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Alta Definição

Meditar não é buscar um estado mental ou físico sublime. Meditar pode conduzir a isso – especialmente na vertente de exercício de respiração – mas não é esse o propósito da meditação.

O propósito da práctica de meditação é, em primeiro lugar, notar os filtros que aplicamos à nossa vida, à nossa percepção. Filtros que cobrem toda a nossa experiência sensorial constantemente, e que são invisíveis a menos que:

  1. Aprendamos acerca da sua existência.
  2. Treinemos a concentração necessária para os detectar.

Usamos óculos para ver com mais clareza. Compramos televisores maiores para melhor apreciar a arte da cinematografia ou do desporto. Usamos auscultadores de melhor qualidade para apreciar com mais definição o som do instrumento e a voz do cantor.

Nenhuma destas experiências, por refinadas que se tornem, nos conseguem levar ao mesmo sítio que a meditação nos leva. 

Mas a meditação, uma vez chegado a determinado patamar, clareia a nossa experiência de todas estas coisas – e de tudo o resto.

Ser a Pessoa Mais Burra na Sala

Tento sempre ser a pessoa mais burra na sala. Ou na equipa. Não tenho interesse em contratar pessoas menos inteligentes que eu. Porquê?

  1. Se eu sou o melhor a fazer uma coisa, faz sentido ser eu a fazê-lo. Porque pagar a outrem para tratar dessa tarefa, se eu faço melhor?
  2. Se eu sou o mais burro, então posso aprender com todos os outros. Ninguém tem mais possibilidade de crescimento que eu. É uma excelente posição para ocupar.
  3. O verdadeiro teste de mestria é saber ensinar. Quando eu sei menos que os que trabalham sob a minha alçada, isso força-os a explicar-me as coisas, a ensinar-me. Isto pode ser ligeiramente irritante para eles numa primeira instância, mas ao ensinar-me, eles mesmos vão conseguir reparar em detalhes que antes tinham passado despercebidos. Ter que me explicar coisas força-os a reavaliar e aprimorar o seu conhecimento.

A relação entre mestre e aprendiz não funciona num único sentido; é reciproca e simbiótica.

Se és a pessoa com mais conhecimento na sala, estás na sala errada.

Pintura: “Os Jograis Divertem-se Mais” por Adriaen Pietersz van de Venne

A Regra de Dois

Há sempre dois: um mestre, e um aprendiz.

Funciona para os Sith, mas pode funcionar para todos.

O ciclo é o seguinte: O mestre nutre, e beneficia, do talento do aprendiz. O aprendiz, por sua vez, tem como missão superar – e matar, depor – o mestre. 

É verdade, talvez a parte de “matar” seja um bocado extremo. Vamos deixar essa componente de parte.

De resto, ter alguém que nos supere é bom. É bom que as pessoas que trabalham conosco, que são geridas por nós, sejam encaminhadas na direcção de se tornarem melhores que nós, capazes de nos substituir. É uma mais-valia para as nossas empresas, instituições, organizações. É uma multiplicação do valor laboral.

O melhor líder é o líder que se rodeia de pessoas mais inteligentes, mais capazes do que ele. Se as conseguir nutrir para chegar a tal ponto, melhor ainda. 

Afinal de contas, se pode confiar noutros para que façam o seu trabalho, então pode dar-se ao luxo de ficar doente, de ter tempo para tratar de questões pessoais, de tirar férias.

Não acabará o aprendiz por depor o mestre? 

Na minha experiência, há sempre uma posição melhor a aguardar um mestre capaz de produzir aprendizes que o superem.