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A Arte da Guerra (II)

“Na guerra, a regra é: se a nossa superioridade for de dez para um, cercar o inimigo; de cinco para um, atacá-lo; de dois para um, dividir o nosso exército em dois.”

— Sun Tzu, “A Arte da Guerra”, Capítulo III: Atacar Através de Estratagemas

Consideremos soldados como recursos; um recurso não tem que ser uma pessoa ou um objecto, pode ser uma característica pessoal: a nossa capacidade técnica, ou força de vontade.

Quando a nossa capacidade é de tal maneira superior à tarefa, que temos a certeza de a conseguir esmagar como um insecto uma vez tomada a decisão, não há pressas. Deixe-mo-la até ser absolutamente necessária, ou como fonte de motivação, para uma ocasião em que a nossa energia esteja em baixo e possamos fazer um festim de uma vitória fácil.

Tarefas que, por outro lado, nos sintamos em plena capacidade de fazer, mas não sem esforço, essas devem ser atacadas assim que possível, pois deixá-las pendentes é dar ao inimigo tempo de aumentar os seus números, ou de fortificar a sua posição. Uma tarefa, um projecto, uma obrigação – todas estas coisas tendem a ganhar vida própria quando deixadas de parte muito tempo. Aproveita enquanto tens a vantagem.

E o desafio? O desafio requer ponderação. Requer estratégia – dividir o exercito em dois para flanquear? Ou dividir em dois para atacar como uma força equiparável, e manter uma reserva fresca, pronta a avançar como uma segunda onda sob um inimigo cansado? Talvez aplicar tácticas de guerrilha?

Para as tarefas, compromissos, projectos, obrigações – para essas temos as respostas simples descritas acima. Faz agora, ou deixa para logo, dependendo do diferencial de poder. 

Mas para desafio, não há respostas simples; cada situação exige a sua própria estratégia, a sua dose de preparação. Apenas há uma certeza: uma carga desorganizada não nos vai levar a lado nenhum.

A Arte da Guerra (I)

”Embora tenhamos ouvido falar de pressa estúpida na guerra, a inteligência nunca foi vista associada a grandes demoras.”

Sun Tzu, “A Arte da Guerra”, Capitulo II: Condução da Guerra

Mais um exemplo de uma obra clássica que não oferece respostas fáceis, e no entanto, nos relembra de um princípio fundamental: em tudo, equilíbrio. 

Como diz o provérbio judaico: “Mede sete vezes; corta apenas uma.” A preparação e a precisão são a primeira fase de qualquer plano, e são essenciais para o sucesso. 

Mas o que Sun Tzu aponta é que, a determinado ponto, é preciso confiar que a preparação está na melhor condição que nos é possível, e partir para a acção. O plano perfeito não existe – até porque o encontro com o inimigo obriga sempre a mudanças. 

Perseguir a perfeição, então, é ficar a planear até que o inimigo nos tenha cercado, nos esteja a bater à porta.

A Queda

Magoei uma pessoa. E não foi por maldade, mas também não foi por acidente. Foi por matemática, por optimização. Foi puramente racional.

Tenho um problema em confiar nas pessoas – assumo o pior – e isso leva-me a tentar manter em aberto Planos B no caso das pessoas me desapontarem. No caso de elas se revelarem não ser aquilo que parecem ser.

Mas quando alguém se dedica e deposita confiança em ti, descobrir que existe um Plano B – que a pessoa é, essencialmente, substituível – magoa.

Este blog existe para partilhar as coisas que vou descobrindo, na minha viagem para me tornar um homem melhor. Desta vez, estive aquém desse ideal. 

Mas não quero deixar de documentar o facto. Há demasiados relatos de sucesso na internet. Toda a gente caí, mas ninguém fala disso.

Eu estou a falar disso, porque quero o registo aqui – para me ajudar a lembrar que posso e devo ser melhor.

Pintura: Nebuchadnezzar por William Blake