Sexo, Drogas, Rock n’ Roll e “Seguir a Tua Paixão”

Como trabalhei durante alguns anos no mundo do Desenvolvimento Pessoal, gosto de ir vendo o que anda por aí, e experimentando os novos “truques.” Um tópico favorito dessa comunidade é descobrir a paixão, isto é, aquela actividade que se pode seguir para o resto da vida e de cuja prática resultarão infindáveis reservas de energia e concretização pessoal.

O problema é que sempre que eu faço um desses testes – escritos, contemplativos, meditacionais, já passei por eles todos – o meu resultado é sempre uma variante de “Sexo, Drogas e Rock n’ Roll,” se não literalmente, pelo menos de forma figurada.

Decerto que seria muito divertido perseguir este propósito de vida, mas não faria muito pela minha longevidade. Não me parece ecológico nem intemporal – ou seja, não beneficiaria nem o Luís nem aqueles que rodeiam o Luís a longo prazo. Só seria bom para o Luís a curto prazo. O Luís Futuro estava lixado.

Aqui está uma alternativa viável: em vez de procurares uma paixão, procura um interesse. Não escolhas um interesse qualquer. Escolhe um interesse que te pareça que possa ser sustentável de forma boa para ti e para os outros ao longo do tempo. E depois, tenta tornar-te o melhor que consigas na execução desse interesse – sabendo, porém, que muitas vezes vai ser trabalhoso, vai ser difícil, vais pensar se vale mesmo a pena o esforço.

Invariavelmente, a repetição vai-te tornar melhor a fazer o que quer que tenhas escolhido. E apenas no momento em que possas dizer “eu até sou melhor nisto que a a maioria das pessoas que conheço” – só aí, só nesse patamar mais elevado, vais poder finalmente começar a sentir uma “paixão” a germinar. Se não? Parte para outra.

O problema não é que não seja possível encontrar uma paixão. O problema é que as pessoas perdem mais tempo nos “truques” de a encontrar do que a experimentar coisas.