Arquivo da Categoria: Filosofia

Dinheiro e Percepção

“Um dia, Yahya estava em viagem com o califa Harun Al-Rashid. Um homem apareceu diante do califa e disse-lhe: “A minha mula morreu”. Ao ouvir isso, o califa ordenou que o pobre homem recebesse quinhentos dirhams.

Mas Yahya sinalizou ao califa para desmontar e depois levou-o para o lado. 

“Pai!” Disse Harun. “Fez-me um sinal sobre algo que eu não entendo.” Yahya respondeu: “Um califa nunca deve se rebaixar a mencionar uma quantia tão pequena de dinheiro, até mesmo como presente. Quando é necessário dar, é melhor dar cinco mil ou dez mil. 

Harun perguntou-lhe: “Então, o que deveria eu ter feito nesta situação?” Yahya disse: “Ofereça-lhe simplesmente uma mula nova.”

 — A Sabedoria e Generosidade de Yahya Ibn Khalid (Inglês – Tradução original por Quintus Curtius)

O valor do dinheiro é diferente para cada um de nós. É por isso que um presente de dinheiro é ingrato: é raro a nossa percepção do valor corresponder à percepção da outra pessoa.

A generosidade monetária de um homem pode assemelhar-se à avarice de outro; e, mesmo que ambas as partes fiquem satisfeitas com a dádiva, o julgamento dos que a testemunhem é sempre uma incógnita.

Mais sensato, portanto, é descobrir o que é que a outra pessoa deseja, e, estando dentro da nossa possibilidade, oferecer isso.

Nem mais, nem menos; a arte da generosidade é uma arte que exige medidas certas.

Fotografia: stephenbarber Flickr via Compfight cc

Em Retrospectiva

Como pessoas, somos uma amálgama de biologia e experiências. 

A biologia é directamente determinista. As experiências não o são. 

A posse de um determinado conjunto de dados e a interação desse conjunto de dados com a biologia de uma pessoa é o que vai formar a sua personalidade, capacidade cognitiva, gostos, e tudo o que o define como um indivíduo. 

O que as experiências fazem é inserir dados no sistema que somos nós.

A pessoa que somos é uma consequência das experiências a que a nossa entidade biológica foi exposta.

Logo: a pessoa que somos depois de uma experiência (marcante? especial?) é uma pessoa diferente da que iniciou a acção, que deu início à experiência.

É por isso que não faz sentido sentir arrependimento pelos erros do passado. 

Aprender com eles, sim. Claro. É uma tragédia se não aprendermos com eles. Mas arrepender-nos do que foi feito?

Qual o sentido de nos arrependermos de algo que outra pessoa fez?

Fotografia: nimishgogri Flickr via Compfight cc

O Banho de Arquimedes

O que escrevi há dois dias sobre aprender, é igualmente verdade para a produção.

Trabalhar é admirável. Produzir é admirável. É o trabalho, o nosso trabalho – o trabalho que traz novos objectos, ideias ou sistemas ao mundo, ou que faz com que os objectos, ideias ou sistema existentes se mantenham devidamente funcionais – que acrescenta valor à existência de todos.

Mas se estivermos todos sempre a produzir, de onde surge o novo?

O problema da produtividade é que não deixa espaço para a criatividade.

Vou tentar passar a ser um pouco mais (produtivamente) preguiçoso.

Fotografia: Tabbymom Jen Flickr via Compfight cc