Sem Modo “Fácil”

Nos últimos dias, tive que ler um livro que estava muito acima da minha capacidade. Era um livro que presumia muito conhecimento anterior da minha parte. Tive que parar várias vezes para pesquisar o significado de palavras que desconhecia, e para consultar livros referidos na bibliografia.

Na nossa sociedade facilitista, seria fácil dizer que o livro era pobre, que era muito exigente, que não era didático.

Mas não é razoável exigir que todos os livros sejam escritos para leigos. Como é que é possível alcançar profundidade de conhecimento, se perdemos tanto tempo a fazer o reconhecimento da superfície? Não; uma obra que queira contribuir de forma significante para o todo, tem que assumir que o leitor já passou pelas bases.

Acabei por fazer a entrevista, e acho que não fiz má figura. Domino o material? Não, nem um pouco. Consegui reter algumas ideias, alguns princípios, consigo ter uma discussão inteligente sobre o livro e o material que lá está, mas precisaria de mais algumas (muitas!) luas para saber implementar o material.

Mas o simples projecto, o esforço destes ultimos dias, obrigaram-me a ser um leitor mais focado, mais rigoroso, obrigaram-me a fazer notas e a construir muito bem as minhas questões. É um “subir de nível” que só foi possível porque me atrevi a atirar-me a um livro mais forte do que eu.

Atreve-te também.

Pintura: “A Forja de Vulcano” por Francesco Bassano