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Campainhas

Há alguns meses tive um problema sério – a campainha do meu condomínio deixou de funcionar. Não descansei enquanto não resolvi o problema; afinal de contas, é muito difícil viver sem uma campainha!

Como é que a carteira pode entregar encomendas? E se um amigo ou familiar vier visitar, como os posso deixar entrar?

Hoje precisei de falar com o vizinho do outro lado da rua. Mas quando cheguei à porta, não havia campainha. Confuso, fui até ao próximo vizinho – e também não havia campainha!

Os meus vizinhos, quando querem saber se um deles está em casa, vão até ao portão, e batem. Ou gritam pelo nome. 

Aparentemente, esta tecnologia funciona suficientemente bem. (E não se avaria.)

Fotografia: Ted’s photos – Returns late Feb Flickr via Compfight cc

Gratidão

Parte da graça de escrever estas notas diárias é encontrar a imagem para acompanhar a publicação. 

Num mundo de posts de Facebook e Twitter e Instagram, de canais de notícias 24 horas, é fácil esquecer que com uma simples pesquisa online, podemos ver centenas de pinturas clássicas. 

Há 30 anos, estas obras só eram acessíveis a uma mão-cheia de conhecedores com os meios para viajar em redor do mundo e visitar as galerias (por vezes, privadas) que as alojavam. Um livro com réplicas de uma fração destas obras seria muito caro – caro demais para um apreciador casual.

Hoje, somos afogados pela enchente de nova informação, de novas obras, de novos produtos. É, afinal de contas, o novo que vende. É muito difícil ter lucro mantendo uma galeria de arte gratuita online com milhares de obras. Não dá tantos “gostos” manter uma página de Facebook dedicada à beleza da arte clássica

Mas ainda assim, essas duas coisas existem, e muitas mais como elas.

Uma vida mais preenchida de beleza está ao alcance de qualquer pessoa com uma ligação à internet.

Vale a pena dar graças por isso.

Pintura: Minerva e as Nove Musas, por Hendrick van Balen.

A Internet Selvagem

A internet costumava ser como o Oeste Selvagem – um mundo prenhe de possibilidades, mas sobretudo, de liberdade. 

O preço a pagar por essa liberdade era que, por vezes, aconteciam coisas más. Era mais fácil viver-se como um fora-da-lei nesse mundo; era mais fácil  ser um predar nos mais fracos, nos mais vulneráveis. E por isso, o oeste foi sendo domado.

Mas a semelhança acaba aí. As “autoridades” da internet – em muitos casos companhias privadas – não estão concentradas em tornar a internet num lugar mais seguro. Praticar o crime na internet continua a ser quase tão fácil como era há 10 anos.

O que é muito mais difícil é trocar ideias. Ou fazer comédia. Ou mesmo ser ofensivo e mal-educado (mas não violento) só porque nos apetece.

Sabemos que o rei é mau quando a primeira pessoa a ser executada é o bobo da corte.