A Estranheza de Prestar Atenção

Há uma estranheza inerente ao mundo. É só olhar com atenção suficiente.

Sabemos o que é uma mão. É uma parte do nosso corpo. Sabemos o que constitui a mão – ossos, tecido nervoso, tecido muscular, cartilagem, etc. 

E no entanto, faz a experiência de olhar para a tua mão, numa circunstância relaxada, durante alguns minutos. Não tentes pensar acerca ela. Olha, apenas. Se quiseres ir um pouco mais além: usa-a para apontar directamente para a tua cara, para os teus olhos, e direciona o olhar para a ponta do dedo.

Não sabes que coisa é esta. Não sabes como funciona. Não sabes que sensação é esta, provocada por meramente testemunhar uma parte do teu corpo.

Agora tenta com um animal de estimação. É um cão. Ou um gato. Ou uma iguana. Tal como no caso da mão, a classificação é trivial.

Mas observa mais de perto. Os movimentos. O detalhe dos pelos ou pele. O molhado do nariz; o padrão que cobre a pele do nariz. A própria estranheza do facto da co-habitação deste ser, em harmonia contigo. A estranheza das acções, do “estar.”

Observado com suficiente atenção, pondo de parte as etiquetas, a classificação… Podia ser um extraterrestre que observas. É igualmente estranho.

É assim que as crianças vêem o mundo? Não sei. Mas é um plano de experiência acessívél a todos. 

Basta observar com atenção.