Competição Cerrada

Hoje de manhã, estava no jardim/terraço da casa onde estou a ficar com uns amigos. Tem uma excelente vista para a vila no vale, e gosto de passar alguns minutos depois de acordar a observar a vila a despertar.

Ás 7 da manhã, comecei a ouvir tocar um sino, e dei por mim a tentar perceber que horas eram (apesar de já o saber). É porque me chamou a atenção a cadência invulgar, era difícil de contar as badaladas. Na realidade, o que se passou foi o seguinte: o sino da igreja estava a tocar uma pequena melodia, e só depois deu as badaladas.

Seguiu-se outra igreja, mais próxima. Esta fez uma melodia muito mais breve e menos elaborada, antes de dar as sete. 

Imagino o padre (são os padres que fazem isto, ou têm uma pessoa especializada, um tocador de sino?!) a acordar de sobressalto com os sinos da outra igreja, e ir a correr para a campânula, já atrasado, ligeiramente envergonhado por não dar as sete antes da concorrência. Mas mesmo assim, arranja tempo para um pouco de melodia no início.

Não sei se nada disto funciona assim. Não sei se há competição intra-paroquial. Não sei se dar as horas à hora certa, se é uma coisa que importa aos padres. E provavelmente não seria difícil de descobrir – mas há dezenas de outras coisas que não sei, e que não seriam difíceis de descobrir.

E eu gosto de saber coisas. Mas não há largura de banda cognitiva para aprender tudo. Temos que saber escolher. E não há mal em não saber coisas, desde que não tentemos fingir que sabemos.

Histórias são histórias; umas são verídicas, outras servem para entreter. E algumas são ambas as coisas, mas raramente por intenção.