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Salvar a Filosofia

A filosofia saiu da minha vida depois de terminados os últimos exames no secundário. Não havia razão para continuar. Foi-me ensinada como uma versão mais aborrecida de história: esta pessoa pensava isto, a outra pessoa defendia aquilo, etc. Não havia qualquer propósito por detrás do conhecimento – agora percebo que o que me foi ensinado não foi filosofia, mas sim história da filosofia.

Não havia razão para a aprender para além de ter melhores notas e parecer culto. E esta última estava longe de ser prioridade para um miúdo de 17 anos.

Avançando pela vida adulta, estava tão pouco preparado como qualquer um para enfrentar os seus desafios: perda, adversidade, terror existencial, confrontação com estruturas tirânicas, resistir a tentações, medos e ansiedades, e todos os primos e parentes destes conceitos.

Morreu a mãe de um amigo meu há um par de meses. É uma experiência pela qual, é garantido, a maioria de nós vai passar. É um evento completamente previsível no decurso de uma vida normal. E no entanto, o meu amigo não estava minimamente preparado – tal como a maior parte de nós não está.

Porque é que não nos ensinam a lidar com estas coisas na escola?

Depois de um longo percurso pela industria do desenvolvimento pessoal (ou, como eles não gostam de ser chamados, da “auto-ajuda”) , dei por mim a voltar à filosofia, pelas palavras de Marco Aurélio e outros Estóicos. Foi então que percebi: há um espaço dedicado a ensinar-nos como lidar com os desafios da vida. Era para isso que deviam servir as aulas de filosofia.

Alguém pôs a pata na poça quando determinou como a filosofia seria ensinada nas escolas.

Parte do que estou a tentar fazer aqui, com estes escritos, é corrigir isso. Estou a tentar reconquistar a filosofia, salvá-la das salas de aula e trazê-la para o lugar onde pertence: o nosso dia-a-dia, as nossas vidas.

Fotografia: Free Public Domain Illustrations por rawpixel Flickr via Compfight cc

Mais Vale Ter Um Plano Mau Do Que Não Ter Nenhum

Quando o mundo rui à nossa volta, é complicado encontrar tempo ou presença de espírito para elaborar até mesmo um plano rudimentar. Se, em tal circunstância, te encontrares armada com um plano mau, isso já te dá um bom avanço em relação à versão de ti que não tem plano nenhum.

Pensa em coisas que teriam um impacto negativo na tua vida, um impacto grande suficiente que te retirasse a capacidade de lidar com elas nesse momento, até durante vários dias. Exemplos de coisas que tendem a deixar as pessoas desorientadas:

— Morte ( de uma criança, de um pai, de um esposo(a) )
— Perda de emprego / falência económica ( nossa, de um familiar próximo, do companheiro, etc)
— Doença ou um acidente sério que resulte em incapacidade

Pode ser um exercício sombrio, mas ponderar estas situações não tem que te deprimir. Pelo contrário, o paradoxo da preparação é que considerar situações más e planear a nossa reacção tende a diminuir a nossa ansiedade em relação às mesmas.

Claro, não te deixes consumir pela visualização das situações, nem planeies obsessivamente. Nunca existe preparação suficiente perante acontecimentos tão dramáticos, e perseguir esse ideal é uma demanda fadada ao fracasso.

O essencial é compreender que mais vale ter um plano mau do que não ter plano nenhum. A menos que seja óbvio que há grande probabilidade do temido evento acontecer a curto prazo, contenta-te em saber qual seria o tem primeiro passo.

Se o pior acontecer, ja vais estar um passo à frente.

Foto por: Christine Schmitt Flickr via Compfight cc

O Que O Facebook Fez

O que o Facebook fez foi remover as barreiras do acto de “blogar”.

Removeu a expectativa de que um “post” tinha que ser um bloco de texto cuidado de determinado tamanho. Não há problem em escrever apenas uma frase no Facebook.

Removeu a estrutura de edição e publicação intimidante. Há uma única interface – aquela em que se escreve as coisas é a mesma interface onde se lêem as coisas.

Removeu a necessidade de trabalhar na promoção de conteúdo – tudo o que se escreve é enviado a todos os outros (e vice-versa.)

Posto isto, bastou ao serviço alcançar um determinado numero de utilizadores para se tornar uma máquina impossível de parar.

O problema do serviço é um problema arquival, e de propriedade. Quase tudo o que se publica no Facebook se torna efémero. Não há uma maneira fácil de manter um registo do que se produziu, ou de o exportar. É possível encontrar o que uma pessoa especifica escreveu sobre um determinado livro há cinco anos, mas não é fácil.

Se não queres saber daquilo que escreves (ou desenhas, ou fotografas, ou compões), então o Facebook é uma excelente plataforma.

Mas se tu não queres saber, porque hão-de os outros?