Dinheiro e Percepção

“Um dia, Yahya estava em viagem com o califa Harun Al-Rashid. Um homem apareceu diante do califa e disse-lhe: “A minha mula morreu”. Ao ouvir isso, o califa ordenou que o pobre homem recebesse quinhentos dirhams.

Mas Yahya sinalizou ao califa para desmontar e depois levou-o para o lado. 

“Pai!” Disse Harun. “Fez-me um sinal sobre algo que eu não entendo.” Yahya respondeu: “Um califa nunca deve se rebaixar a mencionar uma quantia tão pequena de dinheiro, até mesmo como presente. Quando é necessário dar, é melhor dar cinco mil ou dez mil. 

Harun perguntou-lhe: “Então, o que deveria eu ter feito nesta situação?” Yahya disse: “Ofereça-lhe simplesmente uma mula nova.”

 — A Sabedoria e Generosidade de Yahya Ibn Khalid (Inglês – Tradução original por Quintus Curtius)

O valor do dinheiro é diferente para cada um de nós. É por isso que um presente de dinheiro é ingrato: é raro a nossa percepção do valor corresponder à percepção da outra pessoa.

A generosidade monetária de um homem pode assemelhar-se à avarice de outro; e, mesmo que ambas as partes fiquem satisfeitas com a dádiva, o julgamento dos que a testemunhem é sempre uma incógnita.

Mais sensato, portanto, é descobrir o que é que a outra pessoa deseja, e, estando dentro da nossa possibilidade, oferecer isso.

Nem mais, nem menos; a arte da generosidade é uma arte que exige medidas certas.

Fotografia: stephenbarber Flickr via Compfight cc