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Citação I

Para ponderar no fim-de-semana, uma citação que sublinhei recentemente, e me tem estado na cabeça:

“Dor é inevitável, mas sofrimento é opcional.”

— Sem fonte, encontrado no livro “Aceitação Radical”, por Tara Brach

Coisas más – e dolorosas – acontecem-nos a todos; por nossa culpa, por culpa dos outros, ou pelo rolar dos dados do universo. Nem o mais forte de nós é imune à dor. 

Mas as histórias que contamos a nós próprios, os filmes que passamos na nossa cabeça acerca da origem, razão, justiça, valor, consequências da dor – isso é connosco. 

Pintura: “Os Lictores Retornando a Brutus os Corpos de seus Filhos” por Jacques-Louis David

Alta Definição

Meditar não é buscar um estado mental ou físico sublime. Meditar pode conduzir a isso – especialmente na vertente de exercício de respiração – mas não é esse o propósito da meditação.

O propósito da práctica de meditação é, em primeiro lugar, notar os filtros que aplicamos à nossa vida, à nossa percepção. Filtros que cobrem toda a nossa experiência sensorial constantemente, e que são invisíveis a menos que:

  1. Aprendamos acerca da sua existência.
  2. Treinemos a concentração necessária para os detectar.

Usamos óculos para ver com mais clareza. Compramos televisores maiores para melhor apreciar a arte da cinematografia ou do desporto. Usamos auscultadores de melhor qualidade para apreciar com mais definição o som do instrumento e a voz do cantor.

Nenhuma destas experiências, por refinadas que se tornem, nos conseguem levar ao mesmo sítio que a meditação nos leva. 

Mas a meditação, uma vez chegado a determinado patamar, clareia a nossa experiência de todas estas coisas – e de tudo o resto.

Ser a Pessoa Mais Burra na Sala

Tento sempre ser a pessoa mais burra na sala. Ou na equipa. Não tenho interesse em contratar pessoas menos inteligentes que eu. Porquê?

  1. Se eu sou o melhor a fazer uma coisa, faz sentido ser eu a fazê-lo. Porque pagar a outrem para tratar dessa tarefa, se eu faço melhor?
  2. Se eu sou o mais burro, então posso aprender com todos os outros. Ninguém tem mais possibilidade de crescimento que eu. É uma excelente posição para ocupar.
  3. O verdadeiro teste de mestria é saber ensinar. Quando eu sei menos que os que trabalham sob a minha alçada, isso força-os a explicar-me as coisas, a ensinar-me. Isto pode ser ligeiramente irritante para eles numa primeira instância, mas ao ensinar-me, eles mesmos vão conseguir reparar em detalhes que antes tinham passado despercebidos. Ter que me explicar coisas força-os a reavaliar e aprimorar o seu conhecimento.

A relação entre mestre e aprendiz não funciona num único sentido; é reciproca e simbiótica.

Se és a pessoa com mais conhecimento na sala, estás na sala errada.

Pintura: “Os Jograis Divertem-se Mais” por Adriaen Pietersz van de Venne