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O Reverso da Medalha

Porque ontem fui um bocado reclamão, decidi seguir o meu próprio conselho: “Se tens tempo para te queixar de algo, tens tempo para fazer algo para o resolver.” Ou pelo menos para dar uns passos na direcção certa.

Portanto, decidi pegar no serviço de leitura com o sistema de notas mais robusto, o Instapaper, e procurar soluções para melhorar essa funcionalidade.

O serviço em si tem uma integração com o Evernote que supostamente copia os sublinhados e notas directamente para a aplicação de bloco de notas, mas há problemas:

  1. O Evernote é muito inconsistente entre sistemas. A aplicação web, por exemplo, é lenta e não deixa gerir bem as notas.
  2. Nem sempre funciona. Depois de activar a integração, fiz várias notas e sublinhados que nunca chegaram a aparecer na minha conta de Evernote.

Acabei por arranjar a seguinte solução: usei o IFTTT (um serviço grátis online que serve de ponte entre várias aplicações) para estabelecer a seguinte regra: sempre que eu faço uma nota, ou sublinho alguma coisa, num artigo no Instapaper, o IFTTT envia-me um email com o sublinhado e a nota.

A partir daí, é uma questão de copiar o conteúdo directamente para o meu bloco de notas de eleição.

É um sistema um pouco atribulado? É. Era melhor que o Instapaper – ou uma aplicação concorrente – desse para copiar as notas de forma fácil, directamente. Mas não dá. E mais vale a arranjar uma solução, por imperfeita que seja, do que continuar a reclamar.

Pintura: “Filoctetes Ferido” por Nicolai Abildgaard

Não Há Ferramentas Para Ler Na Internet

Por incrível que pareça num medium que continua a ser fortemente textual, ler na internet ainda é uma experiência de terceiro mundo.

Sim, há ferramentas para nos poupar a vista – ferramentas como o Instapaper ou o Pocket ou mesmo o modo de leitura do Safari ajudam-nos a organizar conteúdos, retirar as escolhas estilísticas (habitualmente terríveis) das páginas, e apresentar os textos de uma forma mais legível.

Mas isso é só uma parte de ler, a forma mais básica. Para ler a sério – para ler de forma a entender, a assimilar, a aprender – é preciso sublinhar, fazer notas, e cruzar informação. As ferramentas supracitadas só deixam fazer a bem a primeira dessas três coisas; as que dão a capacidade de fazer notas fazem-no de uma forma pouco prática e limitada.

Quando leio um eBook – seja no Kindle ou Apple Books – é a coisa mais simples do mundo enviar uma colectânea dos meus sublinhados e notas para o meu endereço de email, para consultar facilmente ou copiar para um bloco de notas.

Porque é que é tão difícil fazer o mesmo para artigos na internet?

Fotografia: wuestenigel Flickr via Compfight cc

Nos Ombros de Gigantes

Um dos perfis que mais gosto no antepenúltimo livro de Tim Ferriss, o “Tools of Titans” (onde ele compila as melhores partes de vários anos de entrevistas) é o do Kevin Costner. 

É um dos perfis mais curtos, não chega a ter duas páginas, mas acho que a edição é magistral; a primeira parte e a segunda demarcam eximiamente um arco da vida pessoal do actor e realizador.

Num dos primeiros parágrafos, ele conta como quase que morria num acidente de viação, mas deixou o carro espatifado no meio do nada, e pediu boleia até à audição para onde se dirigia. Não conseguiu o papel, mas disse ter sido aí que se apercebeu, finalmente, que era isto que queria, que não se ia importar como que o mundo e a família pensavam acerca das suas escolhas.

Num dos últimos parágrafos, o actor narra uma troca de palavras que teve com o seu pai, muitos anos depois, depois de já ter alcançado o sucesso do estrelato mundial. O seu pai lamenta-se, de forma sentida, de nunca ter tomado nenhum risco na vida. Que se manteve no mesmo emprego a vida toda porque queria que, acontecesse o que acontecesse, “houvesse sempre comida na mesa.”

A única coisa que o seu filho lhe conseguiu dizer foi: “E houve. E houve.”

Às vezes, não tomamos riscos não por sermos cobardes, mas para que os que se nos seguem tenham a oportunidade de os tomar.