Aprender a Andar

É fácil esquecer-me como os videojogos são difíceis para quem não está habituado a jogá-los.

Tetris e Pac-Man, os clássicos dos clássicos, que usam menos de meia dúzia de botões para ser jogados (ou menos, na presença de um stick analógico) são, para os conhecedores do medium,  um acto meditational: nem é preciso pensar em como jogar, é intrínseco, é pegar no comando e jogar.

Mas para alguém que não está habituado, esses jogos são uma confusão de luz e som e regras arbitrárias a ser aprendidas. A velocidade é outra. O acto de jogar é tudo menos intrínseco.

Mas a solução não tornar os jogos actuais mais fáceis, ou dar-lhes modos “causais.” O desafio, o desenvolvimento pessoal e a superação de um obstáculo que antes parecia ser intransponível –  são partes importantes do que é “jogar videojogos.” Não são tudo, mas são partes importantes. 

É importante sentir que há algo a alcançar, que há algo trancado atrás do desafio – a vontade de querer descobrir o que é, é a força motriz para persistir, para melhorar, para crescer.

Mas faltam caminhos para lá chegar. Faltam mais jogos básicos, mais jogos (bem feitos e belos e inteligentes e recompensadores) de dois botões, e de três botões, e de quatro botões – que servem para ensinar os iniciados a andar, antes de lhes pedirmos para escalar uma montanha.

Fotografia: Skall_Edit Flickr via Compfight cc