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O Culto Da Opinião

Outro paradoxo da sociedade moderna:

  1. Vivemos numa sociedade de comentadores
  2. A humildade é uma virtude exaltada

Todos os dias há um ou vários temas para debater. E do “cidadão respeitável,” espera-se que junte a sua voz a esta arena social, que dê o seu julgamento acerca de temas que lhe são apresentados com a nuance de um martelo pneumático.

A “humildade” passou a ser um sinal social, uma coisa que se finge, o tal beijinho que se dá à amiga dos pais só por educação.

Onde é que está a humildade de dizer “não percebo deste assunto?”

Eu percebo de:

  1. Medicina (com ênfase na cabeça e pescoço)
  2. Videojogos
  3. Escrever
  4. Investigação Científica (IE, pesquisa, estatística, e o método científico)
  5. Filosofia

Foram estas as áreas sobre as quais me debrucei, quase excluindo tudo o resto, ao longo da maior parte da minha vida. Fora isso, nos últimos anos, tenho feito um esforço para aprender:

  1. Marketing
  2. Gestão
  3. Gravação e edição de audio
  4. Entrevistar
  5. Cozinhar

Não discursaria sobre um destes temas face a um perito. Posso elucidar uma plateia leiga em alguns aspectos, mas tenho muito a aprender.

E é tudo. São cinco coisas em que me sinto à vontade, e cinco coisas em que tenho alguma confiança. Tudo o resto? Não sei. Não estudei. Não falo sobre isso. Não tenho opinião.

Quais são as tuas dez?

Fotografia: Julian Meehan Flickr via Compfight cc

Sexo, Drogas, Rock n’ Roll e “Seguir a Tua Paixão”

Como trabalhei durante alguns anos no mundo do Desenvolvimento Pessoal, gosto de ir vendo o que anda por aí, e experimentando os novos “truques.” Um tópico favorito dessa comunidade é descobrir a paixão, isto é, aquela actividade que se pode seguir para o resto da vida e de cuja prática resultarão infindáveis reservas de energia e concretização pessoal.

O problema é que sempre que eu faço um desses testes – escritos, contemplativos, meditacionais, já passei por eles todos – o meu resultado é sempre uma variante de “Sexo, Drogas e Rock n’ Roll,” se não literalmente, pelo menos de forma figurada.

Decerto que seria muito divertido perseguir este propósito de vida, mas não faria muito pela minha longevidade. Não me parece ecológico nem intemporal – ou seja, não beneficiaria nem o Luís nem aqueles que rodeiam o Luís a longo prazo. Só seria bom para o Luís a curto prazo. O Luís Futuro estava lixado.

Aqui está uma alternativa viável: em vez de procurares uma paixão, procura um interesse. Não escolhas um interesse qualquer. Escolhe um interesse que te pareça que possa ser sustentável de forma boa para ti e para os outros ao longo do tempo. E depois, tenta tornar-te o melhor que consigas na execução desse interesse – sabendo, porém, que muitas vezes vai ser trabalhoso, vai ser difícil, vais pensar se vale mesmo a pena o esforço.

Invariavelmente, a repetição vai-te tornar melhor a fazer o que quer que tenhas escolhido. E apenas no momento em que possas dizer “eu até sou melhor nisto que a a maioria das pessoas que conheço” – só aí, só nesse patamar mais elevado, vais poder finalmente começar a sentir uma “paixão” a germinar. Se não? Parte para outra.

O problema não é que não seja possível encontrar uma paixão. O problema é que as pessoas perdem mais tempo nos “truques” de a encontrar do que a experimentar coisas.

Sugestão da Semana (II)

Sou um fã do Safari pela sua simplicidade e integração no sistema, mas tenho o Firefox sempre à mão, e o Momentum – Personal Dashboard é uma das extensões que gosto mais ( também disponível para Chrome e compatíveis).

É uma página de “nova aba” que tem uma data de funcionalidades catitas, mas o mais importante para mim é que quando a abro pela primeira vez no dia, ela pergunta-me qual é a minha tarefa mais importante do dia. E essa é uma pergunta a que todos devíamos responder, todos os dias.

E depois, é essa prioridade que nos aparece, escrita a letras grossas, sempre que abrimos a nova “aba.” De resto a página é limpa – tem uma imagem bonita, uma citação inspiradora, e uma lista de tarefas minimalista. Mas a nossa prioridade – é isso que salta à vista.

É o tipo de software que eu gosto – simples, mas que cumpre um propósito importante.