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E-Learning I

Ontem fui convidado a inscrever-me num curso elaborado por um dos meus gurus de marketing favoritos. 

Fiquei chocado com a página de oferta.

Em termos de marketing, o trabalho é fantástico. Tem tudo o que é preciso: prova social, um design profissional, muito apelo à emoção, estabelecimento das credenciais dos instrutores, uma secção de perguntas e respostas onde se eliminam os medos dos potenciais compradores.

A única coisa que falta? O currículo, o programa, a folha de conteúdos.

Algo está muito errado quando mostrar quem dá o curso é mais importante do saber em detalhe o que se vai aprender nele.

Vale a pena usar um bom nome – especialmente quando ele foi conquistado de forma meritória – mas usá-lo quase exclusivamente como argumento de venda? 

Há aí uma falha de humildade.

Fotografia: mikemacmarketing Flickr via Compfight cc

Inércia

As duas coisas mais valiosas no marketing moderno são permissão e atenção.

Se conseguirmos agarrar a atenção de alguém por tempo suficiente e formular uma razão suficientemente sólida para que essa pessoa nos forneça seu precioso endereço de e-mail – permitindo-nos entrar no espaço quase sagrado e privado de sua caixa de entrada – isso é uma grande vitória. Essas pessoas demonstraram interesse no que estamos a vender, e até fizeram o esforço para conectar connosco.

Se, então, deixarmos de fazer a venda, isso significa que estamos a fazer a promessa errada, ou que estamos a entregar um valor abaixo do esperado. As pessoas estão a convidar-nos para entrar na sua casa digital, abriram-nos a porta, e nós entramos e sentamo-nos na sala de estar, onde ou ficamos calados, ou dizemos disparates.

Isso é um desrespeito para com as pessoas nos confiaram a sua permissão, e um desperdício das nossas capacidades e oportunidades.

O maior obstáculo à venda é a inércia. É fácil e natural não fazer nada. Ficar parado. Não tomar nenhuma ação.

Esse é o estado dos 1.000.000 visitantes que chegam à vossa página todos os dias. Conseguir que até 1% deles aja, que nos dê permissão, isso é bom. Pode melhorar, mas mesmo assim, é bom.

Mas e se depois disso, só conseguimos que o produto seja adoptado por 1% dos 1% que tomaram acção, que nos deram permissão?

Isso é uma tragédia. Podemos fazer melhor.

Pintura: “Mercúrio e Herse” por Jan van Boeckhorst

O Regresso do Emoji

Se há um tema recorrente nas pessoas que entrevisto no meu podcast acerca de trabalho remoto (isto é, pela internet) é que temos todos um ego muito frágil quando lemos comunicação por escrito. É fácil sentir que os outros nos estão a desrespeitar, ou ao nosso trabalho. Que estão a interromper o nosso ritmo ou a descarregar afazeres em cima de nós como se não tivéssemos mais que fazer.

Eu digo que é o “efeito Twitter”: escrevemos uma mensagem curta, e alguém, em algum lugar, fica ofendido por alguma razão.

A nível de gestão de equipas, isto é um problema, porque não é pratico estar sempre em chamadas uns com os outros. TEM que haver uma forma de nos expressarmos através de texto, mas com mais empatia, certo? 

Se ao menos houvesse alguma forma de transmitir linguagem corporal por texto…

É claro que há. Aqueles de nós que chegaram a conhecer a cultura de IRC e de SMS conhecem bem essa tecnologia, e muitos jogos online nunca deixaram de a usar: o emoji.

Está disponível em todos os programas de chat. Mas por alguma razão, raramente é usado em conversas de contexto profissional. Mas porquê? Quando as pessoas trabalha, num escritório, não sorriem? Não fazem expressões com o rosto?

Vamos trazer de volta o emoji, pessoal? 🙂