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Homens (Mortos) em Colãs

Lembro-me vagamente do dia em que recebi a minha primeira banda-desenhada de super-heróis. Foi uma segunda opção. O que eu queria mesmo era um Pato Donald ou um Tio Patinhas, mas não havia na tabacaria nenhum que eu não tivesse já lido. Por isso, assim meio contrariado, aceitei levar uma cópia do Homem-Aranha.

Não foi mau. Não me apaixonei, mas gostei suficiente para dar os primeiros passos dentro desse novo género de banda-desenhada.


Passados alguns anos, vão deixar de haver bandas desenhadas da Marvel em Portugal. Ou se calhar foi apenas na região em que eu vivia? Era um puto, e isto são as minhas recordações portanto não vale o trabalho de ir pesquisar. Não sei se foi uma coisa local ou nacional, nem se a razão foi não haver vendas suficientes, mas sei que as senhoras e senhores das tabacarias onde eu os comprava me avisaram que iam deixar de ter as traduções Brasileiras das bandas desenhadas que eu tanto gostava.

De certa forma, até foi fixe. O fim destas edições coincidiu com a história em que o Legião apagava o universo. Fez sentido. Um bom desfecho.


Passaram-se mais anos. Depois de um torneio de Magic the Gathering (não, não ganhei, só ganhei um torneio em toda a minha vida e a única coisa que ganhei foi uma T-shirt rasca, deixem-me em paz!), o tipo que me vendia as cartas mostrou-me as novas edições Marvel em Português Europeu, publicadas pela Devir.

Um dos meus colegas jogadores está a comprar uma. A edição (Portuguesa) número 1 dos (Fantásticos? Magníficos? Qualquer coisa boa.) X-Men. É belíssima – a Devir adoptou o modelo Americano, muito maior do que as edições Brasileiras a que estávamos habituados em Portugal, e em papel de muito melhor qualidade do que aquele que era típico nas nossas importações (ligeiramente melhor do que papel higiénico). 

Excitado como estava, pousei os ombros no balcão para ver melhor. O meu ombro arrasou com o canto da edição novinha em folha que o meu amigo tinha acabado de comprar. Ele entrou em pânico, a tentar freneticamente alisá-la. 

Na altura, já tinha dois irmãos mais novos. Estava habituado à eventual destruição de todas as minhas posses. A ideia de “colecionismo” era-me alheia. Achei caricato, mas tive pena do tipo, por isso comprei-lhe uma nova e fiquei com a machucada para mim.

Foi assim que voltei às BDs da Marvel.


Stan Lee, o homem cujo nome adornou as capas e tantos títulos dessas bandas desenhadas, morreu a 12 de Novembro de 2018. 

Hoje, raramente leio bandas desenhadas, e quando as leio, não são da Marvel. Enjoei. Sinto que já as li todas. A narrativa é constantemente regurgitada. Todos os heróis que morrem, de forma valente ou trágica, acabam por voltar à vida, fruto de um qualquer Deus Ex Machina.

Talvez algum dia descubramos uma forma de trazer os mortos de volta à vida, e ressuscitemos o velho Stan, como fazemos a tantos dos heróis na criação dos quais ele teve um dedo (ou mais).

(E sim, eu sei que a ressureição do herói é um tema mitológico e uma metáfora, mas é usado e abusado em demasia!)

Stan Lee morreu nesse dia. Ele, e aproximadamente 155519 outras pessoas. Provavelmente mais, porque duvido que fora do mundo ocidental sejam tão rigorosos a recolher estatísticas de mortalidade. Penso em algo do género sempre que alguém famoso morre.

Gostamos de dizer que somos todos iguais, que temos todos o mesmo valor. Mas as pessoas que brandam isto mais alto são as primeiras a vir lamentar a morte do famoso, sem dispensar uma mera oração para qualquer uma das outras pobres almas desconhecidas que partilharam do seu destino, nesse dia.

Todas as pessoas são importantes. Todas as pessoas têm uma faúlha do Divino dentro de si. É esta a premissa base para muitos dos sistemas em que se assenta a nossa civilização ocidental. Mas nem todas as pessoas nos tocam com o seu trabalho, com o seu engenho, nem todas as pessoas nos podem ser conhecidas. O trabalho de Stan Lee tocou muita gente, a muitos níveis. Foi curta a fase da minha vida em que fui fã da sua criação, mas fico grato pelas alturas, aqui e ali, em que me cruzei com as crianças da sua criatividade.

Ele idealizou, imaginou, criou imortais. Pergunto-me quanto tempo durará a sua própria imortalidade.

Espaço

É difícil ir para o espaço. O maior problema é a quantidade enorme de energia (leia-se: combustível) que é necessária para contrariar a força da gravidade. Quanto mais combustível é preciso, maior o peso, e portanto, ainda mais difícil é contrariar a gravidade. É um ciclo vicioso.

A resposta é, claro, desenvolver combustíveis mais eficientes – com maior produção de energia por unidade de massa.

Porque é que é importante ir para o espaço? Afinal de contas, não nos faltam problemas para resolver neste planeta.

Algumas razões:

  1. O nosso planeta tem recursos limitados. A situação não é tão negra como os média e os activistas de algibeira nos querem fazer parecer. Até nem estamos nada mal, por enquanto. Mas a tendência é piorar, não melhorar – e se esperarmos até ter falta de recursos, ir para o espaço vai-se tornar cada vez mais difícil.
  2. Face à conclusão de que o que precisamos para ir para o espaço são fontes de energia mais eficientes, desenvolvê-las resolveria muitos outros problemas. Energia mais eficiente é mais barata e pode beneficiar mais pessoas, com menos custos para o planeta. Melhora condições económicas e ambientais.
  3. A espécie humana está cada vez mais conflituosa. Não acredito que isto se deva só a problemas económicos e políticos. A nossa história é de exploração e conquista. Agora que já exploramos e conquistamos (quase) tudo, o nosso excesso de energia leva-nos a criar conflitos internos. A exploração espacial pode vir a servir como uma válvula de escape para toda esta energia latente da humanidade.

Há muita gente a trabalhar para nos levar ao espaço. Mas não tanta quanto deveria haver.

Fotografia: miikajom Flickr via Compfight cc

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Imagem Por: Ωméga * Flickr via Compfight cc