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Não Sou o Teu Guru

Hoje isto vai ser uma recomendação curta – o documentário “Not Your Guru,” que retrata a experiência de participar no maior evento do catálogo de desenvolvimento pessoal de Tony Robbins.

Faço esta recomendação porque sei que muitos dos meus amigos e colegas são cépticos em relação ao mundo do coaching e do desenvolvimento pessoal. E eu compreendo isso. 

A verdade é que o mundo do coaching tem um custo de entrada que é virtualmente zero, e portanto atraí muitas pessoas sem qualquer talento, preparação, zelo ou mesmo vontade de trabalhar, que sentem que o seu carisma pessoal e ego inflacionado é suficiente para ajudar pessoas com problemas a sério. 

Eu já treinei para ser coach, já fiz cursos, e vejo bem o calibre de pessoas que a área atrai. É assustador.

Mas há um par de coisas que colocam o Tony Robbins à parte:

  1. Eu leio muitas biografias e entrevistas com pessoas famosas e bem sucedidas, e uma percentagem significante destas atribuíu parte do seu sucesso aos livros / programas / eventos do Tony Robbins. Isso não pode ser coincidência.
  2. Eu mesmo experimentei (mas nunca concluí) alguns dos programas dele, e fiquei impressionado com a qualidade de alguns dos exercícios e ferramentas linguísticas.

Acho que o documentário não é perfeito. Por um lado, foca-se muito nas intervenções que Robbins faz a utilizar o seu próprio método de psicologia caseira explosiva, em detrimento dos exercícios e ferramentas que vão trazer os verdadeiros resultados à maioria das pessoas.  Acho que essas coisas seriam melhor tratadas por um terapeuta licenciado, e acho um bocado manhoso quando coaches se põem a fazê-lo.

E por outro lado – e ironicamente, tendo em conta o título – às vezes dá a impressão que as pessoas estão quase a ser parte de um culto religioso.

Mas acho que é uma boa forma para os céticos verem que há uma certa energia, um certo método no trabalho do homem, que poderá valer a pena explorar. 

“Inside” Outro Mundo

“Inside” é um videojogo de proeza estilística invulgar. Uma paleta de cores reduzida dá vida -Vida cinzenta, escura e sóbria, ocasionalmente iluminada por luzes malignas, mas ainda assim vida! – a um mundo desconfortável, um mundo que pode ser ou não ser o nosso, que equilibra o familiar e o bizarro com a destreza de um malabarista veterano.

De facto, tanto o seu estilo visual com base num minimalismo estilizado, como a estranheza familiar do seu mundo, me deixaram ao longo de todo o jogo com a sensação de que estava a jogar o parente de um do meus jogos formadores, o “Another World.”

Uma das cenas mais memoráveis de Another World, logo no início do jogo.

Também neste jogo, conduzimos uma personagem relativamente vulnerável através de um mundo que, apesar de muito invulgar – no caso de Another World, mais claramente alienígena do que o de Inside – apresenta ecos suficientes do nosso para que possamos traçar algumas assumpções acerca do que se passa e da situação em que nos encontramos. Por outro lado, mantêm-nos inquietos e despertos pois nunca sabemos que criatura ou armadilha estranha estará à nossa espera no ecrã seguinte.

Em Inside, no entanto, a personagem não ganha uma arma em parte alguma do jogo, e isso não é mau. Se por um lado senti falta dos picos de acção que pontuavam Another World sob a forma de tiroteios, também reconheço que esses sempre foram a parte mais fraca do jogo.

Inside é todo acerca de resolver enigmas físicos, acerca de descobrir a melhor maneira de manipular o ambiente para poder avançar da esquerda para a direita, até ao desfecho final. Isto faz dele um jogo muito mais acessível que Another World. Inside por vezes exige um pouco de ritmo e sincronização, mas nunca grandes reflexos – os desafios podem ser de execução física, mas a dificuldade é puramente cerebral.

A tentativa e erro são companheiros constantes em Inside, mas o jogo nunca nos penaliza em mais que alguns segundos por uma morte.

O que não me agradou assim tanto em Inside foi a narrativa aberta, e mais uma vez, comparo e contrasto com o caso de Another World. Ambos os jogos contam a sua história sem uma única palavra. Cabe ao jogador compreendê-la com base nos acontecimentos e na observação do ambiente.

No entanto, em Another World, é óbvia a natureza geral do evento que despoletou a aventura, mesmo que não as especificidades. O final deixa a narrativa em aberto (pelo menos até à sequela) mas não deixa dúvidas acerca do que se está a passar.

Inside deixa muito mais à imaginação, um pouco demais para o meu gosto, e sim, aqui trata-se puramente de gosto. O inicio é completamente inexplicado, a motivação da personagem que controlamos, idem, e se no final se dão eventos com uma carga dramática acrescida, a natureza desses eventos mantém-se obscura. (Se bem que, admito, a cena final é relativamente satisfatória, como climax.)

A questão é que Another World deixa muita coisa aberta à interpretação do jogador, e isso agrada-me. Mas Inside não nos dá material suficiente para gerar uma interpretação, apenas especulação. Não há nada de mal nisso – ainda bem que há narrativas assim nos videojogos – mas não é algo que me agrade, e poderá também não agradar ao leitor.

Ainda assim, a experiência de jogar Inside foi agradável, e fez-me pensar que há realmente muito poucos jogos assim, jogos que continuem na linha desse clássico que foi o Another World. Espero que mais gente jogue Inside e, quem sabe, o sigam como inspiração.

Conversa de Navegadores

Uma vez um amigo gozou comigo por falar – quase sempre que nos encontramos – dos navegadores que utilizo . “Conversa de Browser,” chamou-lhe ele. Foi dito com humor e não levei a mal, mas todo o humor dá sempre algo em que pensar.

Eu vivo na Internet. A Internet é o meu local de trabalho e de lazer. É onde me educo acerca do que se passa no mundo, e é onde aprendo a fazer coisas novas, ou a fazer melhor as coisas que sei fazer.

Então, o veículo que uso para aceder à internet é uma das coisas mais importantes na minha vida. Importante, não fundamental. Não morria se tivesse que usar um navegador mau. Mas era muito menos produtivo.

É difícil arranjar um paralelo. Poderia dizer que o carro é um bom ponto de comparação, mas o navegador é um organismo vivo, em constante mudança e actualização. Para mais, experimentar outros e trocar é fácil. O automóvel não muda (excepto para pior) e normalmente, depois de escolhermos um, estamos encravados com ele durante vários anos.

O que quero de um navegador? Que seja rápido. Que facilite a leitura de texto na internet, e a escrita também. A visualização de vídeos também é importante. Que possa alternar entre computador e telemóvel (e vários computadores) sem perder o fluxo do trabalho. E, claro, que não tenha aqueles anúncios irritantes.

Actualmente estou a usar o Brave, um navegador que se foca na privacidade e velocidade; usa o esqueleto do Chrome do Google, mas sem todas as porcarias que o Google usa para recolher a nossa informação. É modular e dá para acrescentar coisas – da mesma forma que no Chrome – e a única coisa que não gosto muito é que só sincroniza os Favoritos entre dispositivos. 

Estava a usar o Opera, mas a funcionalidade de ter mensagens em janelas individuais não funciona no MacBook Air. Talvez volte a tentar.

O que usam vocês?