O Maior Espectáculo (De Videojogos) do Mundo

Exposição de Entretenimento Electrónico. 

A E3 costumava ser o evento dos fãs de videojogos. A sua época dourada foi na adolescência da internet. 

Nessa era, os jogadores de todo o mundo apinhavam-se em redor dos ecrãs, à espera que os trailers mais recentes descarregassem, a visitar os seus sites favoritos para saberem o que tinham para antecipar no(s) ano(s) vindouro(s). 

Era para essa E3 que todas as companhias que produziam ou publicavam videojogos, grandes e pequenas, guardavam munição ao longo de todo o ano. O jogador mais “nicho” saía da semana da E3 com uma lista de desejos do tamanho do braço.

Era uma era. A de hoje, é diferente. 

Das grandes companhias de videojogos – Sony, Microsoft, e Nintendo – apenas uma marca presença na exibição. Outras, como a Electronic Arts, tornam as suas revelações muito mais espaçadas ao longo do ano.

Já de há anos para cá que a E3 é um dinossauro que marcha a caminho da extinção. Numa era em que qualquer companhia tem acesso directo aos fãs, através de Twitch e YouTube e Instagram e muitos outros canais, porquê investir milhares de dólares num espaço especial? Um espaço onde apenas uma quantidade limitada de pessoas pode ir, para depois passar para fora uma palavra potencialmente distorcida?

Mas a cultura é uma força muito difícil de mudar. A E3 já não faz sentido para ninguém, mas continuamos a tê-la; muitas companhias continuam a guardar algumas “bombas” para largar nestes dias. 

São uns dias mais intensos no mundo dos videojogos. Talvez isso em si seja razão suficiente: o saber que nesta data – nesta data arbitrária – vão surgir umas novidades catitas; com sorte, algo para acrescentar à lista de desejos que agora, em vez de se formar de uma assentada, vai crescendo ao longo do ano.

Mesmo quando já não tem funcionalidade aparente, uma coisa continua a ter razão de existir, desde seja parte da cultura de um grupo.

Ser parte de uma cultura é só por si uma funcionalidade.

Fotografia: adafruit Flickr via Compfight cc