A Subtil Arte de Não Aprender

Desde que me lembro, que sou uma esponja de informação. Não sei mesmo ao certo quando começou – suspeito que depois de terminar a faculdade, mas é possível que tenha sido antes.

Cada minuto do meu tempo livre, eu passo a aprender. Se vou caminhar ou fazer exercício, estou a ouvir um podcast ou audiobook. O mesmo a cozinhar ou lavar a loiça. Se estou a comer em casa, estou a ver uma palestra no YouTube. Nem vou para a casa de banho sem um livro ou artigo.

O resultado é que acumulei muito conhecimento, sem dúvida. E como faço um esforço para selecionar as coisas que consumo, até posso dizer que é informação maioritariamente útil.

Mas vou fazer a experiência de parar. Porque acho que, ao mesmo tempo que ganhei conhecimento, perdi capacidade de o aplicar. Porque, ao encher a cabeça de aprendizados, receio não lhe dar, há já muito tempo, capacidade de a digerir.

Foi essa a lição do banho de Arquimedes – a lição que nos diz que a solução para os problemas que nos atormentam surge quando paramos de a procurar. 

O meu tempo tem sido sempre passado à procura de algo.

Agora, vou dar espaço para as soluções surgirem.

Fotografia: scott1346 Flickr via Compfight cc

Educação a Mais

O mito moderno: que mais educação é a resposta para todos os problemas.

Sou fã de educação. Mas não concordo com o supracitado. A acção tem primazia sobre a educação. A educação é, com frequência, mais uma desculpa para adiar acção.

Se vais fazer algo, começar algo que nunca fizeste antes, é inteligente e muitas vezes necessário procurar educação. Fazer um curso, ou ler um livro. É importante ter as bases, o ponto de partida.

Mas a partir daí, é preciso fazer. A partir do arranque, a educação deve ser complementar à acção: deve-se procurá-la para resolver entraves no caminho, ou para prosseguir para um novo nível de mestria, quando atingido um planalto. Não se deve procurar educação só porque sim. 

A educação é uma ferramenta, não uma filosofia.

Coisas que, durante um processo, uma viagem, um projecto, são mais úteis do que ler mais um livro, ou fazer mais um curso:

  1. Encontrar um mentor ou um coach que consiga observar o teu processo e avaliar-lo objectivamente. Que consiga apontar zonas específicas onde melhorar.
  2. Fazer parte de uma comunidade com os mesmos objectivos. A troca de conhecimentos é uma forma de aprendizado, com certeza, mas é a motivação que advém da presença de camaradas, e a pressão inerente a querer acompanhar o grupo, que pode ajudar a superar muitos obstáculos.
  3. Fazer experiências. Considera gastar o tempo e dinheiro que gastarias em aprendizado, a experimentar algo novo, e ver como corre.

Aprender a ler, ver e ouvir, é bom.

Aprender a fazer, é melhor.

Fotografia: marcoverch Flickr via Compfight cc