Arquivo da Categoria: Filosofia

Tempo (II)

O tempo é um conceito relativo, subjectivo, e elástico.

Há quem diga que devemos colocar tudo no nosso calendário, desde a hora de começar o trabalho até à hora para ver um filme com o namorado ou namorada.

Há quem diga que, por outro lado, é essencial ter blocos de tempo generosos, sem nada; que é desse nada que surge a inspiração, a criatividade.

Não sei qual das duas aproximações é mais correcta. Suspeito que, como na maioria das coisas, a virtude esteja no meio.

Mas uma coisa que noto comigo, é que a fase da vida em que tinha objectivamente mais trabalho, era também a fase da vida em que, de alguma forma, encontrava tempo para fazer mais coisas.

Relativo. Subjectivo. Elástico.

Os Segredos Que Estão À Vista de Todos

No último episódio de um dos meus podcasts favoritos, o “The Tim Ferriss Show,” o convidado fala – entre muitas outras coisas –  da sua infância como ilusionista. A passagem que mais me chamou a atenção:

(Estou a citar de memória; não são estas as palavras exactas.)

“Não quero explicar no ar como se fazem esses truques. É considerado má forma, na comunidade de ilusionistas. São segredos. É claro, são segredos, mas são públicos – estão todos nos livros! O que se passa é que ninguém lê livros.”

É verdade. Há muitas coisas que parecem (e são!) complicadas de fazer e que por isso afastam a maioria das pessoas, mas na realidade, quase tudo se consegue aprender com dois ou três bons livros. 

Deste fazer amigos a construir uma casa; desde investir na bolsa de valores, a pintar um quadro; desde reparar um automóvel a fazer um lago no quintal. E sim, fazer truques de magia daqueles que as pessoas pagam para ir ver numa noite de fim-de-semana.

É claro, o sucesso passa pela prática, pelo treino, pela tentativa e erro e pela capacidade de suportar o fracasso e tentar novamente. Mas o mapa, esse está nos livros.

É só ler.

Fotografia: Daniel Mennerich Flickr via Compfight cc

A Arte da Guerra (II)

“Na guerra, a regra é: se a nossa superioridade for de dez para um, cercar o inimigo; de cinco para um, atacá-lo; de dois para um, dividir o nosso exército em dois.”

— Sun Tzu, “A Arte da Guerra”, Capítulo III: Atacar Através de Estratagemas

Consideremos soldados como recursos; um recurso não tem que ser uma pessoa ou um objecto, pode ser uma característica pessoal: a nossa capacidade técnica, ou força de vontade.

Quando a nossa capacidade é de tal maneira superior à tarefa, que temos a certeza de a conseguir esmagar como um insecto uma vez tomada a decisão, não há pressas. Deixe-mo-la até ser absolutamente necessária, ou como fonte de motivação, para uma ocasião em que a nossa energia esteja em baixo e possamos fazer um festim de uma vitória fácil.

Tarefas que, por outro lado, nos sintamos em plena capacidade de fazer, mas não sem esforço, essas devem ser atacadas assim que possível, pois deixá-las pendentes é dar ao inimigo tempo de aumentar os seus números, ou de fortificar a sua posição. Uma tarefa, um projecto, uma obrigação – todas estas coisas tendem a ganhar vida própria quando deixadas de parte muito tempo. Aproveita enquanto tens a vantagem.

E o desafio? O desafio requer ponderação. Requer estratégia – dividir o exercito em dois para flanquear? Ou dividir em dois para atacar como uma força equiparável, e manter uma reserva fresca, pronta a avançar como uma segunda onda sob um inimigo cansado? Talvez aplicar tácticas de guerrilha?

Para as tarefas, compromissos, projectos, obrigações – para essas temos as respostas simples descritas acima. Faz agora, ou deixa para logo, dependendo do diferencial de poder. 

Mas para desafio, não há respostas simples; cada situação exige a sua própria estratégia, a sua dose de preparação. Apenas há uma certeza: uma carga desorganizada não nos vai levar a lado nenhum.