já vi pântanos ao vivo. Já joguei dúzias de videojogos com pântanos mais realistas, mais bem realizados, e já li muitas descrições de pântanos em livros e vi ainda mais em filmes.

Mas foram os pântanos de Ishar II que ficaram para sempre associados à palavra, na minha mente.

Num produto, a qualidade é importante. A inovação, é importante. 

Mas ser o primeiro? É impagável.

E-Learning I

Ontem fui convidado a inscrever-me num curso elaborado por um dos meus gurus de marketing favoritos. 

Fiquei chocado com a página de oferta.

Em termos de marketing, o trabalho é fantástico. Tem tudo o que é preciso: prova social, um design profissional, muito apelo à emoção, estabelecimento das credenciais dos instrutores, uma secção de perguntas e respostas onde se eliminam os medos dos potenciais compradores.

A única coisa que falta? O currículo, o programa, a folha de conteúdos.

Algo está muito errado quando mostrar quem dá o curso é mais importante do saber em detalhe o que se vai aprender nele.

Vale a pena usar um bom nome – especialmente quando ele foi conquistado de forma meritória – mas usá-lo quase exclusivamente como argumento de venda? 

Há aí uma falha de humildade.

Fotografia: mikemacmarketing Flickr via Compfight cc

Inércia

As duas coisas mais valiosas no marketing moderno são permissão e atenção.

Se conseguirmos agarrar a atenção de alguém por tempo suficiente e formular uma razão suficientemente sólida para que essa pessoa nos forneça seu precioso endereço de e-mail – permitindo-nos entrar no espaço quase sagrado e privado de sua caixa de entrada – isso é uma grande vitória. Essas pessoas demonstraram interesse no que estamos a vender, e até fizeram o esforço para conectar connosco.

Se, então, deixarmos de fazer a venda, isso significa que estamos a fazer a promessa errada, ou que estamos a entregar um valor abaixo do esperado. As pessoas estão a convidar-nos para entrar na sua casa digital, abriram-nos a porta, e nós entramos e sentamo-nos na sala de estar, onde ou ficamos calados, ou dizemos disparates.

Isso é um desrespeito para com as pessoas nos confiaram a sua permissão, e um desperdício das nossas capacidades e oportunidades.

O maior obstáculo à venda é a inércia. É fácil e natural não fazer nada. Ficar parado. Não tomar nenhuma ação.

Esse é o estado dos 1.000.000 visitantes que chegam à vossa página todos os dias. Conseguir que até 1% deles aja, que nos dê permissão, isso é bom. Pode melhorar, mas mesmo assim, é bom.

Mas e se depois disso, só conseguimos que o produto seja adoptado por 1% dos 1% que tomaram acção, que nos deram permissão?

Isso é uma tragédia. Podemos fazer melhor.

Pintura: “Mercúrio e Herse” por Jan van Boeckhorst