Arquivo da Categoria: Aleatório

Um Dia de Cada Vez

Já lá vão mais de cem escritos desde Novembro do ano passado. Um por dia, foi o que me comprometi, e apenas duas vezes (ou terá sido uma só?) falhei.

Este espaço não é surdo aos vossos comentários. A pedido dos leitores (ou, verdade seja dita, da leitora, mas às vezes uma pessoa diz o que muitos estão a pensar; espero que seja esse o caso) agora há um arquivo, que podem usar para explorar o blog dia-a-dia.

Podem encontrá-lo já ali na barra de navegação à vossa esquerda, a pedir pelos vossos cliques.

(Sim, há dias em branco, mas meramente porque publiquei depois da meia-noite; o dia seguinte terá dois escritos.)

Obrigado pelas vossas visitas, pela vossa atenção.

Pintura: “O Panteão na Carruagem de Apolo” por Nicolas Bertin

Demasiado

Qual é o preço que tu pagas pela tua ambição?

Qual é o limite do que podes fazer?

Quantas coisas podes fazer ao mesmo tempo, a quantas coisas te podes dedicar?

O que é que está a sofrer por esta tua busca por… o quê?

O que é que tu queres?

Tu queres dinheiro.

Tu queres fama.

Tu queres sucesso.

Tu queres família.

Tu queres diversão.

Tu queres saúde.

Tu queres segurança.

É demasiado.

É demais.

São coisas demais.

Não cabe tudo num dia.

Não cabe.

Como é que os outros conseguem?

Nos Ombros de Gigantes

Um dos perfis que mais gosto no antepenúltimo livro de Tim Ferriss, o “Tools of Titans” (onde ele compila as melhores partes de vários anos de entrevistas) é o do Kevin Costner. 

É um dos perfis mais curtos, não chega a ter duas páginas, mas acho que a edição é magistral; a primeira parte e a segunda demarcam eximiamente um arco da vida pessoal do actor e realizador.

Num dos primeiros parágrafos, ele conta como quase que morria num acidente de viação, mas deixou o carro espatifado no meio do nada, e pediu boleia até à audição para onde se dirigia. Não conseguiu o papel, mas disse ter sido aí que se apercebeu, finalmente, que era isto que queria, que não se ia importar como que o mundo e a família pensavam acerca das suas escolhas.

Num dos últimos parágrafos, o actor narra uma troca de palavras que teve com o seu pai, muitos anos depois, depois de já ter alcançado o sucesso do estrelato mundial. O seu pai lamenta-se, de forma sentida, de nunca ter tomado nenhum risco na vida. Que se manteve no mesmo emprego a vida toda porque queria que, acontecesse o que acontecesse, “houvesse sempre comida na mesa.”

A única coisa que o seu filho lhe conseguiu dizer foi: “E houve. E houve.”

Às vezes, não tomamos riscos não por sermos cobardes, mas para que os que se nos seguem tenham a oportunidade de os tomar.