Nos Ombros de Gigantes

Um dos perfis que mais gosto no antepenúltimo livro de Tim Ferriss, o “Tools of Titans” (onde ele compila as melhores partes de vários anos de entrevistas) é o do Kevin Costner. 

É um dos perfis mais curtos, não chega a ter duas páginas, mas acho que a edição é magistral; a primeira parte e a segunda demarcam eximiamente um arco da vida pessoal do actor e realizador.

Num dos primeiros parágrafos, ele conta como quase que morria num acidente de viação, mas deixou o carro espatifado no meio do nada, e pediu boleia até à audição para onde se dirigia. Não conseguiu o papel, mas disse ter sido aí que se apercebeu, finalmente, que era isto que queria, que não se ia importar como que o mundo e a família pensavam acerca das suas escolhas.

Num dos últimos parágrafos, o actor narra uma troca de palavras que teve com o seu pai, muitos anos depois, depois de já ter alcançado o sucesso do estrelato mundial. O seu pai lamenta-se, de forma sentida, de nunca ter tomado nenhum risco na vida. Que se manteve no mesmo emprego a vida toda porque queria que, acontecesse o que acontecesse, “houvesse sempre comida na mesa.”

A única coisa que o seu filho lhe conseguiu dizer foi: “E houve. E houve.”

Às vezes, não tomamos riscos não por sermos cobardes, mas para que os que se nos seguem tenham a oportunidade de os tomar.