Arquivo da Categoria: Aleatório

“Não Sejas o Mal.”

Sempre que envias um email através do Gmail, a Google lê-o.

Não é um ser humano na Google, claro; é uma máquina. 

Mas a informação da tua mensagem está a ser processada. O sistema do Google sabe que compraste um anel de casamento. Conhece os sites onde te registaste. Sabe a que pessoas diriges palavras ternas, e a que pessoas escreves com aspereza. Sabe até em que alturas do dia és mais terno, e em quais és mais áspero.

Podemos não usar o email da Google, certo? Quem o usa, sujeita-se. É o preço que paga pela conveniência de ter email rápido e grátis, certo?

Só que não é bem assim. Eu posso não usar um email da Google, mas se eu enviar o meu email a quem use, a Google vai ler o meu email na mesma. A única maneira de manter a privacidade da minha comunicação não é só não usar o serviço da Google, é não interagir com ninguém que o use.

Em tempos, a maioria das pessoas acreditou que havia um homem nas nuvens que conhecia todas as nossas virtudes e pecados, os nossos segredos mais íntimos. 

Hoje, é a própria nuvem que os conhece.

E a Google dirá que todos esses dados estão anónimizados; que estão seguros, fechados a sete chaves num cofre e codificados de forma a que nenhum ser humano os possa descodificar.

Vale a pena parar para pensar: como nos sentiríamos se descobríssemos que, quando enviamos uma carta por correio, uma máquina a abria, fotocopiava o conteúdo, e voltava a fechar e reencaminhar? Será que nos bastaria que os serviços postais nos garantissem de que era apenas a máquina, e que as fotocópias nunca seriam tocadas por um ser humano?

Todas estas defesas e seguranças podem desaparecer com o pressionar de um par de botões.

É só o Homem na Nuvem querer.

Pintura: “Júpiter Nota Callisto” por Nicolaes Berchem

Um Dia de Cada Vez

Já lá vão mais de cem escritos desde Novembro do ano passado. Um por dia, foi o que me comprometi, e apenas duas vezes (ou terá sido uma só?) falhei.

Este espaço não é surdo aos vossos comentários. A pedido dos leitores (ou, verdade seja dita, da leitora, mas às vezes uma pessoa diz o que muitos estão a pensar; espero que seja esse o caso) agora há um arquivo, que podem usar para explorar o blog dia-a-dia.

Podem encontrá-lo já ali na barra de navegação à vossa esquerda, a pedir pelos vossos cliques.

(Sim, há dias em branco, mas meramente porque publiquei depois da meia-noite; o dia seguinte terá dois escritos.)

Obrigado pelas vossas visitas, pela vossa atenção.

Pintura: “O Panteão na Carruagem de Apolo” por Nicolas Bertin