Em Retrospectiva

Como pessoas, somos uma amálgama de biologia e experiências. 

A biologia é directamente determinista. As experiências não o são. 

A posse de um determinado conjunto de dados e a interação desse conjunto de dados com a biologia de uma pessoa é o que vai formar a sua personalidade, capacidade cognitiva, gostos, e tudo o que o define como um indivíduo. 

O que as experiências fazem é inserir dados no sistema que somos nós.

A pessoa que somos é uma consequência das experiências a que a nossa entidade biológica foi exposta.

Logo: a pessoa que somos depois de uma experiência (marcante? especial?) é uma pessoa diferente da que iniciou a acção, que deu início à experiência.

É por isso que não faz sentido sentir arrependimento pelos erros do passado. 

Aprender com eles, sim. Claro. É uma tragédia se não aprendermos com eles. Mas arrepender-nos do que foi feito?

Qual o sentido de nos arrependermos de algo que outra pessoa fez?

Fotografia: nimishgogri Flickr via Compfight cc