Céptico, Mas Grato

Eu sei que ás vezes posso parecer rezingão. Não é por mal. Eu gostava muito de ser uma daquelas pessoas super-positivas e sacarinas, que vêem o copo sempre meio-cheio. Direi mesmo mais: é esse o meu estado normal. Mas opto – opto! – por não o encarnar.

É que não é preciso. Não é uma especialidade rara – o único requisito é ser-se ignorante! O mundo tem mais do que material humano suficiente para suprir as suas necessidades de positivismo.

E depois, é uma questão pratica. Se eu assumir o melhor, e defender a posição de que é tudo unicórnios e arco-íris, então quando o céu começar a desabar, vou andar de um lado para o outro como uma galinha sem cabeça – como todos os outros.

Assumindo o pior, por outro lado, ajuda-me a estar preparado. Assim, se o desastre acontecer, alguém está preparado. E se o futuro me revelar enganado, bem, é um engano que assumo com prazer. É sempre bom quando as coisas correm melhor que o esperado!

Premeditatio malorum, penso que era o que os estóicos lhe chamavam: o ensaio das piores circunstâncias, para que os revéses da fortuna não os apanhassem desprevenidos. 

Parece-me uma prática sábia, e nada contrária a uma vida feliz. Cepticismo não é ingratidão; pelo contrário, é o reconhecimento de que é tão fácil as coisas correrem mal, que o facto de elas correrem bem na maioria dos dias é um milagre digno de ser reconhecido como tal.

Foto por Johannes Plenio via Pexels